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Arranha-céus em Nova York têm maior custo do mundo; Turner aciona obra

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O setor da construção civil internacional registrou movimentações significativas no primeiro trimestre de 2026, com destaque para a alta nos custos imobiliários e disputas contratuais. As flutuações no mercado externo costumam servir de termômetro para a economia brasileira, que sofre reflexos diretos nos preços de insumos importados, como aço e componentes tecnológicos. A cidade de Nova York, nos Estados Unidos, mantém a posição de local mais caro do mundo para a edificação de prédios altos. Simultaneamente, a gigante do setor Turner Construction precisou registrar uma garantia legal contra um condomínio de luxo na Carolina do Norte devido à falta de pagamentos pelas obras.

De acordo com informações do portal especializado Construction Dive, o mercado também acompanha desdobramentos de outras grandes empreitadas. Entre as principais notícias, um juiz ordenou a paralisação das obras de expansão de um salão de festas avaliado em US$ 400 milhões, pertencente ao ex-presidente americano Donald Trump. O projeto, no entanto, recebeu posteriormente uma aprovação fundamental de uma comissão responsável pelo planejamento urbano. Em outra frente de infraestrutura esportiva, os trabalhos foram iniciados em uma moderna arena da liga de basquete NBA, que abrigará a franquia Oklahoma City Thunder, com orçamento estimado em US$ 900 milhões.

Por que a Turner paralisou a obra na Carolina do Norte?

A Turner Construction, renomada empresa de construção sediada em Nova York, registrou um direito de retenção — instrumento legal semelhante a uma garantia de dívida — no valor de quase US$ 7 milhões. A medida atinge diretamente o projeto residencial Fairmont Heritage Place The Cedars, um empreendimento avaliado em US$ 180 milhões e situado na cidade de Hendersonville, na Carolina do Norte.

As equipes de trabalho da construtora interromperam totalmente as atividades no projeto multifamiliar e realizaram a retirada de um guindaste do local de obras em meados de março de 2026. O desenvolvedor do projeto, Gregg Covin, afirmou que o empreendimento imobiliário está em busca de novos financiamentos no mercado. A sua firma espera trazer a Turner de volta ao canteiro de obras assim que os recursos financeiros estiverem garantidos, descrevendo o bloqueio como uma mera formalidade jurídica.

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O porta-voz da construtora, Chris McFadden, explicou que a empresa registrou o documento legal com o objetivo exclusivo de preservar a sua capacidade de cobrar os fundos que são devidos pelas partes responsáveis.

A Turner tomou esta medida para proteger os direitos de nossa empresa e dos muitos parceiros comerciais que estiveram envolvidos na construção deste projeto.

As taxas de inadimplência no setor de edifícios multifamiliares atingiram recentemente os seus níveis mais altos desde a crise financeira global, refletindo um cenário de alerta para os investidores da área imobiliária internacional.

Quais fatores encarecem os arranha-céus em Nova York?

A cidade de Nova York permanece consolidada como a metrópole com os custos mais elevados do mundo para a construção de edifícios de grande altura. Para efeito de comparação com o cenário brasileiro, cidades como Balneário Camboriú (SC) lideram o ranking de arranha-céus no Brasil, mas operam com custos de viabilização substancialmente menores devido às diferenças de câmbio e de mão de obra. Os dados globais constam em um relatório de pesquisa elaborado pela Turner & Townsend, uma consultoria global de infraestrutura e mercado imobiliário com sede no Reino Unido.

Os valores necessários para entregar um novo edifício comercial destinado a escritórios em Nova York saltaram 30% desde o ano de 2020. O documento aponta que os principais fatores que impulsionam esse aumento expressivo incluem:

  • As altas taxas de juros no mercado financeiro global;
  • O encarecimento constante dos materiais de construção civil;
  • A escassez de mão de obra qualificada disponível no setor.

A pesquisa da consultoria revelou ainda que o formato arquitetônico de um arranha-céu é considerado tão importante quanto a sua altura no momento de determinar o custo final do projeto. Na cidade de Londres, por exemplo, pode existir uma diferença de preço de 25% entre os projetos considerados mais ambiciosos arquitetonicamente e aqueles desenhados para serem mais eficientes em termos de custos.

Esses ventos contrários na economia, combinados com as persistentes pressões causadas por tarifas comerciais, estão forçando diversos desenvolvedores a adiarem o início de novos projetos, afetando de maneira particular as novas construções comerciais planejadas para os próximos anos.

Como o governo americano investe no setor de estaleiros?

A Administração Marítima do Departamento de Transportes dos Estados Unidos, conhecida pela sigla MARAD, anunciou no início de 2026 que fará um investimento de US$ 35 milhões voltado para a revitalização de pequenos estaleiros. O movimento norte-americano ecoa discussões presentes no Brasil, onde o setor naval também busca políticas de reindustrialização para atender às demandas de exploração de petróleo offshore. Nos EUA, o montante financeiro será direcionado para três áreas principais de atuação:

  • A modernização e atualização de instalações de construção e de reparos navais;
  • A aquisição de novos equipamentos industriais de alta tecnologia;
  • A implementação de programas de treinamento e capacitação marítima.

Para serem considerados elegíveis a receber os fundos, os estaleiros precisam obrigatoriamente estar situados em uma única localização geográfica e não podem ultrapassar o limite máximo de 1.200 funcionários no setor de produção. Desde 2008, o Programa de Subsídios para Pequenos Estaleiros já concedeu 382 doações financeiras. O valor total histórico investido alcança a marca de US$ 320,5 milhões, com o objetivo de equipar os polos americanos com as ferramentas essenciais para a construção eficiente de navios.

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