
O governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Saúde Pública (Sespa), está expandindo a rede de assistência à população neurodivergente com a inauguração de novos Núcleos de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Nateas). A iniciativa visa descentralizar o atendimento especializado e qualificar servidores públicos em todas as regiões paraenses. Por lidar com um território de dimensões continentais, a política de interiorização do Pará tem se tornado um modelo logístico para a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) no restante do Brasil, garantindo suporte técnico adequado e diagnóstico precoce em áreas distantes da capital, com ações intensificadas neste mês de abril de 2026.
De acordo com informações da Agência Pará, a estratégia faz parte de um plano que busca superar os desafios geográficos de um estado com mais de oito milhões de habitantes. Neste mês, a entrega de uma nova unidade em Santarém elevou para sete o número de centros especializados vinculados à Sespa, fortalecendo a rede que já conta com núcleos em cidades como Marabá, Tucuruí e Capanema.
Como funciona a expansão do atendimento ao autismo no Pará?
A expansão é coordenada pela Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa) e foca na criação de núcleos estratégicos em municípios-polo. A vice-governadora Hana Ghassan destacou que a dimensão territorial do Pará exige uma presença constante do Estado para oferecer o cuidado que a população merece. Com a nova unidade no Baixo Amazonas, o governo busca atender famílias que anteriormente não possuíam acesso a centros de tratamento públicos especializados.
A gestão estadual ressaltou que, além das novas infraestruturas, o estado investe na emissão de carteiras de identificação (Ciptea) para mapear a localização da população atípica e planejar serviços com eficiência. Sobre a nova entrega, representantes do governo afirmaram:
“Com esta nova unidade, instalada em Santarém, o governo do Pará proporciona atendimento para diversas famílias do Baixo Amazonas. Ao mesmo tempo, seguimos qualificando equipes e entregando carteiras de identificação, que são essenciais para que a gestão pública saiba quem são e onde estão as pessoas atípicas.”
Quais municípios são beneficiados pelo novo Natea de Santarém?
O núcleo recém-inaugurado tem capacidade para atender 150 usuários mensalmente. A unidade serve como referência para diversas cidades da região, garantindo assistência técnica para famílias que dependiam de deslocamentos longos — Santarém fica a cerca de 800 quilômetros da capital, Belém, com acesso prioritariamente fluvial e aéreo. Entre os municípios atendidos estão:
- Alenquer, Almeirim e Belterra;
- Curuá, Faro e Juruti;
- Mojuí dos Campos, Monte Alegre e Óbidos;
- Oriximiná, Prainha e Terra Santa.
Além das unidades em Santarém, Tucuruí, Capanema, Santo Antônio do Tauá e Marabá, a capital Belém possui dois centros: o Natea e o Cetea. O cronograma do governo prevê a inauguração de mais duas unidades ainda no ano de 2026, com foco nas regiões do Xingu e na Ilha do Marajó.
Qual a importância da qualificação profissional pela ETSUS?
A formação técnica é conduzida pela Escola Técnica do SUS (ETSUS) “Dr. Manuel Ayres”. Os cursos são voltados para profissionais de saúde mental e utilizam técnicas baseadas em evidências científicas, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). A coordenadora da Cepa, Brenda Maradei, enfatiza que a autonomia da comunidade autista depende da união entre capacitação técnica e parceria com a sociedade civil.
O fisioterapeuta Elizeu Corrêa Júnior, que atua em São Sebastião da Boa Vista, na Ilha do Marajó, é um dos profissionais que buscou qualificação na capital para replicar os conhecimentos em sua região. Segundo dados da ETSUS, cerca de 80% dos técnicos qualificados atuam fora da capital, em cidades como Barcarena e Cachoeira do Arari.
A professora Carolina Moraes Dourado explica que os alunos são capacitados para serem multiplicadores de conhecimento. Ao retornarem para seus municípios de origem, eles compartilham as intervenções científicas com suas equipes locais, otimizando o fluxo de atendimento do SUS. Para a diretora da ETSUS, Elizeth Braga, a descentralização da educação em saúde é um dos pilares para aumentar a eficiência e a qualidade dos serviços públicos prestados à população paraense.


