A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, encerra seu mandato em 29 de março de 2026, após doze anos à frente da capital francesa, período marcado por uma profunda reconfiguração do espaço urbano em favor de pedestres, ciclistas e áreas verdes. Durante sua gestão, centenas de ruas foram fechadas ao tráfego de automóveis, veículos foram banidos das margens do rio Sena e mais de 130 mil árvores foram plantadas. De acordo com informações do G1 Mundo, a estratégia visava combater a poluição e adaptar a cidade às mudanças climáticas. O debate sobre mobilidade urbana e redução do espaço dedicado aos carros também ganhou força em metrópoles brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, embora em contextos urbanos e de transporte público distintos do parisiense.
Hidalgo será sucedida por Emmanuel Grégoire, seu aliado do Partido Socialista (PS), eleito no último dia 22. Sua administração adotou medidas como a redução do limite de velocidade para 30 km/h em toda a cidade, o aumento do custo de estacionamento para SUVs — chegando a 18 euros por hora no centro — e a expansão agressiva da rede de ciclovias, especialmente durante a pandemia.
Como Paris reduziu a poluição com novos modais de transporte?
A transformação do transporte foi central na política ambiental de Hidalgo. Desde 2015, o tráfego de carros caiu pela metade, com mais de duzentas ruas totalmente interditadas a veículos. A meta é chegar a quinhentas vias exclusivas para pedestres — ou seja, uma em cada dez ruas da cidade. As margens do rio Sena, antes ocupadas por vias expressas, tornaram-se áreas de lazer livres de carros. Para o público brasileiro, experiências desse tipo costumam ser acompanhadas de perto por urbanistas e gestores públicos porque envolvem temas também presentes nas capitais do país, como poluição do ar, segurança viária e redistribuição do espaço urbano.
“As margens do Sena devem se tornar um símbolo de uma cidade humana, onde as pessoas caminham, andam de bicicleta e passeiam, sem a poluição e o ruído do tráfego de carros”
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Segundo dados da prefeitura, entre 2012 e 2022, as emissões de dióxido de carbono caíram 35%, o material particulado fino foi reduzido em 28% e a poluição por dióxido de nitrogênio diminuiu 40%. O uso de bicicletas mais que triplicou no mesmo período.
O que é a “cidade de 15 minutos” e como foi aplicada em Paris?
Em 2015, Hidalgo trouxe o urbanista Carlos Moreno para assessorá-la na implementação do conceito de “cidade de 15 minutos”, segundo o qual todos os moradores devem ter acesso a trabalho, escola, saúde, lazer e comércio em até quinze minutos a pé ou de bicicleta. A ideia, inspirada em pensadores como Jane Jacobs e Jan Gehl, exigiu não só mudanças no transporte, mas também incentivos a empreendimentos de uso misto — como prédios com comércio no térreo, já comuns na capital francesa. No Brasil, conceitos semelhantes aparecem em discussões sobre adensamento urbano, bairros mais caminháveis e ocupação mista, temas recorrentes em planos diretores de grandes cidades.
A iniciativa gerou críticas. Pierre Chasseray, líder do grupo 40 Milhões de Motoristas, acusou Hidalgo de criar um “Muro de Berlim” entre o centro rico e os subúrbios, cujos habitantes dependem de automóveis. Além disso, redes sociais viralizaram a hashtag #saccageParis, denunciando obras intermináveis e acúmulo de lixo nas calçadas. A dívida municipal também cresceu 42% desde 2020, atingindo cerca de 10 bilhões de euros — algo que seu sucessor atribuiu à “ambição excessiva” da gestão.


