Filas de até quatro horas em áreas de segurança passaram a marcar a rotina de grandes aeroportos dos Estados Unidos nas últimas semanas, em meio à redução de pessoal da TSA, agência responsável pela triagem de passageiros e bagagens. O problema ocorre durante o período de férias de primavera no país, quando cerca de 170 milhões de passageiros viajam, e se agravou após a falta de um acordo no Congresso sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS). Como resposta, o presidente Donald Trump anunciou no domingo, 22 de março de 2026, o envio de agentes do ICE para ajudar nos aeroportos.
De acordo com informações do G1 Mundo, a crise atinge terminais de Atlanta, Houston, Nova York, Denver, Nova Orleans e da região sul da Flórida. A falta de verbas federais para pagar salários da TSA levou ao aumento das ausências e demissões, pressionando a operação em alguns dos principais aeroportos do país. Para o público brasileiro, o problema tem impacto direto em rotas para destinos como Nova York, Miami e Orlando, que estão entre os mais procurados por turistas do Brasil e concentram conexões de voos internacionais.
Por que os aeroportos dos EUA enfrentam filas tão longas?
A origem do caos está no impasse orçamentário envolvendo o DHS, que administra a TSA. Em fevereiro, parlamentares democratas bloquearam o orçamento do departamento em protesto contra operações do governo Trump contra imigrantes realizadas nos meses anteriores. Sem financiamento, agentes da TSA passaram mais de um mês trabalhando sem salário.
Nos maiores aeroportos, como os de Nova York, Atlanta e Houston, a ausência de funcionários chegou a 40%. Em terminais menores, a redução do efetivo ameaça o funcionamento da operação nos próximos dias. Segundo a Casa Branca, mais de 400 funcionários deixaram a agência desde meados de fevereiro.
Com menos agentes para revistar passageiros e bagagens em busca de artigos perigosos, os aeroportos passaram a recomendar que os viajantes cheguem com mais de três horas de antecedência. Em alguns terminais, as filas chegaram a ultrapassar a parte interna dos prédios e se estenderam para fora dos aeroportos. Nos Estados Unidos, a TSA é o órgão federal encarregado da inspeção de passageiros e malas nos aeroportos, função equivalente à triagem de segurança antes do embarque.
O que Trump anunciou para tentar reduzir a crise?
Trump afirmou no Truth Social que, na segunda-feira, agentes do ICE seriam enviados aos aeroportos para ajudar a TSA. O anúncio foi feito um dia depois de o presidente criticar democratas que não apoiaram o orçamento do DHS.
“na segunda-feira o ICE irá aos aeroportos para ajudar nossos maravilhosos agentes da TSA que seguem em seus postos”
“Enviarei nossos brilhantes e patrióticos agentes do ICE aos aeroportos, onde eles se encarregarão da segurança como ninguém jamais viu antes”
Apesar da declaração do presidente, o diretor do ICE, Tom Homan, disse à CNN que os agentes não participarão diretamente do controle de passageiros. Segundo ele, a ideia é deslocar agentes para tarefas que permitam liberar funcionários treinados da TSA para atuar na triagem de viajantes e, assim, reduzir as filas.
Homan afirmou que os detalhes operacionais ainda estavam sendo definidos, incluindo o número de agentes envolvidos. A BBC informou ter procurado o DHS e o ICE sobre os planos, mas não recebeu resposta.
Como passageiros e representantes dos trabalhadores reagiram?
Relatos de passageiros mostram o impacto direto da crise. No aeroporto de Atlanta, a passageira Greta Colley descreveu o desgaste provocado pela espera prolongada.
“Estas grandes filas de segurança têm sido frustrantes. Tem sido arrasador, para dizer o mínimo”
“É exaustivo ter que acrescentar mais tempo às viagens.”
A Federação Americana de Funcionários do Governo, a AFGE, que representa trabalhadores da TSA, criticou a proposta de uso de agentes do ICE nos aeroportos. Para a entidade, os servidores da TSA continuam trabalhando sem salário para manter a segurança dos passageiros e não deveriam ser substituídos por agentes sem treinamento específico para essa função.
“Nossos integrantes da TSA estão ajudando a trabalhar todos os dias, sem receber salário, porque acreditam na missão de manter os passageiros em segurança”
“Eles merecem ser pagos, e não serem trocados por agentes armados e sem treinamento que já demonstraram que podem ser perigosos”
Qual é o impasse político por trás da crise?
O embate entre republicanos e democratas sobre imigração e orçamento segue sem solução. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, de Nova York, disse à CNN que o uso de agentes do ICE nos aeroportos seria inadequado, afirmando que esses profissionais não têm treinamento para atuar em ambientes de contato próximo e sensível como os terminais aéreos.
Os democratas defendem mudanças nas regras de atuação do ICE e cobram reformas na agência. Enquanto isso, um projeto de lei que financiaria o DHS e permitiria o pagamento dos agentes da TSA não avançou no Senado na sexta-feira, mantendo a incerteza sobre a normalização da segurança aeroportuária.
- Filas de até quatro horas foram registradas em aeroportos dos EUA.
- A ausência de agentes da TSA chegou a 40% em grandes terminais.
- Mais de 400 funcionários deixaram a agência desde meados de fevereiro.
- O impasse orçamentário no Congresso segue sem acordo.