
No mês de fevereiro, as taxas de juros para consumidores e empresas subiram, levando a um aumento na inadimplência e à retração de novos empréstimos. De acordo com informações do UOL Notícias, a taxa média para pessoas físicas e jurídicas subiu de 32,7% ao ano em janeiro para 33% ao ano em fevereiro.
A inadimplência no crédito com recursos livres, que exclui financiamentos imobiliários e rurais, aumentou de 6,7% para 6,9% entre consumidores e de 3,1% para 3,3% entre empresas. Como resultado, houve uma redução de 0,5% em novos empréstimos entre janeiro e fevereiro de 2026. No Brasil, o crédito com recursos livres reúne linhas em que os bancos têm mais autonomia para definir taxas e condições, o que ajuda a explicar a sensibilidade desse mercado à alta dos juros e ao risco de calote.
Qual foi o impacto nas concessões de crédito?
As concessões a pessoas físicas e jurídicas totalizaram R$ 699,8 bilhões em fevereiro, de acordo com dados ajustados sazonalmente do Banco Central. O Banco Central é a instituição responsável pela divulgação das estatísticas de crédito no país. Segundo a economista Isabela Tavares, da Tendências, o aumento dos juros bancários e da inadimplência está apertando as condições financeiras. Os spreads no crédito ao consumidor subiram mais que os juros por causa da piora na carteira de crédito, com mais participação de modalidades de crédito emergenciais nos últimos meses.
Como as mudanças afetam o bolso dos consumidores?
Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, destacou que o crescimento do crédito desacelera em todas as métricas observadas, seja para pessoas físicas, jurídicas, crédito livre ou direcionado. As taxas de juros tiveram alta significativa em modalidades como o cheque especial (7,8% ao mês) e o cartão de crédito rotativo (15% ao mês).
O que esperar para os próximos meses?
Leonardo Costa, economista do Asa Investments, mencionou que o peso das dívidas está comprometendo a renda das famílias, com o comprometimento de renda alcançando 29,3% em janeiro. Segundo Tavares, a expectativa é de que os juros continuem subindo nos próximos meses devido a um maior risco de crédito e ao aumento nos juros futuros, mas com uma tendência de melhora após 2026 com cortes na Selic. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de referência para o custo do crédito no país.
“Parte desse movimento reflete a piora da qualidade da carteira, com maior participação de modalidades de crédito emergenciais no último ano.” — Isabela Tavares, economista da Tendências.
Quais são as previsões para o mercado de crédito?
O Goldman Sachs prevê dificuldades no crédito nos próximos meses, devido às condições monetárias restritivas e à moderação no crescimento do mercado de trabalho. Entretanto, o banco enfatiza que o ativismo de crédito por parte dos bancos públicos e novas linhas de financiamento patrocinadas pelo governo devem amortecer o ciclo de crédito negativo.


