
No início de abril de 2026, a Receita Federal encaminhou à CPI do Crime Organizado um conjunto de documentos que detalha pagamentos milionários realizados pelo Banco Master, instituição financeira pertencente a Daniel Vorcaro. Os relatórios apontam repasses a escritórios de advocacia e empresas de consultoria vinculados a figuras centrais da política nacional, incluindo o ex-presidente Michel Temer (MDB), ex-ministros de Estado, magistrados e presidentes de partidos.
De acordo com informações do Metrópoles, os dados estão contidos em relatórios fiscais oficiais enviados para análise da comissão parlamentar, que investiga a atuação de facções e movimentações financeiras atípicas no país. A lista de beneficiários transita por diferentes espectros políticos, englobando aliados de governos passados e da atual administração federal.
Quais foram os valores declarados ao ex-presidente Michel Temer?
Um dos nomes de maior destaque nos documentos é o do ex-presidente da República, Michel Temer. Segundo os dados fiscais, o escritório de advocacia do emedebista foi destinatário de altos valores. Os relatórios apontam o recebimento de R$ 10 milhões apenas no ano de 2025.
De acordo com informações da CNN Brasil, o ex-presidente confirmou a relação comercial, mas contestou o montante exato informado pelo banco à Receita Federal. Em sua justificativa, Temer declarou que o seu escritório foi contratado especificamente para “uma atividade jurídica de mediação”, e que o valor efetivamente recebido pelos serviços prestados teria sido de R$ 7,5 milhões, e não os R$ 10 milhões que constam nos registros enviados à comissão.
Como as bancas jurídicas ligadas ao STF aparecem nos relatórios?
Os documentos do Banco Master também chamam atenção para os repasses destinados a escritórios de advocacia ligados a famílias de atuais e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso de maior volume financeiro, conforme revelado, envolve o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A Receita Federal informou à CPI do Crime Organizado que o escritório de Viviane recebeu um expressivo montante de R$ 80,2 milhões. Esses repasses ocorreram no período compreendido entre os anos de 2024 e 2025.
Além disso, a banca Lewandowski Advocacia, pertencente à família do ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça do governo Lula, Ricardo Lewandowski, também figura nos relatórios. Os depósitos para o escritório somaram R$ 6,1 milhões (ou R$ 5,93 milhões na consolidação de 2023 a 2025), com início registrado em novembro de 2023. Ricardo Lewandowski deixou a sociedade do escritório em janeiro de 2024, pouco tempo antes de assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Quem são os ex-ministros da Fazenda e figuras partidárias citadas?
A teia de pagamentos declarados pelo Banco Master se estende a importantes gestores da economia brasileira e caciques partidários. Entre os beneficiários mapeados pela Receita Federal, destacam-se:
- Guido Mantega: O ex-ministro da Fazenda (nos governos Lula e Dilma Rousseff) recebeu R$ 14 milhões por meio de sua empresa, a Pollaris Consultoria.
- Henrique Meirelles: Ex-ministro da Fazenda do governo Temer e ex-presidente do Banco Central, recebeu R$ 8 milhões por prestação de serviços.
- Antonio Rueda: O atual presidente nacional do partido União Brasil teve repasses de R$ 6,4 milhões direcionados aos seus escritórios no ano de 2023.
- ACM Neto: O ex-prefeito de Salvador (BA) e membro do União Brasil recebeu, por meio de sua empresa de consultoria, o montante de R$ 5,4 milhões entre os anos de 2023 e 2025.
- Fabio Wajngarten: Ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro, que também figura na lista de beneficiários mapeados pelo Fisco.
Quais outros familiares de políticos receberam repasses?
As investigações conduzidas pela CPI do Crime Organizado evidenciam ainda transações envolvendo empresas ligadas a familiares de parlamentares e governadores. O banco realizou transferências que somam R$ 12 milhões à empresa de Bonnie Bonilha. Ela é casada com o enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), que atualmente exerce a função de líder do governo Lula no Senado.
Outro núcleo familiar que aparece com cifras elevadas é o do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). Duas empresas pertencentes ao grupo da família Massa, liderado pelo apresentador de televisão Ratinho (Carlos Massa), pai do governador, foram beneficiadas. Ao todo, os relatórios indicam o pagamento de R$ 24 milhões entre os anos de 2022 e 2025. Desse montante global, a maior fatia, equivalente a R$ 21 milhões, foi transferida especificamente para a empresa Massa Intermediação ao longo do mesmo período.
A revelação desses dados demonstra o volume de recursos movimentados pelo Banco Master junto a prestadores de serviços com forte influência institucional. A CPI do Crime Organizado deverá aprofundar a análise técnica desses documentos para atestar a materialidade das consultorias e assessorias jurídicas que justificaram as transferências milionárias.


