A Natura firmou um acordo com a Advent International que deve aumentar a participação do fundo no setor de cosméticos e diminuir a influência dos fundadores no comando da companhia. O anúncio foi feito na segunda-feira, 30 de março de 2026, e, de acordo com informações do UOL Notícias, prevê a compra de uma fatia entre 8% e 10% do capital da empresa no mercado secundário.
O fundo, que em 2024 já havia adquirido 50% da Skala e no ano seguinte promoveu sua fusão com a Lola From Rio em um negócio de R$ 2 bilhões, agora deverá adquirir ações da Natura a um preço médio de R$ 9,75 por ação. Esse movimento também permitirá que a Advent indique dois membros para o conselho de administração da Natura. A Advent International é uma gestora global de private equity com atuação em diferentes setores, incluindo consumo e varejo.
Como será a nova estrutura de governança da Natura?
O acordo também define que os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos deixem o conselho de administração, ocupando um novo conselho consultivo sem poder decisório. Essa mudança, vista com bons olhos pelo mercado, tem o objetivo de trazer profissionais alinhados às novas necessidades da empresa, enquanto mantém os fundadores para preservar a cultura e a estratégia de longo prazo da companhia.
Segundo analistas de bancos como Ágora e Bradesco BBI, essa modificação no modelo de governança pode estabelecer um piso para as avaliações das ações da Natura nos próximos meses e melhorar sua eficiência. O BTG Pactual considera a entrada da Advent um importante passo para a reestruturação contínua da empresa.
Quais são as expectativas do mercado para a Natura?
A operação, que deve ser concluída nos próximos seis meses, teve impacto imediato na Bolsa, onde as ações da Natura subiram 12,77% na terça-feira, 31 de março de 2026, atingindo o valor de R$ 10,42 por ação. Esse aumento significativo seguiu o encerramento do Ibovespa em alta de 2,71% no dia. O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira, e reúne as ações mais negociadas do mercado acionário do país.
Além disso, as estratégias recentes de reestruturação da Natura incluíram a venda de sua divisão Avon International e a demissão de cerca de 1.400 funcionários. Apesar das dificuldades enfrentadas no primeiro trimestre, a empresa espera que os resultados do segundo trimestre confirmem o sucesso das iniciativas implementadas.



