O ativista brasileiro Thiago Ávila, conhecido por sua atuação em defesa da causa palestina, foi detido nesta terça-feira, 31 de março, ao desembarcar com a esposa e a filha em Buenos Aires, na Argentina, e teve a entrada no país negada. Segundo relatos divulgados por apoiadores, por sua companheira Laura Souza e pela Global Sumud Flotilla Brasil, ele foi abordado pela polícia aeroportuária ao chegar ao Aeroparque Jorge Newbery, interrogado e posteriormente deportado. De acordo com informações da Agência Brasil, a viagem tinha como objetivo a participação em atividades e debates de divulgação da Global Sumud Flotilla.
O caso envolve um cidadão brasileiro em um dos principais destinos de viagem na América do Sul e ocorre entre dois países do Mercosul, bloco regional do qual Brasil e Argentina fazem parte. Por isso, episódios de impedimento de entrada e deportação costumam ter repercussão diplomática e consular para brasileiros que viajam ao país vizinho.
A entidade informou que Ávila, a esposa e a filha, uma criança com menos de dois anos, chegaram a Buenos Aires por volta das 10h30, vindos do Uruguai. Ainda conforme a nota, o ativista foi separado da família sob alegação de problemas com o passaporte e levado para uma delegacia. Segundo os relatos reproduzidos pela organização, policiais teriam dito que sabiam quem ele era, que ele não seria bem-vindo na Argentina e que não seguiria para a atividade prevista.
O que se sabe sobre a detenção de Thiago Ávila?
Em nota, a Global Sumud Flotilla Brasil afirmou que a retenção ocorreu no aeroporto da capital argentina e que a negativa de ingresso no país foi acompanhada de uma tentativa de deportação imediata para o Uruguai. Ainda segundo a organização, Ávila se recusou a embarcar nesse voo.
“O ativista foi separado de sua família por alegações de problemas com o passaporte. Dali, foi encaminhado para uma delegacia onde os policiais o disseram que sabiam quem ele era, que não seria bem-vindo na Argentina, e que não seguiria para a atividade”
A mesma nota acrescenta que, após negociações, ele conseguiu ser transferido para o Aeroporto de Ezeiza, principal terminal internacional do país, de onde partiria para Barcelona nesta quarta-feira, 1º de abril, em uma viagem que, segundo o relato, já estava programada após a passagem por Buenos Aires.
Qual era o objetivo da viagem do ativista à Argentina?
Thiago Ávila participaria de atividades e debates ligados à divulgação da Global Sumud Flotilla, articulação formada por movimentos da sociedade civil. O grupo afirma buscar romper o bloqueio e levar apoio internacional a comunidades vítimas de violações, especialmente na Faixa de Gaza.
Os relatos citados pela reportagem também mencionam que parlamentares argentinos teriam informado que a ordem para impedir a entrada do ativista partiu do “alto escalão do governo argentino”. Até a publicação da notícia original, nenhuma autoridade da Argentina havia se manifestado sobre o caso.
- Thiago Ávila desembarcou em Buenos Aires na terça-feira, 31 de março
- Ele viajava com a esposa e a filha, vindos do Uruguai
- A entrada no país foi negada, segundo relatos de apoiadores e da companheira
- Após negociações, ele foi encaminhado a Ezeiza
- A previsão era seguir para Barcelona na quarta-feira, 1º de abril
Como o episódio se relaciona com a atuação internacional de Ávila?
O texto lembra que, no ano passado, Ávila e outras dezenas de ativistas, entre eles cerca de 11 brasileiros, foram capturados por forças militares de Israel quando tentavam chegar à Faixa de Gaza por via marítima para entregar alimentos e medicamentos. O episódio teve repercussão internacional.
Segundo a reportagem, o grupo foi liberado após permanecer detido em prisões israelenses, sob denúncia de tortura. A atuação de Ávila em defesa da Palestina é apontada como um dos elementos centrais de sua projeção internacional.
A notícia também contextualiza a posição do presidente argentino, Javier Milei, descrito no texto original como defensor do Estado de Israel, apoiador da guerra em Gaza e aliado político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar disso, a reportagem informa que não houve manifestação oficial das autoridades argentinas sobre a detenção e a deportação do ativista até aquele momento.
