Assis Brasil volta a ser principal porta de saída das exportações do Acre - Brasileira.News
Início Estados (UF) Acre Assis Brasil volta a ser principal porta de saída das exportações do...

Assis Brasil volta a ser principal porta de saída das exportações do Acre

0
7
Caminhões carregados percorrem a rodovia na fronteira de Assis Brasil, em meio a uma paisagem de carga e exportação.
Reprodução / agencia.ac.gov.br

Assis Brasil voltou a ser a principal porta de saída das exportações acreanas em fevereiro de 2026, nove anos depois da última vez que liderou o ranking. A mudança ocorreu após a via rodoviária superar a marítima no escoamento de produtos, com Assis Brasil respondendo por 60,8% das exportações do estado, especialmente de castanha e carne suína.

De acordo com informações da Agência de Notícias do Acre, o estado registrou superávit comercial de US$ 8,27 milhões no mês, mantendo a sequência de saldos positivos na balança comercial. Localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia, o município de Assis Brasil é um ponto estratégico de conexão terrestre com a Rodovia Interoceânica, corredor logístico que liga o Acre ao Pacífico por território peruano.

O que explica o retorno de Assis Brasil como principal rota de exportação?

A inversão nos canais de escoamento foi o destaque técnico do período. Pela primeira vez desde 2016, a via rodoviária superou a marítima, com 65,1% de participação, equivalente a US$ 5,5 milhões. O Peru foi o principal destino, absorvendo 60,4% das vendas mensais do Acre.

A Unidade da Receita Federal de Assis Brasil consolidou-se como o eixo estratégico desse movimento. A castanha assumiu a liderança da pauta exportadora, com 42,2% das vendas, o equivalente a US$ 3,55 milhões. A carne bovina e a carne suína completaram o principal trio de produtos. Além do peso para a economia acreana, essa rota tem relevância nacional por integrar a produção do Norte brasileiro a mercados sul-americanos e, potencialmente, a portos no oceano Pacífico.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Quais municípios lideraram as exportações acreanas em fevereiro?

Brasileia reafirmou sua hegemonia ao exportar US$ 5,19 milhões, impulsionada pelo comércio fronteiriço. Senador Guiomard e Epitaciolândia aparecem na sequência entre os municípios com maior volume de exportações.

Quais desafios persistem para o escoamento da produção acreana?

Apesar dos avanços, persistem entraves técnicos que limitam a competitividade regional. A manutenção da BR-364 continua sendo um ponto crítico devido à sua vulnerabilidade sazonal, o que eleva os custos de frete dos produtos oriundos do Vale do Juruá. As estruturas alfandegárias nas fronteiras com Peru e Bolívia ainda carecem de maior digitalização e agilidade operacional.

A conclusão de obras como o Anel Viário de Brasileia é considerada fundamental para melhorar a fluidez das cargas pesadas na região de fronteira. A BR-364 é o principal eixo rodoviário interno do Acre e liga o leste do estado a Rio Branco e aos municípios do Vale do Juruá, o que torna sua conservação decisiva para o escoamento da produção até a fronteira.

Como o cenário internacional afeta as exportações do Acre?

O desempenho positivo ocorre em momento de instabilidade internacional. Conflitos e tensões geopolíticas impõem desafios ao comércio global, afetando custos de combustíveis, seguros marítimos e a estabilidade das moedas. No Acre, a alta no preço dos combustíveis agrava o cenário de um estado que já enfrenta um dos maiores custos de transporte do país.

O cenário reforça a importância da integração sul-americana e da rota rodoviária como alternativa às incertezas das rotas transoceânicas. Para o Brasil, corredores terrestres com países andinos são acompanhados com interesse por ampliarem opções logísticas para o comércio exterior, especialmente em regiões distantes dos grandes portos do Atlântico.

Em termos acumulados, os dois primeiros meses de 2026 somam US$ 17,52 milhões em exportações, o que representa crescimento de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025. A manutenção do crescimento dependerá da continuidade dos investimentos em infraestrutura e da modernização aduaneira.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here