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Banco Master: Receita aponta pagamentos milionários a Temer, Lewandowski e Mantega

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Prédio Banco Inter Belo Horizonte-MG
Prédio Banco Inter Belo Horizonte-MG Foto: mateuspapini — CC

Documentos sigilosos encaminhados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado e revelados ao público no início de abril de 2026 revelam que o Banco Master realizou dezenas de repasses milionários a figuras centrais da política brasileira. Os relatórios financeiros detalham transferências para escritórios de advocacia, empresas de consultoria e negócios ligados a ex-presidentes, ex-ministros de Estado, lideranças partidárias e familiares de magistrados do alto escalão do Judiciário.

As informações fiscais enviadas ao Congresso Nacional cobrem, em sua maioria, o período entre os anos de 2022 e 2025. De acordo com informações da CNN Brasil, os dados apontam um amplo leque de beneficiários com trânsito em diferentes governos e espectros políticos, evidenciando contratos de prestação de serviços de cifras expressivas.

Quais foram os repasses ligados ao Judiciário e governos anteriores?

Os documentos da Receita Federal listam uma série de autoridades de destaque e seus familiares diretos. Entre os principais volumes financeiros identificados nos relatórios ligados ao Banco Master estão:

  • Viviane Barci de Moraes: O maior montante individual relatado nos documentos foi direcionado ao escritório da advogada, que é esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A banca registrou o repasse de R$ 80,2 milhões entre os anos de 2024 e 2025.
  • Michel Temer: O escritório de advocacia do ex-presidente da República (MDB) foi alvo de uma declaração de repasse na ordem de R$ 10 milhões, valor correspondente ao ano de 2025, de acordo com as informações fiscais.
  • Guido Mantega: O ex-ministro da Fazenda dos governos petistas é proprietário da Pollaris Consultoria, empresa que, segundo os dados, foi remunerada com R$ 14 milhões pela instituição financeira.
  • Ricardo Lewandowski: A banca pertencente à família do ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça do governo Lula recebeu depósitos do banco. Os valores variam levemente entre as fontes, oscilando entre R$ 5,93 milhões e R$ 6,1 milhões, referentes ao período de 2023 a 2025.
  • Henrique Meirelles: O ex-presidente do Banco Central no primeiro governo Lula e ex-ministro da Fazenda na gestão Michel Temer recebeu R$ 8 milhões por serviços prestados à instituição.

De acordo com informações do Metrópoles, a instituição financeira, que tem o empresário Daniel Vorcaro como controlador, também estendeu seus contratos para líderes partidários em ascensão e figuras públicas da comunicação.

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Como o banco remunerou líderes partidários e familiares de políticos?

Além dos nomes ligados aos governos federais passados e ao Judiciário, a documentação em posse da CPI do Crime Organizado detalha o fluxo de caixa do Banco Master para caciques regionais e parentes de autoridades do Legislativo e Executivo estadual. Destacam-se nesta categoria:

  • Família Massa (Ratinho): Duas empresas do grupo pertencente ao apresentador de televisão Ratinho — pai do atual governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) — receberam um montante de R$ 24 milhões entre 2022 e 2025. A maior fatia desse valor, cerca de R$ 21 milhões, foi depositada na conta da empresa Massa Intermediação.
  • Antonio Rueda: O atual presidente nacional do partido União Brasil teve repasses declarados para seus escritórios no valor de R$ 6,4 milhões, referentes ao ano de 2023.
  • ACM Neto: O ex-prefeito de Salvador (BA) e importante liderança do União Brasil recebeu, por meio de sua empresa de consultoria, um total de R$ 5,4 milhões entre os anos de 2023 e 2025.
  • Bonnie Bonilha: A empresária, que é casada com o enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA) — atual líder do governo Lula no Senado Federal —, recebeu repasses de R$ 12 milhões em sua empresa.
  • Fabio Wajngarten: O ex-ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do governo de Jair Bolsonaro também é citado na lista de pagamentos do banco, embora os valores exatos de seus repasses não tenham sido detalhados nesta primeira leva de divulgações.

O que dizem os citados sobre os documentos da Receita?

A revelação dos dados fiscais provocou reações imediatas por parte de alguns dos mencionados, que buscaram esclarecer a natureza estritamente profissional dos contratos firmados com o Banco Master. O ex-presidente Michel Temer, por exemplo, não apenas confirmou a prestação de serviços, mas também fez um adendo sobre os valores totais apresentados pela Receita Federal.

Temer explicou que a contratação de sua banca ocorreu para “uma atividade jurídica de mediação”. No entanto, o emedebista contesta o montante milionário informado pelo banco ao fisco. Segundo o ex-presidente, seu escritório teria recebido, na realidade, R$ 7,5 milhões pelo trabalho, e não os R$ 10 milhões apontados no relatório.

Em relação a Ricardo Lewandowski, os relatórios estabelecem uma cronologia específica para os recebimentos. Os repasses para o escritório Lewandowski Advocacia tiveram início em novembro de 2023. É importante destacar, como contexto à atuação profissional da banca, que Lewandowski deixou formalmente a sociedade do escritório em janeiro de 2024. Essa saída ocorreu pouco tempo antes de ele assumir oficialmente o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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