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Ata do Copom indica cautela do BC e não sinaliza novos cortes na Selic

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Fachada do prédio do Banco Central em Brasília com bandeira do Brasil ao fundo, sob luz do dia.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

O Banco Central informou, na ata da reunião do Copom divulgada em 24 de março de 2026, em Brasília, que não voltou a indicar novos cortes na taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, após redução de 0,25 ponto percentual na semana passada. O Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, é o colegiado responsável por definir a taxa básica de juros no país. Segundo o documento, a definição dos próximos passos da política monetária dependerá da incorporação de novas informações sobre o cenário externo e doméstico, em meio ao aumento das incertezas provocado pelas tensões no Oriente Médio e por sinais mistos sobre desaceleração da atividade econômica e efeitos sobre os preços.

De acordo com informações da Agência Brasil, a ata afirma que a magnitude e o ciclo de calibração da Selic, para cima ou para baixo, serão determinados ao longo do tempo. Na reunião da semana passada, o colegiado decidiu reduzir os juros básicos de 15% para 14,75% ao ano.

“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”.

Por que o Copom evitou sinalizar novos cortes na Selic?

Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante no mercado era de um corte de 0,5 ponto percentual. Com a piora do quadro internacional, porém, o Copom avaliou que a conjuntura atual exige “perseverança, firmeza e serenidade” na condução da política monetária, além de uma postura restritiva por mais tempo do que se considerava apropriado anteriormente.

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A ata também registra que as expectativas de inflação, que vinham em trajetória de queda, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio e seguem acima da meta em todos os horizontes observados. Para o Banco Central, esse ambiente torna maior o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

Como a decisão se relaciona com inflação e cenário externo?

A taxa básica de juros serve de referência para as demais taxas da economia e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece faixa entre 1,5% e 4,5%.

De acordo com o texto, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu para 4,17%, acima do centro da meta. Os analistas também estimam que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano.

Desde junho do ano passado, a taxa estava em 15% ao ano. A última redução anterior tinha ocorrido em maio de 2024, quando a Selic passou de 10,75% para 10,5% ao ano. Em setembro daquele ano, os juros voltaram a subir até chegar ao patamar de 15%.

O que a ata aponta sobre o ambiente doméstico?

Segundo a ata, até o início dos conflitos, os dados indicavam algum arrefecimento da inflação e crescimento econômico compatível com a política monetária em vigor. Por isso, na reunião de janeiro, o Copom considerou adequado sinalizar o início de um ciclo de calibração da taxa básica, ainda mantendo seu caráter restritivo.

Com o aumento da incerteza externa, o colegiado passou a ver o cenário com mais cautela. O documento menciona não apenas o agravamento das tensões geopolíticas, mas também novas incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos.

No ambiente interno, o Copom reafirmou que a saúde das contas públicas é fator determinante para o sucesso do controle da inflação. Segundo o Banco Central, a política fiscal influencia a demanda no curto prazo e também afeta a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida brasileira.

  • As expectativas de inflação subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio.
  • O cenário externo ficou mais incerto com tensões geopolíticas e dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos.
  • O Banco Central defende cautela na definição dos próximos passos da Selic.
  • A situação fiscal doméstica foi apontada como elemento relevante para o controle da inflação.

“O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”.

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