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Árvore alerce milenar no Chile sustenta rede vital de fungos subterrânea

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Tall tree trunk with massive roots on ground with leaves growing in famous national park Cat Tien with deciduous plants
Tall tree trunk with massive roots on ground with leaves growing in famous national park Cat Tien with deciduous plants Foto: Quang Nguyen Vinh — Pexels License (livre para uso)

Um exemplar majestoso da espécie alerce (Fitzroya cupressoides), com idade estimada em mais de 2.400 anos, revelou ser o centro de uma vasta e complexa rede subterrânea de vida no Parque Nacional Alerce Costero, localizado no sul do Chile. Cientistas descobriram que essa árvore, com 30 metros de altura e conhecida popularmente como “alerce abuelo”, abriga cerca de duas vezes mais diversidade de fungos no subsolo em comparação com espécimes mais jovens de seu ecossistema.

De acordo com informações do Mongabay Global, os pesquisadores identificaram 361 sequências de DNA de fungos exclusivas deste espécime ancião. A descoberta inédita demonstra que árvores mais velhas funcionam como pilares fundamentais, ancorando uma teia micológica que beneficia diretamente outras plantas presentes no solo da floresta costeira temperada chilena.

Como as árvores milenares sustentam a vida no ecossistema florestal?

A comunidade de fungos encontrada no subsolo do parque é conhecida cientificamente como micorrizas arbusculares. Estes organismos estabelecem parcerias únicas e vitais com a flora local. Atualmente, sabe-se que mais de 80% de todas as plantas terrestres se associam a esse tipo de fungo. Eles formam redes subterrâneas que penetram nas raízes, criando estruturas especializadas responsáveis por fornecer nutrientes e água à planta, recebendo em troca carbono e açúcares essenciais para sua sobrevivência.

O estudo analisou material genético retirado de amostras de solo sob 31 exemplares de alerce de diferentes idades. A pesquisa de 2022 envolveu especialistas da Universidade Santo Tomás, Universidade Austral do Chile, Universidade de La Frontera, Fungi Foundation e SPUN.

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All the diversity you see above in the tree branches also happens belowground. All these root systems and the soil offer a habitat for thousands of fungi, and also bacteria and insects, forming a whole ecosystem underground

, explicou Camille Truong, micologista do Royal Botanic Gardens Victoria e da Universidade de Melbourne, e principal autora da pesquisa.

Por que árvores mais antigas apresentam maior diversidade subterrânea?

A correlação entre o tamanho da árvore e a riqueza de sua vida fúngica confirmou a expectativa dos cientistas: quanto maior e mais antigo o espécime, mais complexa é a teia sob ele. Ao longo de milênios, árvores anciãs acumulam uma vasta gama de fungos simbióticos como mecanismo de adaptação a mudanças ambientais contínuas. Essa dinâmica de evolução paralela permite que a floresta resista a estresses extremos, criando um ambiente resiliente.

Entre os principais fatores ambientais que exigem essa adaptação ao longo dos séculos, destacam-se:

  • Períodos prolongados de seca, que exigem parceiros fúngicos capazes de reter e fornecer mais água;
  • Ciclos de chuvas intensas, que alteram a composição estrutural e a necessidade nutricional do solo;
  • Ataques de agentes patogênicos variados ao longo do tempo;
  • Ameaças crescentes de incêndios florestais, que têm se agravado significativamente devido às mudanças climáticas globais.

Quais são as ameaças atuais ao alerce chileno e como protegê-lo?

Apesar de desempenharem um papel de “guarda-chuva” para a biodiversidade, suportando um ecossistema que não pode ser simplesmente substituído pelo plantio de novas mudas, o alerce enfrenta riscos críticos. César Marín, ecologista fúngico da Universidade Santo Tomás e coautor do estudo, alerta que restam apenas cerca de 250 mil espécimes antigos na natureza. A espécie sofreu intensa exploração madeireira desde o final do século 19 até a década de 1970, levando-a a um estado formal de ameaça de extinção.

Embora a legislação do Chile classifique o corte desta árvore como um crime ambiental, especialistas defendem que os espécimes gigantes precisam de políticas de preservação ainda mais rigorosas. Atualmente, a expansão imobiliária, a construção de infraestrutura e o desmatamento ilegal continuam pressionando a espécie de forma sistemática. Organizações como a Corporación Alerce já registraram denúncias contra subdivisões ilegais de terras em áreas propensas a inundações nas proximidades de Puerto Montt, evidenciando a urgência de afastar essas árvores do contato humano direto para garantir o futuro sustentável da floresta.

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