Dois cientistas brasileiros foram premiados internacionalmente por pesquisas sobre Alzheimer que buscam ampliar o diagnóstico precoce e a prevenção da doença. Mychael Lourenço, da UFRJ, e Wagner Brum, da UFRGS, receberam reconhecimentos recentes por estudos desenvolvidos no Brasil, segundo reportagem publicada em 22 de março de 2026, no Rio de Janeiro. As investigações se concentram em entender melhor o desenvolvimento da enfermidade e em tornar mais acessível sua identificação antes do avanço dos sintomas.
De acordo com informações da Agência Brasil, Lourenço foi contemplado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, enquanto Brum recebeu o prêmio Next “One to Watch”, da Alzheimer’s Association. A UFRJ é a Universidade Federal do Rio de Janeiro, e a UFRGS é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, duas instituições públicas de referência em pesquisa no país. A doença é considerada um dos maiores desafios da medicina, porque ainda há poucos tratamentos capazes de retardar sua evolução e nenhuma cura foi encontrada.
Quem são os pesquisadores premiados e por que seus estudos chamaram atenção?
Mychael Lourenço, professor da UFRJ, dedica sua trajetória acadêmica ao estudo do Alzheimer desde a graduação em Biologia. Hoje, ele lidera o Lourenço Lab, grupo voltado à pesquisa sobre demências. Seu trabalho busca compreender por que algumas pessoas desenvolvem alterações cerebrais associadas à doença sem apresentar sintomas cognitivos, além de investigar mecanismos de resiliência cerebral.
“Nós precisamos de dados para entender a doença no Brasil”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Entre as frentes do laboratório, está o estudo de substâncias testadas em animais para evitar o acúmulo de beta-amiloide e tau, proteínas envolvidas na doença. Lourenço também coordena uma pesquisa voltada à identificação de biomarcadores no sangue, com foco em verificar se marcadores observados em outros países também se aplicam à população brasileira.
Como o diagnóstico precoce aparece no centro dessas pesquisas?
Uma das principais apostas é detectar a doença antes que os sintomas se tornem evidentes. Segundo o pesquisador da UFRJ, o Alzheimer começa a se desenvolver muito antes das manifestações clínicas mais conhecidas, como a perda de memória recente. Por isso, identificar essa janela precoce pode abrir espaço para intervenções antes de danos mais severos ao cérebro.
“A doença de Alzheimer não aparece quando os sintomas aparecem: ela começa a se desenvolver muito tempo antes.”
Wagner Brum, pesquisador da UFRGS e integrante do Zimmer Lab, também ganhou destaque justamente nessa área. Seu trabalho de maior projeção foi o desenvolvimento de protocolos para a implementação clínica de um exame de sangue que diagnostica Alzheimer a partir da proteína p-tau217, um dos principais biomarcadores da doença.
O que muda com o protocolo desenvolvido por Wagner Brum?
De acordo com a reportagem, o exame já havia demonstrado precisão em pesquisas, mas ainda exigia padrões de leitura que permitissem sua adoção na rotina diagnóstica. O protocolo elaborado por Brum buscou justamente aumentar a confiabilidade da interpretação dos resultados, especialmente nos casos que ficam em uma faixa intermediária e ainda exigem avaliação complementar.
“Em pacientes com medição muito alta ou muito baixa, claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou não a doença. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermediária, e esses precisam de um exame adicional”
Segundo Brum, esse protocolo já vem sendo utilizado por laboratórios na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, porém, a tecnologia ainda está restrita a poucos laboratórios privados. O Sistema Único de Saúde (SUS), citado pelo pesquisador, é a rede pública de saúde do país e atende a maior parte da população brasileira. O objetivo do grupo de pesquisa é ampliar as evidências para que esse tipo de exame possa, no futuro, ser incorporado ao SUS.
Quais são os desafios para levar esses avanços ao SUS?
O pesquisador da UFRGS afirmou que a adoção do exame no SUS depende de estudos que comprovem melhora na confiança diagnóstica e impacto sobre a condução do tratamento. Testes com essa finalidade já estão em andamento no Rio Grande do Sul e, segundo a reportagem, depois devem ser expandidos para outras cidades do país.
Hoje, em 22 de março de 2026, o diagnóstico do Alzheimer é feito principalmente pela avaliação clínica dos sintomas, com apoio de exames como tomografia e ressonância, que ajudam a identificar atrofias cerebrais, mas não são específicos para a doença. Nesse contexto, os estudos conduzidos por pesquisadores brasileiros reforçam duas frentes centrais:
- compreender melhor como a doença se desenvolve;
- identificar biomarcadores confiáveis no sangue;
- ampliar o diagnóstico precoce;
- criar condições para futura aplicação em larga escala.
Ao reconhecer os trabalhos de Mychael Lourenço e Wagner Brum, as premiações destacam a participação de laboratórios brasileiros em uma área considerada estratégica para a saúde pública, sobretudo diante do envelhecimento da população e da necessidade de dados mais consistentes sobre o Alzheimer no país.



