As ausências de funcionários da Administração de Segurança no Transporte (TSA) aumentaram em alguns aeroportos dos Estados Unidos ao longo do fim de semana de 21 e 22 de março de 2026, em meio à paralisação parcial do governo federal, enquanto agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) se preparam para atuar no suporte operacional a partir de segunda-feira, 23 de março. De acordo com informações do Valor Econômico, o quadro ocorre após semanas de impasse no financiamento do Departamento de Segurança Interna dos EUA. Para passageiros que saem do Brasil com destino aos Estados Unidos ou fazem conexões em aeroportos americanos, o cenário pode significar filas maiores nos controles de segurança e mais tempo de espera nos terminais.
Segundo o Departamento de Segurança Interna americano, cerca de 11,5% dos funcionários da TSA faltaram ao trabalho no sábado, 21 de março, em todo o país. Em alguns terminais, porém, os índices foram bem mais altos: 42,4% no Aeroporto Intercontinental George Bush, em Houston; 33,4% no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York; e 33,6% no Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, em Atlanta. Nos últimos sete dias, mais de 9% dos funcionários da TSA estiveram ausentes, o que, de acordo com o DHS, provocou longas filas nos pontos de inspeção. Os aeroportos de Nova York, Atlanta e Houston estão entre os principais hubs aéreos dos EUA, com grande volume de conexões domésticas e internacionais.
Por que as faltas aumentaram nos aeroportos dos Estados Unidos?
O aumento das ausências ocorre enquanto dezenas de milhares de agentes de segurança aeroportuária seguem trabalhando sem pagamento há semanas, em razão do impasse entre democratas e republicanos no Congresso sobre o orçamento do DHS. O Departamento de Segurança Interna é a pasta que reúne órgãos ligados à segurança de fronteiras, imigração e proteção do transporte nos Estados Unidos. Um porta-voz do departamento afirmou que muitos agentes da TSA não conseguem pagar aluguel, comprar comida ou abastecer seus carros, o que os leva a faltar ao trabalho alegando doença.
Além das faltas, centenas de agentes da TSA pediram demissão, segundo o sindicato da categoria e a própria agência. O cenário ampliou a pressão sobre a operação aeroportuária e levou o governo a preparar o envio de centenas de agentes do ICE para 14 locais, embora esse número ainda possa ser alterado, de acordo com fontes citadas no texto original.
Como o ICE deve atuar nos aeroportos?
O DHS informou que não divulgará publicamente detalhes sobre o envio dos agentes do ICE, sob o argumento de preservar a segurança operacional. As fontes ouvidas afirmaram que esses agentes não serão enviados para áreas após os pontos de controle de segurança, porque não têm a autorização específica necessária para atuar nesses espaços.
Tom Homan, citado como “czar da fronteira”, disse que o envio de agentes de imigração deve ajudar a reduzir as filas nos aeroportos. Em entrevista à CNN, ele afirmou:
“Quando fizermos o envio amanhã, teremos um plano bem estruturado para executar”.
Já o secretário de Transportes, Sean Duffy, também defendeu a utilização desses agentes. No entanto, as declarações dos dois apresentaram diferenças sobre as funções que o ICE efetivamente poderá desempenhar. Homan disse duvidar que eles operem máquinas de raio-X por falta de experiência, enquanto Duffy afirmou que os agentes sabem fazer revistas pessoais e operar esse tipo de equipamento.
Qual é a reação política e sindical ao plano?
O anúncio foi associado à disputa política em Washington. Donald Trump declarou no sábado, 21 de março, que os agentes do ICE seriam enviados aos aeroportos, a menos que parlamentares democratas concordassem em financiar o DHS. No domingo, 22 de março, ele afirmou que nenhum acordo de financiamento deveria ser concluído até que democratas aprovassem o projeto de lei “Salve a América”, que exige comprovante de cidadania americana para votar, segundo o veículo News Nation.
O projeto já passou pela Câmara dos Deputados e ainda será debatido e votado no Senado. Os republicanos têm 53 cadeiras, mas precisam de 60 votos para aprovar a proposta, o que exige apoio de senadores democratas.
O sindicato que representa os trabalhadores da TSA criticou a medida e argumentou que a substituição não resolve o problema central, que é a falta de pagamento. Everett Kelley, presidente nacional da Federação Americana de Funcionários do Governo, disse em comunicado:
“Nossos membros na TSA têm comparecido ao trabalho todos os dias, sem salário, porque acreditam na missão de manter o público que viaja seguro”.
“Eles merecem ser pagos, não substituídos por agentes armados e sem treinamento, que já demonstraram o quão perigosos podem ser.”
Segundo o texto original, democratas também criticam as operações de imigração do departamento e defendem mudanças nas regras. Hakeem Jeffries afirmou à CNN que seu grupo está aberto a um acordo separado de financiamento para os funcionários da TSA enquanto seguem as negociações sobre medidas para, nas palavras dele, “colocar o ICE sob controle”. Já o senador Chris Murphy declarou à NBC:
“Temos a obrigação de não financiar uma agência que está agindo de forma tão ilegal”.
No momento, o envio do ICE é apresentado pelo governo como resposta emergencial ao aumento das ausências e às filas nos aeroportos, mas permanece cercado de dúvidas sobre sua execução prática, seu alcance operacional e sua viabilidade diante da falta de treinamento específico apontada por críticos da medida.
