A Amazon está desenvolvendo um novo smartphone, mais de uma década após o fracasso do Fire Phone, lançado em 2014 e descontinuado pouco depois. Segundo a reportagem, o projeto, conhecido internamente como Transformer, é conduzido na unidade de dispositivos e serviços da empresa e busca criar um aparelho integrado à Alexa e aos serviços da companhia. A apuração foi publicada em 24 de março de 2026, em San Francisco, e aponta que a iniciativa faz parte de uma tentativa de ampliar a presença da Amazon na rotina dos consumidores por meio de um dispositivo móvel.
De acordo com informações da UOL Notícias, com reportagem de Greg Bensinger, da Reuters, o novo telefone é visto internamente como um canal para sincronizar a assistente de voz Alexa com atividades do dia a dia e reforçar a conexão dos usuários com o ecossistema da empresa. Um porta-voz da Amazon se recusou a comentar a reportagem.
O que a Amazon pretende com o novo smartphone?
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters, o aparelho está sendo pensado como um dispositivo capaz de facilitar compras na Amazon, consumo de conteúdo no Prime Video, audição no Prime Music e pedidos de comida por parceiros como o Grubhub. As fontes afirmaram ainda que o projeto tem foco em personalização e em recursos de inteligência artificial.
A iniciativa também é descrita como mais um capítulo de uma visão antiga de Jeff Bezos de tornar a computação por voz mais presente no cotidiano. A reportagem informa que a Amazon vê a Alexa como peça central de sua estratégia para serviços voltados ao consumidor, especialmente após a reformulação da assistente e seu relançamento em 2025.
Quais são as incertezas sobre o projeto Transformer?
A Reuters afirma que não foi possível determinar detalhes como preço estimado, expectativa de receita ou o volume de recursos financeiros já comprometidos com o desenvolvimento. O cronograma também permanece indefinido, e as fontes alertaram que o projeto pode ser cancelado caso a estratégia da empresa mude ou surjam preocupações financeiras.
As mesmas fontes disseram que a Amazon ainda não buscou parceiros de telefonia móvel para o dispositivo. Três pessoas que trabalharam no projeto afirmaram que o telefone segue em desenvolvimento e que a empresa avaliou tanto um smartphone tradicional quanto um modelo com recursos mais limitados, descrito como um dumbphone.
Como a inteligência artificial entra nessa estratégia?
De acordo com as fontes citadas pela reportagem, um dos focos centrais do novo telefone é integrar capacidades de IA ao aparelho, em uma proposta que poderia reduzir a dependência de lojas tradicionais de aplicativos. A Alexa tende a ocupar papel importante nessa experiência, embora, segundo os relatos, não necessariamente como sistema operacional principal do dispositivo.
O movimento acontece em um momento em que outras empresas também buscam produtos nativos de IA. A reportagem cita iniciativas da OpenAI com Jony Ive, além de projetos de Apple, Google e Meta envolvendo óculos, relógios e fones de ouvido com inteligência artificial. Ainda assim, a própria matéria ressalta que esse segmento recente de hardware com IA nativa já acumulou fracassos, como o broche Humane AI e o Rabbit R1.
“A Amazon pode ter uma oportunidade”, escreveu Francisco Jeronimo, vice-presidente de dados e análises da International Data Corporation, em nota citada pela reportagem.
“a janela de oportunidade é minúscula”, escreveu ele. “Todos os grandes players estão se movendo na mesma direção.”
Por que o histórico do Fire Phone pesa nessa nova tentativa?
O Fire Phone foi a primeira investida da Amazon no mercado de smartphones. Lançado em 2014, o aparelho trazia recursos como uma ferramenta de compras por câmera, mas enfrentou dificuldades por não oferecer aplicativos populares presentes nas lojas de Android e iOS. A reportagem também relembra que o sistema de múltiplas câmeras voltado à exibição de imagens em 3D consumia muita bateria e causava superaquecimento frequente.
Mesmo com um ano gratuito de Amazon Prime incluído, o aparelho teve vendas fracas. Segundo a reportagem, a Amazon reduziu o preço de US$ 649 para US$ 159 e encerrou o produto após 14 meses, assumindo um prejuízo de US$ 170 milhões em estoque não vendido.
- Projeto atual conhecido internamente como Transformer
- Desenvolvimento ocorre na unidade de dispositivos e serviços da Amazon
- Foco em integração com Alexa e recursos de IA
- Cronograma e preço ainda não foram divulgados
- Projeto pode ser alterado ou cancelado
Quem lidera a nova ofensiva da Amazon em dispositivos?
A reportagem informa que a ordem para o grupo responsável pelo novo smartphone é criar gadgets revolucionários. O ZeroOne é liderado por J Allard, ex-executivo da Microsoft ligado a produtos como Zune e Xbox. Já Panos Panay, chefe da unidade de dispositivos e serviços da Amazon, trabalha para reverter anos de falta de lucratividade no setor.
Nesse contexto, o novo smartphone aparece como parte de uma estratégia mais ampla da empresa para reposicionar sua divisão de hardware e ampliar o uso de IA entre clientes. A Amazon, no entanto, volta a enfrentar concorrentes consolidados: segundo dados citados da Counterpoint Research, Apple e Samsung responderam juntas por cerca de 40% das vendas globais de smartphones no ano passado.
A matéria também informa que a empresa estudou formatos alternativos inspirados em aparelhos minimalistas, como o Light Phone.
