Arrendamento de fazendas por empresas de cana-de-açúcar está promovendo uma concentração do uso da terra no estado de São Paulo. De acordo com informações do Envolverde, a necessidade de processar a cana em até 50 km da colheita leva as usinas a preferirem o aluguel de terras à compra, enquanto os proprietários se afastam do campo.
Por que as usinas preferem arrendar terras?
A logística de processamento da cana-de-açúcar exige que ela seja moída rapidamente após o corte, o que limita a distância dos canaviais às usinas a um raio de 50 km. Isso faz com que as usinas formem cinturões de cultivo ao seu redor, promovendo a concentração de terras. O professor José Giacomo Baccarin, da Unesp, destaca que “cerca de 60% da cana moída em São Paulo é produzida pelas próprias usinas”.
Quais são os impactos socioeconômicos?
O arrendamento de terras tem alterado o perfil dos proprietários, que agora são, em sua maioria, famílias de classe média que migraram para atividades urbanas. “Os filhos e netos dos primeiros arrendatários já não têm vocação nem capital para a agricultura”, afirma Baccarin. Isso reflete uma mudança socioeconômica significativa, com as novas gerações se afastando do campo.
Quais são os desafios futuros?
O estudo aponta que a concentração do uso da terra traz eficiência, mas também desafios econômicos, sociais e ambientais. Há preocupações com a distribuição de renda, responsabilidade ambiental em áreas arrendadas e a necessidade de políticas públicas para incentivar atividades diversificadas em pequenas propriedades. A introdução do milho como matéria-prima alternativa para etanol e a desaceleração do consumo de açúcar em países ricos podem impactar ainda mais a estrutura fundiária paulista.
- Concentração do uso da terra
- Mudança no perfil socioeconômico
- Desafios econômicos e ambientais
