
Um grupo de profissionais da área da saúde e tecnologia de Goiânia, capital de Goiás e um polo crescente de inovação na região Centro-Oeste, desenvolveu um aplicativo de saúde infantil equipado com inteligência artificial para orientar pais e cuidadores sobre a primeira infância. A plataforma, batizada de Mamãe Pingo, demandou quase sete anos de criação e, segundo dados de abril de 2026, gera um faturamento médio mensal de R$ 27 mil para a startup goiana.
De acordo com informações do G1, o projeto foi idealizado pela odontopediatra Luciane Costa e pelo pediatra Paulo Sucasas, em parceria com uma psicóloga, um engenheiro e a cientista da computação Nádia Félix. O objetivo principal da ferramenta digital é fornecer informações confiáveis sobre o desenvolvimento neuropsicomotor de crianças desde o nascimento até os seis anos de idade — período classificado no Brasil pelo Marco Legal da Primeira Infância como crucial para a formação cognitiva e social. A inspiração para o negócio nasceu da vivência clínica diária dos fundadores, que rotineiramente lidavam com a angústia de famílias em consultas regulares. Segundo a odontopediatra, o cuidado infantil se assemelha a uma orquestra, onde o desenvolvimento pode ser afetado se algum elemento desafinar.
Como funciona a inteligência artificial do aplicativo?
O sistema central da ferramenta é um chat alimentado por inteligência artificial, disponível 24 horas por dia, projetado para responder a dúvidas cotidianas sobre a saúde dos bebês e crianças. O grande diferencial tecnológico em relação a outras plataformas genéricas é a curadoria do conteúdo, que passa pela revisão constante de uma equipe composta por cerca de 24 especialistas médicos.
A validação técnica garante que as respostas sigam protocolos pediátricos rigorosos antes de chegarem aos usuários finais, proporcionando também o acesso a artigos e vídeos educativos validados por profissionais da saúde.
“Nós testamos diversas tecnologias de inteligência artificial, mas a maioria foi criada para propósitos gerais. O nosso propósito é muito específico: parentalidade e domínio médico”, explica Nádia Félix, sócia e cientista responsável pela arquitetura do sistema.
Quais são os custos e o modelo de negócios da startup?
Para tirar a ideia do papel, os sócios realizaram um aporte inicial de R$ 82 mil, recurso direcionado fundamentalmente para a estruturação tecnológica e o desenvolvimento do software. Além do investimento próprio, a empresa contou com o suporte de editais de fomento e programas regionais voltados para o incentivo à inovação tecnológica ao longo do período de incubação.
Em abril de 2026, o negócio operava sob o modelo freemium, no qual os usuários podem acessar funcionalidades básicas de forma gratuita ou optar por assinaturas para serviços avançados. A estrutura de monetização oferece as seguintes opções de mercado:
- Plano essencial faturado por R$ 25 ao mês.
- Plano comunidade faturado por R$ 30 ao mês.
Com essa estratégia de mercado e o impulsionamento via boca a boca, a startup já ultrapassou a marca de dois mil downloads registrados. A base de clientes ativos é dividida de forma equilibrada: metade do público é formada por mães e cuidadores diretos, enquanto os outros 50% são profissionais da área da saúde que utilizam o sistema como um apoio técnico adicional.
Qual é o impacto prático para as famílias e clínicas médicas?
A agilidade na obtenção de respostas qualificadas tem se mostrado um fator de alívio para os responsáveis durante emergências menores ou momentos de incerteza clínica em casa. Um exemplo prático foi relatado pela usuária Larissa Arbués Carneiro, que utilizou o assistente virtual após uma queda de seu filho da cama, recebendo instruções exatas sobre quais sinais vitais observar e o momento adequado para buscar um pronto-socorro físico.
Apesar da facilidade digital, os fundadores ressaltam enfaticamente que o sistema não possui caráter de diagnóstico e não exclui, em nenhuma hipótese, a necessidade de consultas médicas presenciais, respeitando as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), que vedam diagnósticos realizados exclusivamente por inteligência artificial.
“Como pediatra, vejo que o aplicativo cria uma oportunidade para que pais e cuidadores tenham acesso a orientações importantes”, afirma Paulo Sucasas.
“É uma forma de devolver às mães e às famílias alguns dos privilégios e aprendizados que tive ao longo da vida”, complementa Luciane Costa sobre a missão social da plataforma. O próximo passo da expansão comercial é oferecer o software diretamente para consultórios particulares, permitindo que médicos acompanhem o progresso de seus próprios pacientes por meio do ecossistema integrado.

