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Águas do Cerrado perdem vazão em 88% das bacias, alertam entidades no DF

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Vista aérea de um rio com leito seco e margens expostas, mostrando vegetação rasteira e solo rachado sob sol forte.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março de 2026, entidades socioambientais alertaram, em Brasília, para a redução da disponibilidade hídrica no Cerrado, bioma considerado estratégico para o abastecimento de grandes bacias do país. A mobilização ocorreu no Eixão do Lazer, no Distrito Federal, com debates sobre a importância do bioma para a segurança hídrica regional e nacional. De acordo com informações da Agência Brasil, os alertas se apoiam em pesquisas e em dados de instituições públicas e acadêmicas que apontam perda de vazão, desmatamento e pressão crescente sobre mananciais.

Entre os dados apresentados pelos organizadores está uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) indicando que 88% das bacias hidrográficas analisadas, todas localizadas no Cerrado, registraram redução de vazão entre 1985 e 2022. Segundo o levantamento, a queda está associada principalmente ao desmatamento e às mudanças no uso da terra. O estudo ainda estima perda de até 35% das reservas de água do bioma até 2050, enquanto dados do MapBiomas mostram que mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi desmatada.

O que explica o alerta sobre a água no Cerrado?

As entidades também destacaram os impactos da expansão agropecuária sobre os recursos hídricos. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), órgão federal responsável pela política nacional de recursos hídricos, quase 60% da água consumida no país é destinada à irrigação e à pecuária. Além da escassez, os organizadores afirmam que o uso crescente de agrotóxicos tem contribuído para a contaminação de mananciais e afetado comunidades tradicionais do bioma.

A coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo, comentou a participação de diferentes gerações na mobilização.

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“Comunicar a importância do Cerrado para a segurança hídrica é um desafio intergeracional, uma linda ação”

A professora do Departamento de Ecologia da UnB Mercedes Bustamante também ressaltou a relevância do bioma durante as rodas de conversa realizadas no evento.

“Ficou muito claro que o futuro sustentável do Brasil passa pelo Cerrado.”

Por que a Serrinha do Paranoá entrou no centro da discussão?

A campanha também chamou atenção para a situação da Serrinha do Paranoá, em Brasília, área com 119 nascentes. Segundo as entidades, a possibilidade de novos empreendimentos no local representa risco à segurança hídrica do Lago Paranoá. A região foi apontada como estratégica para a proteção dos recursos hídricos do Distrito Federal.

O texto informa que a Serrinha do Paranoá está entre as áreas que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, tenta colocar como garantia para reforço de capital do Banco de Brasília (BRB). O BRB é o banco público controlado pelo governo distrital.

Que medidas e críticas foram apresentadas pelas entidades?

Os organizadores aproveitaram o evento para alertar sobre um projeto aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) que prevê a transferência de 716 hectares da área, com valor estimado em R$ 2,3 bilhões. As associações ambientais vinculadas à campanha afirmam que a possibilidade de futuros empreendimentos pode comprometer a segurança hídrica da região.

Participam da campanha Cerrado Coração das Águas as seguintes entidades:

  • Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)
  • Instituto Cerrados
  • Rede Cerrado
  • WWF-Brasil
  • Funatura
  • Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
  • Instituto Internacional de Educação do Brasil (IIEB)

Outro evento realizado em Brasília, a segunda edição do Festival das Águas, também tratou dos riscos ambientais relacionados ao uso inadequado da Serrinha do Paranoá e marcou a data. No Instituto Oca do Sol, no Córrego do Urubu, moradores, ambientalistas e políticos defenderam a preservação da área.

A musicista Martinha do Coco, moradora da região há mais de 40 anos, criticou a pressão sobre a Serrinha.

“Canto o coco nessa Serrinha, e dou a ela minha voz contra a especulação. Querem fracionar nossa Serrinha, mas ela tem de ser protegida”

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também participou do evento e defendeu a proteção da região.

“Daqui sai grande parte da água potável que vai para o Lago Paranoá. Precisamos tocar o coração de todas as pessoas para defender a Serrinha. E vamos recorrer a todos os instrumentos e ao poder público; recorrer à sociedade e às instituições para proteger essa região”

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