Em abril de 2026, os estados do Texas e da Califórnia assumiram o protagonismo na liderança do armazenamento de energia em baterias nos Estados Unidos, dependendo da métrica utilizada na análise de dados. O avanço tecnológico e as políticas energéticas federais impulsionaram um crescimento exponencial no setor elétrico nacional, transformando a forma como o país gerencia a distribuição de eletricidade em horários de pico operacional.
De acordo com informações do Inside Climate News, o cenário nacional revela uma disputa acirrada entre os dois maiores estados americanos. Recentemente, as baterias sustentaram a rede elétrica californiana, fornecendo 43% da energia de todo o estado às 19h de um domingo, marca expressiva que representa mais que o dobro da geração obtida pela fonte secundária, o gás natural.
Segundo o analista sênior de dados Nicolas Fulghum, do centro de estudos focado em energia Ember, o feito na Califórnia estabeleceu um recorde histórico produtivo. Contudo, o estado do Texas acelerou o ritmo estrutural e assumiu a liderança nacional em capacidade total de armazenamento em fevereiro deste mesmo ano. O desenvolvimento dessas tecnologias nos EUA serve de referência para o Brasil, onde o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estuda a implementação de sistemas em larga escala para estabilizar a rede elétrica nacional diante do forte avanço das fontes intermitentes solar e eólica, especialmente na região Nordeste.
Como os estados americanos disputam a liderança em baterias?
O crescimento consolidado do mercado ficou evidente a partir de 2020, quando os sistemas atingiram a marca de mil megawatts de capacidade em escala de utilidade. Desde então, a expansão física acelerou drasticamente. No ano passado, os Estados Unidos adicionaram 18.925 megawatts em armazenamento, representando um aumento de 52% em relação ao período anterior, segundo relatório elaborado em conjunto pela Wood Mackenzie e pela associação American Clean Power Association.
Este volume total estatístico inclui tanto os grandes sistemas de utilidade pública voltados para a rede ampla, quanto as instalações menores adotadas em residências e empresas privadas. O forte avanço do mercado acompanha a redução global contínua dos preços das baterias de íon-lítio — um fator econômico que também tem viabilizado os primeiros leilões e projetos de armazenamento de energia (BESS) no mercado brasileiro — e a demanda crescente de operadores de rede em busca de recursos técnicos que funcionem em conjunto harmônico com as fontes eólica e solar.
Quais são as políticas federais que impulsionam o setor elétrico?
O setor de armazenamento de energia manteve uma vantagem política e econômica considerável sob a atual administração Trump. A lei federal aprovada no ano passado incluiu a eliminação gradual de créditos fiscais para investimentos em projetos eólicos, solares e também para a compra governamental de veículos elétricos por consumidores individuais. No entanto, a referida legislação preservou absolutamente intactos os benefícios tributários direcionados para as centrais de armazenamento de energia.
O analista de energia da firma financeira Raymond James, Pavel Molchanov, destacou publicamente a posição favorável e estratégica do governo federal sobre a adoção da tecnologia de acumulação enérgica.
“A Casa Branca não tem nenhum problema com baterias”, afirmou o especialista financeiro sobre o atual cenário de investimentos no país.
Ainda restam incertezas fundamentais sobre como o mercado americano reagirá a uma provisão específica presente na nova lei comercial que limita o uso de peças oriundas da China e outras entidades estrangeiras proibidas, visto que o país asiático é o principal fabricante e fornecedor mundial de baterias, dominando também as importações para o setor no Brasil. Molchanov avalia que a manutenção efetiva do crédito fiscal federal ajudará a contrabalançar as rígidas regras alfandegárias sobre entidades estrangeiras e tarifas protecionistas, embora ele admita que uma avaliação técnica completa ainda exija tempo de estudo.
Por que as métricas de capacidade geram resultados diferentes?
Durante o mês de fevereiro, o estado texano superou oficialmente o território californiano em capacidade bruta total. Com base nos levantamentos rigorosos da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, o estado sulista alcançou 14.984 megawatts de potência instalada, contra 14.365 megawatts apurados na infraestrutura do vizinho da Costa Oeste americana.
O tamanho e a eficiência de um sistema de armazenamento avançado podem ser medidos de duas maneiras principais na indústria:
- Megawatts de capacidade: representa de modo exato a produção máxima e instantânea de energia em qualquer momento específico da operação diária.
- Megawatts-hora: indica o volume total real de eletricidade que o sistema instalado consegue descarregar de forma contínua antes de necessitar obrigatoriamente de uma nova recarga elétrica.
Embora a liderança isolada em megawatts brutos pertença à infraestrutura do sul, a Costa Oeste ainda domina amplamente as estatísticas em megawatts-hora. Os sistemas californianos operam ativamente por cerca de três horas, tempo que totaliza o dobro da média de duração registrada nas usinas texanas. A analista Allison Feeney explica que as políticas californianas incentivam formalmente a construção de equipamentos maiores, focados em quatro horas de duração, enquanto o mercado concorrente estadual favorece picos mais curtos de transferência de energia rápida.
Qual é o futuro projetado para o armazenamento de energia?
A geografia continental também influencia profundamente as escolhas estratégicas corporativas. O vasto território texano possui recursos substanciais de vento e luz solar concentrados no centro e no oeste, capazes de gerar grandes volumes de eletricidade nos horários de pico e enviá-los, por extensas redes de transmissão, para os grandes centros populacionais fixados no leste geográfico.

