A Huawei prevê uma transformação radical na construção de redes móveis impulsionada pela inteligência artificial (IA). A empresa visualiza um futuro onde ‘agentes de IA’ remodelam a topologia das redes, com um aumento significativo na demanda por capacidade de uplink, baixa latência e cobertura abrangente. A visão foi apresentada por Fang Xiang, VP da Huawei, durante o Mobile World Congress 2026. De acordo com informações da Total Telecom, a empresa detalhou sua visão para o que chama de “Agentic MBB” (banda larga móvel com agentes de IA).
Segundo Fang, a rápida ascensão dos agentes de IA está transformando a maneira como pensamos sobre a topologia de rede. A Huawei estima que, até 2035, haverá 900 bilhões de agentes globalmente, com 90% deles operando em dispositivos móveis, o que exigirá uma mudança de paradigma nos requisitos de rede. No Brasil, onde a expansão da tecnologia 5G segue sob regulação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a infraestrutura já operada pelas provedoras nacionais servirá de base para essas futuras adaptações globais. A resposta da Huawei é combinar inteligência de rede orientada por IA com hardware de rádio e banda base atualizado, buscando oferecer maior capacidade de uplink, menor latência e gerenciamento de recursos mais adaptável.
Fang Xiang enfatizou que “Agentic MBB é o passo fundamental rumo a uma era inteligente”, prometendo liberar totalmente o potencial de diversos serviços. A Huawei está posicionando a tecnologia como uma evolução crucial para atender às crescentes demandas de aplicações baseadas em IA.
Quais são os principais desafios para as redes móveis com a ascensão da IA?
Com o avanço das aplicações orientadas por IA, as cargas de trabalho de MBB (banda larga móvel) se tornarão mais diversas e exigentes. As redes móveis tradicionais, otimizadas para tráfego de downlink, precisarão priorizar uplink, baixa latência e cobertura ubíqua. Fang Xiang destacou que a experiência do usuário se tornará mais variada, com diferentes necessidades de rede para cada usuário.
O crescimento da interação multimodal de IA, onde agentes processam múltiplos tipos de dados simultaneamente, é um fator chave. Essa interação exige capacidade de uplink de gigabit, já que os agentes precisam processar texto, vídeos e imagens ao mesmo tempo, necessitando de cinco vezes a capacidade de uplink disponível atualmente. A latência também se torna um fator crítico à medida que os serviços de IA evoluem de consultas assíncronas na nuvem para sistemas em tempo real envolvendo robótica, automação e experiências imersivas.
Para que robôs de IA se comportem de maneira semelhante a humanos, uma latência de ponta a ponta de 400ms é essencial.
A cobertura abrangente também continua sendo uma limitação. Se os dispositivos habilitados por agentes se expandirem para além dos smartphones atuais para incluir veículos, robôs e uma ampla gama de objetos conectados, a cobertura de alta qualidade não pode se limitar às áreas urbanas.
Como as operadoras de telecomunicações podem se adaptar a essas novas demandas?
Para atender a esses requisitos, as operadoras de telecomunicações precisarão repensar completamente sua abordagem à construção de redes móveis. O primeiro passo, segundo Fang Xiang, é mudar de uma abordagem focada em downlink para um modelo mais holístico, priorizando uplink, latência e cobertura.
Em segundo lugar, a melhoria do gerenciamento de recursos será fundamental. Com as redes se tornando mais complexas e com bilhões de agentes de IA rodando, a orquestração manual da rede se tornará impossível. A automação deve ser incorporada em toda a operação e manutenção (O&M), evoluindo para o que Fang Xiang chama de modelo de ‘Gerenciamento Dinâmico Inteligente’.
Finalmente, serviços diversificados e experiências do cliente exigirão uma compreensão mais profunda das necessidades exclusivas do cliente, permitindo que a rede responda proativamente para garantir um serviço de alta qualidade. “Ao evoluir da interação baseada em API para a interação baseada na intenção do serviço, a rede pode realmente entender as necessidades do serviço”, disse Fang Xiang.
Quais são as soluções da Huawei para esta nova era de redes móveis?
Para apoiar esta mudança, a Huawei introduziu um conjunto de novos produtos e tecnologias projetados para incorporar IA tanto na gestão da rede como na infraestrutura de rádio subjacente. Entre estas inovações está um novo RAN Agent (agente RAN). Construído sobre o modelo de fundação de telecomunicações da Huawei, o RAN Agent foi concebido para permitir a automação da rede orientada por intenção. O RAN Agent funciona como parte de um sistema de automação de circuito fechado que cobre previsão, análise, tomada de decisão e execução. Ele se conecta aos sistemas de operadoras através de uma interface A2A-T para interpretar a intenção do serviço e, no sentido descendente, às estações base Adaptive Air da Huawei para implementar mudanças na rede.
Este RAN Agent é suportado pelo RAN Digital Twin System (RDTS) da Huawei, que modela os ativos físicos da rede, dispositivos e o ambiente circundante. O RDTS fornece então a base digital de dados em tempo real sobre a qual o Agente pode operar. Combinado, isto significa que a RAN pode se ajustar autonomamente com base nos requisitos dos usuários, otimizando a rede em termos de experiência do usuário, eficiência de O&M e consumo de energia.
Além do RAN Agent e das capacidades RDTS aprimoradas, a Huawei também apresentou sua série GigaGreen Plus, que incorpora novas arquiteturas de antenas e materiais projetados para melhorar o desempenho e a eficiência. A série inclui o MetaAAU de banda ultralarga de três bandas e uma unidade de antena de 256 transmissores operando na banda de seis GHz. Estes são projetados para suportar implementações 5G-Advanced capazes de fornecer até 10 Gbps de downlink e 1 Gbps de velocidades de uplink.
