
A cápsula Orion da missão Artemis 2 abriu com sucesso seus quatro painéis solares nesta quinta-feira, 1º de abril de 2026, logo após entrar em órbita terrestre, marcando o início prático de uma jornada histórica de dez dias ao redor da Lua. A missão faz parte de um programa de exploração internacional do qual o Brasil é signatário por meio dos Acordos Artemis, firmados em 2021 com a agência espacial norte-americana. O procedimento ocorreu após o lançamento do foguete Space Launch System (SLS) pelo Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
De acordo com informações do Olhar Digital, a tripulação e o controle de missão da NASA confirmaram o desdobramento seguro do equipamento, que garantirá a energia necessária para o restante da viagem espacial.
Como funcionam os painéis solares da espaçonave Orion?
O equipamento, tecnicamente conhecido pela sigla SAW (arranjos de asa solar), foi fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA). Dispostos em uma configuração semelhante a uma asa em formato de X, os painéis são vitais para a navegação e o funcionamento interno do Módulo de Serviço Europeu. Juntos, os quatro módulos geram mais de 11 quilowatts de energia, quantidade considerada suficiente para abastecer integralmente duas residências de porte médio aqui na Terra.
O comandante Reid Wiseman foi o responsável por comunicar ao controle central o momento exato e bem-sucedido da abertura das estruturas no espaço profundo.
Nós vemos quatro SAWs implantados e travados.
Quais foram as primeiras manobras orbitais após o lançamento?
Com a capacidade energética assegurada, a espaçonave Orion executou uma manobra crucial de elevação do perigeu. Essa queima de motores ajustou com precisão a órbita da cápsula para uma trajetória elíptica que agora oscila entre 185 quilômetros, no ponto mais próximo de nosso planeta, e 2.222 quilômetros no ponto mais distante.
O lançamento da missão ocorreu às 19h35 (horário de Brasília), a partir da plataforma LC-39B. O foguete, impulsionado por propulsores laterais de cinco segmentos e motores RS-25 de combustível líquido, passou por diversas etapas críticas nos primeiros minutos de voo:
- Atingimento da pressão dinâmica máxima aproximadamente 70 segundos após a decolagem, marcando o ponto de maior esforço estrutural.
- Desprendimento do sistema de aborto da Orion cerca de um minuto após a queda do propulsor sólido, revelando a nave ao vácuo.
- Separação do estágio central do foguete sete minutos depois de deixar o solo, passando o comando para o Estágio de Propulsão Criogênico Intermediário (ICPS).
- Entrada bem-sucedida na órbita terrestre baixa em cerca de 20 minutos após o lançamento.
Qual é o próximo passo da tripulação na missão?
A previsão inicial é que a cápsula Orion complete duas voltas inteiras ao redor da Terra. Durante esta fase de estabilização na órbita baixa, os quatro astronautas a bordo realizam uma bateria completa e rigorosa de checagens de todos os sistemas da nave. O principal objetivo é confirmar o funcionamento perfeito dos motores, da comunicação e dos equipamentos vitais de suporte à vida antes de prosseguir com a viagem.
Engenheiros e controladores acompanham cada dado de telemetria em tempo real. Após a confirmação definitiva de que todos os sistemas estão estáveis, a equipe executará a queima de Injeção Translunar (TLI). Este é o momento exato em que a nave sairá da órbita terrestre e será colocada na rota direta para a Lua. Embora não inclua um pouso na superfície, a missão estabelecerá um novo recorde de distância alcançada por seres humanos, preparando o terreno para o retorno da humanidade à exploração contínua do satélite natural.