A guerra no Oriente Médio interrompeu o fornecimento global de energia, cortando cerca de 8 milhões de barris diários de petróleo e 20% do gás natural liquefeito (GNL), o que elevou os preços do Brent acima de US$ 110 por barril e gerou perdas de quase US$ 4 trilhões no mercado acionário dos Estados Unidos. Países africanos produtores de energia, como Nigéria, Angola e Moçambique, surgem como alternativa mais segura e confiável para compradores europeus e asiáticos. Para o Brasil, movimentos desse tipo costumam pressionar os preços internacionais dos combustíveis e também podem ampliar a disputa por mercados de exportação de petróleo e derivados.
De acordo com informações do OilPrice, o conflito, que começou no fim de fevereiro de 2026, beneficiou inicialmente a Rússia, mas pode trazer ganhos estruturais de longo prazo para o continente africano ao reposicionar seus produtores como fornecedores de menor risco.
Quais países africanos mais se beneficiam com a crise?
Nigéria, Líbia, Angola, Gabão, Moçambique, Namíbia e Tanzânia estão entre os principais beneficiados. Esses países são vistos como opções de menor risco geopolítico em comparação com rotas que passam pelo Estreito de Hormuz e pelo Mar Vermelho, o que resulta em prêmios de seguro mais baixos e entregas mais previsíveis.
Compradores da Europa e da Ásia passaram a priorizar volumes africanos exatamente por causa dessa estabilidade relativa em meio à instabilidade no Oriente Médio. Para o Brasil, a reorganização do fluxo global de energia é relevante porque o país também é produtor e exportador de petróleo, em um mercado em que mudanças de rota e de fornecedores afetam preços, fretes e concorrência.
Como o conflito afetou os preços do petróleo?
Desde o início do conflito, o preço do Brent subiu mais de 50%, alcançando patamares próximos a US$ 110 por barril. A interrupção de cerca de 8 milhões de barris por dia de petróleo e 20% da oferta global de GNL gerou forte pressão altista nos mercados de energia.
A Rússia foi a principal beneficiária de curto prazo, recebendo um “salvavidas econômico” com a alta dos preços.
O que esperar para o setor de GNL africano?
O setor de gás natural liquefeito da África está projetado para mais que dobrar sua capacidade até 2040. Grandes projetos de infraestrutura em andamento, especialmente em Moçambique e na Tanzânia, devem receber impulso adicional com a busca por fontes alternativas de energia.
A preferência atual por fornecedores africanos pode se traduzir em contratos de longo prazo e investimentos diretos que acelerem o desenvolvimento do setor de GNL no continente.
A situação ainda é fluida, com relatos de que a administração Trump teria afrouxado temporariamente sanções sobre petróleo russo e iraniano, gerando críticas bipartidárias nos Estados Unidos. Enquanto isso, governos ao redor do mundo liberam reservas estratégicas de petróleo para tentar amenizar o choque de oferta.
Analistas indicam que, embora a Rússia tenha colhido ganhos imediatos, a posição geográfica e a relativa estabilidade dos produtores africanos podem convertê-los nos vencedores de longo prazo dessa crise energética global.

