A Receita Federal encaminhou, nesta primeira quinzena de abril de 2026, uma série de documentos sigilosos à CPI do Crime Organizado revelando uma teia de repasses milionários realizados pelo Banco Master. As transferências financeiras tiveram como destino escritórios de advocacia e empresas de consultoria de propriedade de figuras proeminentes da República, incluindo ex-presidentes, ex-ministros de Estado, dirigentes partidários e familiares de magistrados do Supremo Tribunal Federal.
Os dados fiscais, que detalham movimentações ocorridas nos últimos anos, expõem as cifras que a instituição financeira, controlada por Daniel Vorcaro, destinou ao ecossistema político e jurídico brasileiro. De acordo com informações do Metrópoles, os repasses atingem nomes do alto escalão de diferentes espectros partidários e ideológicos.
Como a Receita Federal mapeou as transferências aos políticos?
O levantamento do Fisco faz parte do escopo de investigações enviadas à comissão parlamentar que analisa o avanço do crime organizado e suas possíveis conexões financeiras. Nos documentos, consta que o escritório de advocacia do ex-presidente da República Michel Temer (MDB) foi um dos beneficiados pelas transferências da instituição bancária.
Conforme apurado pela CNN Brasil, o relatório aponta um repasse de R$ 10 milhões no ano de 2025 para a banca do ex-mandatário. No entanto, há uma divergência de cifras apontada pela própria defesa. O ex-presidente confirmou a prestação de serviços, mas contestou o valor exato registrado pelo banco junto aos órgãos de controle. Temer explicou que o trabalho se tratou de:
uma atividade jurídica de mediação
A declaração oficial de Temer afirma que o escritório foi contratado especificamente para este fim, ressaltando que o montante efetivamente recebido teria sido de R$ 7,5 milhões, e não os dez milhões listados nos relatórios da Receita encaminhados ao Congresso Nacional.
Quais ex-ministros e dirigentes partidários estão na lista?
Além do ex-chefe do Executivo federal, a lista de consultorias e assessorias jurídicas pagas pelo banco abrange ex-ministros da Fazenda de gestões passadas. Nomes fortes da economia brasileira aparecem nos registros fiscais com valores vultosos associados às suas respectivas empresas e firmas.
A estrutura de pagamentos revelada pelos veículos de imprensa destaca os seguintes repasses a figuras do Executivo e do Legislativo:
- Guido Mantega: a Pollaris Consultoria, de propriedade do ex-ministro da Fazenda, recebeu R$ 14 milhões.
- Henrique Meirelles: o ex-ministro da Fazenda do governo Temer e ex-presidente do Banco Central no governo Lula recebeu R$ 8 milhões pelos serviços prestados.
- Antonio Rueda: escritórios ligados ao atual presidente nacional do União Brasil receberam R$ 6,4 milhões no ano de 2023.
- ACM Neto: a empresa de consultoria do ex-prefeito de Salvador e dirigente do União Brasil acumulou recebimentos de R$ 5,4 milhões entre os anos de 2023 e 2025.
- Ratinho: duas empresas do Grupo Massa, pertencentes ao apresentador de TV que é pai do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), somaram R$ 24 milhões entre 2022 e 2025. Deste montante, a fatia de R$ 21 milhões foi destinada especificamente à empresa Massa Intermediação.
O que muda com a citação de autoridades do Judiciário e seus familiares?
Um dos pontos de maior atenção nos relatórios encaminhados à comissão investigativa envolve a citação de escritórios ligados a membros ou ex-membros do Supremo Tribunal Federal, bem como a parentes de autoridades do atual governo federal. As bancas de advocacia associadas a familiares de magistrados registraram o recebimento de dezenas de milhões de reais oriundos da instituição financeira.
O escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, que é esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, figura com o maior montante individual relatado nas publicações com base nos dados do Fisco. Segundo os levantamentos, entre os anos de 2024 e 2025, os repasses declarados para a banca de Viviane somaram a quantia de R$ 80,2 milhões.
Outro nome de peso do Judiciário presente de forma indireta no documento é o do ex-ministro do STF e atual titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Lula, Ricardo Lewandowski. Os dados cruzados apontam depósitos direcionados à empresa Lewandowski Advocacia, que pertence à família da autoridade.
Os pagamentos para a banca tiveram início no mês de novembro de 2023. O valor total listado na documentação que o banco apresentou à Receita flutua, segundo as fontes, em cifras próximas a R$ 6,1 milhões. É importante ressaltar a cronologia societária descrita: o ex-magistrado da Suprema Corte deixou a sociedade do escritório em janeiro de 2024, período imediatamente anterior à sua posse como ministro da Justiça.
Há outros parentes de políticos nos relatórios enviados à CPI?
O alcance dos pagamentos do Banco Master também engloba conexões familiares na base de apoio no Congresso Nacional. Os dados detalham um repasse financeiro expressivo a uma empresa vinculada de forma familiar à liderança do governo federal no Senado.
A empresa pertencente a Bonnie Bonilha foi destinatária de R$ 12 milhões. Conforme os relatórios, ela é casada com o enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), que atualmente exerce a função estratégica de líder do governo Lula na Casa Legislativa.


