Uma baleia-jubarte macho foi encontrada morta e encalhada em uma área de difícil acesso na Baía Babitonga, localizada no município de São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina. O animal de grande porte estava sendo acompanhado por especialistas desde a última terça-feira, momento em que foi avistado à deriva nas proximidades da cidade de Itapoá. De acordo com informações do UOL Notícias, a operação mobiliza diversas frentes de monitoramento ambiental na região costeira.
O deslocamento da carcaça até o ponto de encalhe foi impulsionado por condições meteorológicas e oceanográficas específicas. Fatores como a maré em elevação e a força do vento nordeste empurraram o mamífero marinho diretamente para o canal principal da baía. Como consequência dessa dinâmica natural, a baleia acabou parando em um banco de areia situado nas imediações da foz do Rio Monte de Trigo, já na manhã de quarta-feira.
Como ocorreu a operação de resgate e monitoramento da baleia?
O local do encalhe apresentou um desafio logístico significativo para as equipes de resgate, uma vez que a região não faz parte do trecho costeiro monitorado regularmente pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Para conseguir acessar o ponto exato onde a carcaça repousava, os biólogos e técnicos precisaram solicitar o apoio operacional do Corpo de Bombeiros Militar de São Francisco do Sul, que garantiu o deslocamento seguro dos profissionais até a área isolada.
Ao alcançarem a foz do rio, os especialistas realizaram a avaliação preliminar e confirmaram oficialmente o óbito do cetáceo. A inspeção técnica revelou que se tratava de um espécime macho da espécie cientificamente denominada Megaptera novaeangliae. O corpo do animal media aproximadamente oito metros e meio de comprimento e já apresentava sinais claros de decomposição avançada.
Por que a coleta de amostras biológicas foi suspensa pelas equipes?
Durante a análise física do mamífero, a equipe técnica do PMP-BS observou que o corpo estava severamente infestado por organismos marinhos, incluindo parasitas conhecidos como ciamídeos e diversas cracas aderidas à pele. Diante desse cenário, os biólogos tomaram a decisão técnica de abortar a coleta de amostras biológicas. Os principais motivos que fundamentaram essa escolha incluíram:
- O risco elevado de acidentes devido ao difícil acesso terrestre e marítimo.
- A instabilidade estrutural do terreno, caracterizado por um sedimento lamoso profundo.
- As variações imprevisíveis da maré no canal, que colocavam em perigo os profissionais.
- O estado de putrefação da carcaça, que compromete a validade dos tecidos.
Quais são os próximos passos das autoridades ambientais na Baía Babitonga?
Devido à impossibilidade de remoção imediata e aos riscos associados à operação com os restos mortais, o animal foi mantido no próprio local do encalhe. A carcaça requer um acompanhamento constante para avaliar os impactos no ecossistema local e a evolução do processo de decomposição natural no banco de areia.
Atualmente, a equipe do PMP-BS mantém uma rotina de monitoramento, avaliando todas as variáveis operacionais e logísticas. O trabalho de acompanhamento não é isolado e conta com uma força-tarefa ambiental. Participam ativamente dessa avaliação conjunta os profissionais técnicos da Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura municipal e os pesquisadores vinculados ao Centro Integrado de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade (Cimbio), instituição ligada à Universidade da Região de Joinville (Univille).