O antissemitismo no Brasil teve 989 denúncias de atos de ódio contra judeus em 2025, segundo o Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, divulgado nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, em São Paulo, pela Confederação Israelita do Brasil (Conib). De acordo com informações da Agência Brasil, o documento aponta que, embora o total seja menor do que o registrado em 2024, os dados indicam a permanência do ódio antijudaico no país, especialmente em plataformas digitais.
O relatório informa que o número de 2025 ficou abaixo dos 1.788 casos contabilizados em 2024, mas superou em 149% o registrado em 2022, quando houve 397 denúncias. Para a entidade, essa comparação mostra que o fenômeno não recuou ao patamar anterior à escalada recente e continua presente no ambiente brasileiro.
O que o relatório da Conib mostra sobre os casos em 2025?
Segundo o documento, dos 989 casos registrados ao longo de 2025, 800, o equivalente a 80,8%, ocorreram em plataformas digitais. Entre os ambientes online citados no levantamento, o Instagram concentrou 37,1% das denúncias, seguido por Twitter/X, com 13,9%, e Facebook, com 11,6%.
O levantamento também identificou 115.970 manifestações classificadas como antissemitas na internet em 2025 com uso de inteligência artificial. De acordo com o relatório, o alcance potencial desse conteúdo chegou a 66 milhões de pessoas, o que representa mais de um terço da população adulta brasileira.
- 989 denúncias de atos de ódio contra judeus em 2025
- 1.788 casos contabilizados em 2024
- 397 registros em 2022
- 800 ocorrências em plataformas digitais
- 115.970 manifestações antissemitas identificadas na internet
- Alcance potencial de 66 milhões de pessoas
Por que a entidade considera o cenário preocupante?
A avaliação da Conib é que a redução em relação a 2024 não elimina a gravidade do quadro. No texto do relatório, a entidade afirma que a leitura imediata dos números pode ocultar um aspecto considerado mais preocupante: a continuidade do problema.
“A leitura imediata esconde um dado que especialistas chamam de mais preocupante do que a própria escalada: a permanência. Em relação ao período que antecedeu o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, o ódio antijudaico não recuou, ele se instalou”.
Ao destacar esse ponto, o documento sustenta que o antissemitismo segue ativo mesmo após a diminuição do volume total de denúncias na comparação anual. A ênfase recai sobre a manutenção de um patamar elevado de registros em relação aos anos anteriores.
Como o documento relaciona antissemitismo e democracia?
O relatório também associa o avanço do antissemitismo a riscos mais amplos para a vida democrática. Segundo o texto, esse tipo de manifestação não afeta apenas a comunidade judaica, mas pode sinalizar processos mais amplos de intolerância e enfraquecimento institucional.
“O antissemitismo não é um problema restrito à comunidade judaica. Historicamente, ele antecipa processos de erosão democrática, naturalização da violência simbólica e enfraquecimento do estado de direito. Onde ele avança, outras formas de intolerância e autoritarismo tendem a se seguir”.
Com essa análise, o documento insere os dados de 2025 em um contexto mais amplo de direitos humanos e de debate público sobre violência simbólica, circulação de discurso de ódio e impacto das redes sociais. A Conib, que representa institucionalmente comunidades judaicas brasileiras, reúne no relatório números sobre denúncias formais e também sobre a disseminação de conteúdos antissemitas na internet ao longo do ano.

