Ariranha entra em lista da ONU de espécies migratórias ameaçadas - Brasileira.News
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Ariranha entra em lista da ONU de espécies migratórias ameaçadas

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Pantanal, Brazil
Pantanal, Brazil Foto: Nathalia Segato via Unsplash — Unsplash License (livre para uso)

A ariranha foi incluída na lista da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU, medida aprovada na 15ª Conferência das Partes da CMS, encerrada no domingo, 29 de março de 2026, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A decisão abre caminho para ações internacionais de conservação da espécie, cuja população, segundo o documento que embasou a proposta, caiu 50% nos últimos 25 anos. De acordo com informações da InfoAmazônia, a perda e a fragmentação do habitat, além da poluição dos rios, estão entre as principais ameaças ao animal.

A inclusão de Pteronura brasiliensis foi aprovada no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias, também chamada de CMS, após articulação de pesquisadores e organizações ambientalistas junto aos governos signatários. A proposta partiu da França, já que a espécie também ocorre na Guiana Francesa, e recebeu apoio do Brasil e de outros países sul-americanos, sendo aprovada sem oposição no plenário.

Por que a inclusão da ariranha na CMS é relevante?

A decisão eleva o status internacional de proteção da espécie e permite o avanço de ações coordenadas entre países. Embora a ariranha não realize uma migração clássica ligada ao ciclo reprodutivo ou à alimentação sazonal, seus deslocamentos ao longo de rios da Amazônia e do Pantanal, inclusive em áreas transfronteiriças, justificam medidas conjuntas de conservação. A CMS é um tratado da ONU voltado à proteção de animais silvestres migratórios que atravessam fronteiras nacionais.

A espécie foi incluída tanto no Apêndice I quanto no Apêndice II da CMS. Segundo a estrutura da convenção, o primeiro reúne espécies em perigo ou criticamente em perigo de extinção que demandam ações rigorosas dos países-membros. Já o segundo busca incentivar a cooperação internacional para medidas de conservação.

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  • Apêndice I: ações rigorosas para espécies em perigo ou criticamente em perigo
  • Apêndice II: cooperação entre países para conservação conjunta
  • Próximo passo: negociação de um plano de ação coordenado entre os países

Esse plano de ação, de acordo com a reportagem, só poderá ser aprovado em uma próxima conferência da CMS, prevista para ocorrer na Alemanha dali a três anos.

Quais ameaças pressionam a sobrevivência da espécie?

A ariranha é a maior lontra do mundo e, no passado, sofreu com a caça indiscriminada para o comércio de peles. Hoje, a principal pressão vem da perda e da fragmentação de habitats, além da poluição dos rios. Estudos citados no documento da proposta também indicam que o tamanho dos indivíduos está menor, o que sugeriria redução na taxa de sobrevivência dos filhotes.

As pesquisas mencionadas ainda apontam que a tendência de queda populacional pode continuar nas próximas décadas, com base em projeções climáticas como a redução das chuvas associada às mudanças climáticas. Atualmente, populações da espécie estão restritas à Amazônia e ao Pantanal, dois dos principais biomas de água doce do país, embora sua distribuição já tenha alcançado bacias de quase toda a América do Sul.

“Costumamos dizer que a ariranha é a sentinela dos rios, pois sua presença significa a saúde dos ecossistemas”, diz a bióloga Caroline Leuchtenberger, criadora do Projeto Ariranhas e coordenadora do grupo de lontras da IUCN.

Por ocupar o topo da cadeia alimentar e se alimentar de peixes, a ariranha é apontada como indicadora do equilíbrio ecológico dos rios. Seu único predador citado na reportagem é a onça-pintada. A conservação da espécie, segundo os pesquisadores envolvidos, também pode beneficiar outros animais que dependem da integridade desses ambientes aquáticos.

Quais são os desafios para ampliar a conservação?

Um dos principais desafios citados é o trabalho com comunidades que vivem próximas ao habitat da ariranha. O Projeto Ariranha monitora redes sociais para compreender a percepção sobre a espécie e aponta que ainda persiste a imagem de um animal agressivo. A convivência entre humanos e ariranhas, segundo Caroline Leuchtenberger, ainda está longe de ser harmoniosa em várias áreas da Amazônia e do Pantanal.

A espécie também é vista como competidora por pescadores, o que dificulta estratégias de proteção. A pesquisadora ressalta ainda que a ariranha é um animal de presença marcante e facilmente notado quando está por perto, o que contribui para conflitos em áreas ocupadas por populações humanas.

“Todas as outras espécies que dependem da integridade destes rios vão se beneficiar de um maior esforço de conservação das ariranhas”, enfatiza a pesquisadora.

A aprovação da proposta na CMS, portanto, representa um passo político e ambiental para ampliar a cooperação internacional em torno da proteção da espécie e dos ecossistemas de água doce dos quais ela depende.

“A inclusão da ariranha tanto no Apêndice I quanto no Apêndice II da CMS enviará um sinal claro de que é necessária uma ação internacional urgente e coordenada para conservar essa espécie e os ecossistemas de água doce dos quais ela depende”, afirmou Susan Lieberman, vice-presidente de Política Internacional da Wildlife Conservation Society.

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