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Balas perdidas no Rio deixaram quase 1,4 mil vítimas em dez anos, diz instituto

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Foto de silhuetas de pessoas caminhando em uma rua urbana sob luz dramática, sugerindo um clima de tensão e insegurança.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

O Rio de Janeiro registrou 1.389 vítimas de bala perdida em dez anos, incluindo 192 crianças baleadas, segundo dados apresentados nesta terça-feira, 24 de março de 2026, à CPI do Crime Organizado pela fundadora do Instituto Fogo Cruzado, Cecília Oliveira, em Brasília. As informações foram levadas ao colegiado em depoimento que relacionou o avanço da violência ao crescimento do crime organizado e à ausência de ação coordenada do poder público. De acordo com informações da Radioagência Nacional, o estado também somou 359 chacinas no período analisado.

Durante o depoimento, Cecília Oliveira afirmou que o fortalecimento do crime ocorre em ambientes marcados pela falta de fiscalização e pela conivência de agentes públicos. Na avaliação apresentada à CPI, o problema não se limita ao Rio de Janeiro, mas se insere em uma dinâmica nacional de expansão de facções e milícias, enquanto as políticas de segurança pública permanecem fragmentadas. A CPI do Crime Organizado funciona no Congresso, em Brasília, e discute a atuação de organizações criminosas com impacto em diferentes estados do país.

O que os dados do Fogo Cruzado mostram sobre a violência no Rio?

Os números levados à comissão apontam a dimensão da violência armada no estado ao longo da última década. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, foram registradas:

  • 1.389 vítimas de bala perdida em dez anos;
  • 192 crianças baleadas;
  • 359 chacinas no mesmo período.

Os dados foram apresentados por Cecília Oliveira, fundadora do instituto, em depoimento prestado nesta terça-feira. Ela associou o cenário ao aumento do crime organizado e ao enfraquecimento da presença estatal em áreas vulneráveis. O Instituto Fogo Cruzado monitora episódios de violência armada e é frequentemente citado em levantamentos sobre segurança pública no Rio e em outros centros urbanos.

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“É aquilo que eu chamo de adubo do crime. O que isso significa? Que o crime vai crescer vigorosamente onde falta o Estado. E eu falo que falta o Estado no sentido de falta de fiscalização especificamente e onde, ao mesmo tempo, há uma colaboração dos agentes públicos. E eu não estou falando aqui especialmente de polícia não. Eu falo aí sobre toda a qualidade de servidor público: desde o deputado, o juiz, o secretário que fecha os olhos para alguma situação, até, obviamente, o policial que vai buscar o arrego, que a gente sabe que, infelizmente, é uma realidade.”

Como Cecília Oliveira relaciona milícias e crime organizado?

No depoimento, Cecília Oliveira também afirmou que, em duas décadas, as milícias cresceram mais de 300%. Segundo ela, esse percentual supera 500% quando se consideram as chamadas zonas de influência, isto é, locais onde não há controle formal do território, mas existe prestação de serviços e presença de grupos armados.

Para a fundadora do Fogo Cruzado, a resposta ao avanço dessas organizações precisa ocorrer de forma articulada entre diferentes esferas de poder. A avaliação exposta à CPI é que o crime se expandiu nacionalmente, enquanto as ações de segurança seguem organizadas de maneira local. No Rio de Janeiro, milícias e facções estão entre os principais vetores da disputa territorial ligada à violência armada, tema recorrente no debate nacional sobre segurança pública.

“Porque o crime se nacionalizou, mas as políticas de segurança pública ainda não. E a gente sabe: o PCC está aí, em 28 países; o Comando Vermelho avança sobre estados, sobre rotas internacionais na América Latina; e nós ainda tratamos esse problema de forma local, de forma fragmentada, com instituições que brigam ou por protagonismo ou por orçamento, ao invés de conseguir cooperar. E é papel dos governadores sentarem juntos para poder enfrentar esse problema que afeta todos nós de forma coordenada. E esse movimento precisa, de fato, ser liderado pelo Legislativo e pelo Governo Federal.”

O que mais ocorreu na sessão da CPI do Crime Organizado?

A comissão também ouviria nesta terça-feira o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Belline Santana. No entanto, ele foi desobrigado de comparecer por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o relato da Radioagência Nacional, Belline Santana pediu para não ir à CPI porque está em São Paulo e, em razão do uso de tornozeleira eletrônica, não pode sair do estado para prestar depoimento em Brasília. Ele foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero.

O ex-servidor é acusado de atuar como uma espécie de consultor informal de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. A reportagem também informa que Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, foram afastados de suas funções por decisão de André Mendonça.

A sessão, assim, reuniu dois eixos distintos: de um lado, a apresentação de dados sobre violência armada e expansão de milícias no Rio de Janeiro; de outro, a ausência de um depoente ligado a uma investigação paralela. No centro do debate, a CPI ouviu o argumento de que o enfrentamento ao crime organizado exige coordenação nacional e ação conjunta entre Legislativo, governadores e governo federal.

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