A aprovação global à liderança da China superou a dos Estados Unidos no ano de 2025, estabelecendo a maior diferença histórica já registrada entre as duas nações em quase 20 anos. O cenário de inversão nas percepções internacionais foi revelado na sexta-feira, dia 3 de abril de 2026, por meio de uma pesquisa conduzida pela empresa americana de análise e consultoria Gallup. O estudo, que consultou moradores em mais de 130 países, evidencia não apenas o avanço da influência de Pequim, mas também uma queda acentuada na imagem de Washington, especialmente entre seus aliados tradicionais.
De acordo com informações do Brasil 247, que também cita dados divulgados pela CNN Brasil, e levantamentos detalhados pelo Poder360, os números refletem uma mudança gradual e consolidada na forma como as populações globais avaliam a atuação das maiores potências mundiais na atualidade.
Como se configuram os novos índices de aprovação global?
A pesquisa realizada pela Gallup demonstrou uma inversão significativa na tendência histórica de aprovação global. O levantamento mede essas percepções ao perguntar diretamente aos moradores dos países pesquisados como eles avaliam a atuação de quatro nações principais e suas lideranças: Estados Unidos, China, Rússia e Alemanha.
No balanço geral do ano de 2025, a mediana de aprovação do governo de Pequim atingiu 36%. Esse resultado representa um avanço de quatro pontos percentuais em relação ao ano de 2024, quando a aprovação chinesa estava estacionada na marca de 32%. Por outro lado, a avaliação positiva de Washington recuou de forma drástica para 31%, sofrendo uma queda acentuada de oito pontos percentuais na comparação com os 39% que haviam sido registrados no ano anterior.
“A diferença de cinco pontos percentuais entre os dois países representa a maior já registrada desde o início da série histórica, em 2005.”
Para compreender a magnitude dessa mudança no cenário geopolítico internacional, é preciso observar os dados consolidados e os percentuais apresentados pelo estudo de maneira detalhada:
- A aprovação da China subiu de 32% para 36% no intervalo de um ano.
- A aprovação dos Estados Unidos caiu de 39% para 31% no mesmo período.
- A distância de cinco pontos percentuais entre os dois países é a maior registrada em quase duas décadas de pesquisas.
- A rejeição global à liderança dos Estados Unidos atingiu 48%, marcando o maior nível de toda a série histórica.
- A rejeição à liderança da China, em contrapartida, ficou estabelecida em 37%.
- A Alemanha, comparativamente, apareceu com a maior aprovação mediana geral no ano de 2025, registrando 48%.
O que explica a queda de popularidade dos Estados Unidos?
A perda de espaço e de prestígio dos Estados Unidos no cenário global foi um fenômeno disseminado em diversas regiões do planeta. Entre o ano de 2024 e o ano de 2025, a aprovação norte-americana despencou dez pontos percentuais ou mais em um total de 44 países. Em contrapartida, a avaliação positiva subiu nessa mesma magnitude em apenas sete nações avaliadas pelos pesquisadores.
Um dos dados mais expressivos revelados pelo levantamento da Gallup é que as maiores quedas de aprovação se concentraram justamente entre os aliados tradicionais de Washington. Isso inclui diversas nações parceiras que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), bloco militar liderado pelos norte-americanos.
Nesse contexto de declínio acelerado entre parceiros históricos, a Alemanha liderou a retração global da imagem norte-americana. No território alemão, a aprovação da liderança dos Estados Unidos sofreu uma queda brutal de 39 pontos, evidenciando um desgaste severo nas relações e na percepção pública europeia em relação às políticas adotadas internacionalmente pela Casa Branca.
Qual é o impacto das diferentes lideranças políticas na pesquisa?
A análise da série histórica da Gallup indica que a imagem internacional dos Estados Unidos possui uma variação direta conforme as trocas de governo e de presidentes. Os dados mostram que ocorrem quedas consistentes de aprovação durante os períodos em que Donald Trump, representante do Partido Republicano, ocupa a presidência da república. Em contraste absoluto com esse cenário, a pesquisa registrou altas na avaliação positiva durante o início do mandato de Barack Obama, representante do Partido Democrata.
A situação política e a avaliação da China apresentam uma dinâmica global completamente distinta da polarização norte-americana. Sob o comando ininterrupto de Xi Jinping, líder do Partido Comunista Chinês (PCCh) desde o ano de 2013, o país asiático apresenta uma trajetória muito mais estável e constante nas pesquisas de opinião global ao longo da última década.
Essa estabilidade contínua por parte de Pequim, aliada à recente oscilação negativa e profunda nos números norte-americanos, foi o fator matemático e político determinante para que a China ultrapassasse os Estados Unidos na disputa pela aprovação da comunidade internacional. A consolidação desse distanciamento histórico reflete não apenas o desgaste momentâneo da imagem diplomática dos Estados Unidos entre seus próprios parceiros, mas também a consolidação da influência exercida pelo governo chinês nos últimos anos. Para o Brasil, essa movimentação geopolítica é particularmente relevante, uma vez que a política externa nacional precisa equilibrar interesses constantes entre a China, que assumiu o posto de maior parceiro comercial do país desde 2009, e os Estados Unidos, aliado histórico e segunda principal força nas trocas comerciais brasileiras.