A Delta Air Lines confirmou nesta terça-feira, 31 de março de 2026, um novo acordo estratégico focado em aprimorar a conectividade de banda larga a bordo. De acordo com informações do Teletime, a companhia aérea dos Estados Unidos selecionou a operadora Amazon Leo (referência à constelação de baixa órbita do Projeto Kuiper) para fornecer internet via satélite em 500 de suas aeronaves a partir do ano de 2028. A medida visa expandir os serviços digitais oferecidos aos passageiros em rotas domésticas e internacionais da empresa, beneficiando inclusive brasileiros que utilizam os voos diretos da Delta conectando cidades como São Paulo e Rio de Janeiro aos EUA.
Essa quantidade de aviões que receberá as novas antenas representa quase 40% de toda a frota operada atualmente pela companhia de aviação. A iniciativa faz parte de um plano de modernização tecnológica das cabines, buscando atender à crescente demanda do público por conexão ininterrupta e de alta velocidade durante os voos comerciais longos e curtos.
Como funcionará a tecnologia da Amazon Leo nos aviões?
Cada avião da frota contemplada será equipado com uma antena de matriz faseada única. Essa configuração de hardware permite, pelo menos na teoria estipulada pelas empresas, que as aeronaves alcancem velocidades de downlink de até 1 Gbps e velocidades de uplink de até 400 Mbps em pleno funcionamento no ar.
Tais requisitos técnicos são essenciais para viabilizar atividades que exigem grande largura de banda de dados móveis. Entre as principais possibilidades abertas para os passageiros estão:
- Streaming de vídeo em alta resolução;
- Envio e recebimento de arquivos pesados;
- Comunicação em tempo real ininterrupta durante o voo;
- Navegação estável contínua em rotas domésticas e internacionais.
Qual o papel da AWS na nova parceria comercial?
O novo vínculo comercial entre as partes não se restringe apenas à oferta de internet no espaço aéreo. A parceria também engloba a expansão do relacionamento já existente da aviação com a Amazon Web Services (AWS), braço de tecnologia em nuvem da mesma corporação.
Os planos da companhia preveem a integração de uma série de inovações para otimizar a experiência de quem viaja. A expectativa principal é incorporar serviços avançados de computação em nuvem, ferramentas de inteligência artificial (IA) e outras soluções tecnológicas ao longo de toda a jornada do passageiro.
Sobre o avanço tecnológico promovido pelo contrato inédito, o CEO da Delta Air Lines, Ed Bastian, destacou os benefícios econômicos e de desempenho para a corporação.
“Este acordo nos proporciona a tecnologia mais rápida e econômica disponível hoje”, afirmou o executivo principal em um comunicado oficial distribuído para a imprensa.
Por que o contrato é crucial para a estratégia da Amazon?
A negociação com a companhia aérea representa um marco fundamental para o crescimento da divisão espacial da corporação no competitivo segmento B2B, focado no fornecimento direto entre empresas. Atualmente, esse mercado bilionário de fornecimento de internet banda larga em pleno voo é amplamente dominado pela rede Starlink, da SpaceX. No Brasil, a Starlink já possui forte presença fornecendo conexão via satélite para o varejo e o agronegócio, o que indica que o avanço da Amazon acirrará a concorrência global e, futuramente, no mercado nacional.
A companhia responsável pela futura constelação massiva de satélites já havia registrado uma movimentação comercial importante no ano passado. A divisão espacial fechou o seu primeiro grande contrato de conectividade aérea com outra gigante norte-americana, a empresa JetBlue, mostrando um avanço consistente na área.
Quais são os próximos passos para a constelação de satélites?
Para que a infraestrutura esteja totalmente pronta até 2028, a companhia espacial precisará acelerar bastante os seus lançamentos orbitais. Até o momento desta divulgação, o projeto complexo já enviou mais de 200 satélites de comunicação para o espaço sideral.
No entanto, a rede inicial planejada para fornecer cobertura global exige a execução de mais de 100 missões complementares em curto espaço de tempo. O objetivo final do projeto audacioso é estabelecer uma constelação totalmente operacional composta por 3.236 artefatos de comunicação alocados em órbita baixa da Terra.
Recentemente, logo no começo deste ano, a futura provedora de banda larga precisou lidar com trâmites regulatórios severos. A empresa solicitou de forma oficial à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) uma extensão do prazo limite estipulado para a implantação da primeira metade de todos os seus satélites da rede.



