Adolescentes sem religião registram alta de 41,9% no Brasil em uma década - Brasileira.News
Início Educação Adolescentes sem religião registram alta de 41,9% no Brasil em uma década

Adolescentes sem religião registram alta de 41,9% no Brasil em uma década

0
6

O número de adolescentes brasileiros que se declaram desvinculados de qualquer crença institucionalizada registrou um salto significativo ao longo da última década. Uma pesquisa detalhada revela que o contingente de jovens sem afiliação religiosa cresceu 41,9% no período entre 2012 e 2023. O fenômeno reflete uma transformação comportamental profunda nas novas gerações em comparação com a população de adultos e idosos.

Instituições que conduziram o levantamento

De acordo com informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, o estudo abrangente foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), duas das principais instituições públicas de ensino e pesquisa do país. Para mapear o panorama atual, os cientistas ouviram mais de 21 mil brasileiros espalhados por todas as regiões do território nacional, englobando variadas faixas etárias e recortes socioeconômicos.

A fatia populacional composta por jovens com idades entre 14 e 17 anos que afirmam não possuir vínculo com nenhuma denominação de fé passou de 14,3% no ano de 2012 para a marca de 20,3% em 2023. Essa alteração no comportamento adolescente se mostra substancialmente mais intensa do que a variação observada no conjunto geral da população brasileira. Considerando todas as idades, o percentual de indivíduos sem religião subiu de 9,7% para 11,9% durante o mesmo intervalo de tempo.

A importância da religiosidade entre as gerações

Os dados coletados pelas universidades paulistas indicam não apenas o afastamento institucional, mas também uma queda na relevância atribuída à fé na vida cotidiana dos adolescentes. No início da série histórica, em 2012, 66,2% dos jovens relatavam que a religião exercia um papel muito importante em suas rotinas. Já no levantamento finalizado em 2023, esse índice sofreu um recuo, estacionando em 58,4%.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Em contrapartida, os extratos mais velhos da amostra populacional demonstram um comportamento conservador e distinto. O indicador de relevância permaneceu praticamente estável entre o público adulto ao longo da década analisada. Quando o foco recai sobre a população idosa, a importância da fé continua em patamares extremamente elevados, ultrapassando a marca de 84% de aprovação e engajamento constante.

Fatores sociodemográficos

A pesquisa coordenada pela Unifesp e pela USP também trouxe à tona diferenças consideráveis relacionadas ao gênero e ao nível de instrução formal dos entrevistados. A relação direta da população com as crenças religiosas sofre variações consideráveis de acordo com o perfil de cada cidadão.

  • Em 2023, 89,5% das mulheres declararam ter alguma religião, um número superior aos 85,8% registrados entre os homens pesquisados.
  • O público feminino atribui maior peso à crença religiosa: 79,4% das mulheres consideram a fé muito relevante no dia a dia, contra 69,3% da parcela masculina.
  • O nível de instrução exerce influência direta no cotidiano: entre as pessoas com menor escolaridade formal, o peso e a importância da religiosidade se mostram expressivamente maiores.

Transformação no perfil religioso nacional

O levantamento demonstra ainda alterações substanciais no panorama geral de crenças do país, caracterizando uma evidente transição religiosa em curso. A proporção de cidadãos que se declaram católicos sofreu uma redução contínua, caindo de 72,3% no ano de 2012 para 63,2% em 2023. Em um movimento totalmente inverso, a parcela da população que se identifica como protestante (grupo que no Brasil engloba majoritariamente as denominações evangélicas) apresentou crescimento, saltando de 27,7% para 36,7% no mesmo período avaliado.

A despeito das mudanças estruturais nas estatísticas, a pesquisa reforça que a esmagadora maioria dos brasileiros, especialmente nas faixas etárias mais avançadas, continua ativamente vinculada a algum tipo de afiliação religiosa. A médica psiquiatra e coordenadora da pesquisa acadêmica, Clarice Madruga, explica a dinâmica desse distanciamento comportamental detectado entre as faixas demográficas mais jovens:

“Esse movimento ajuda a explicar por que o crescimento dos sem religião é mais acelerado entre adolescentes, enquanto os mais velhos mantêm níveis muito elevados de vínculo e importância à religião.”

A consolidação sistemática desses dados atualizados atua como uma ferramenta fundamental de análise da sociedade brasileira. O progressivo afastamento dos cidadãos mais jovens das estruturas tradicionais aponta para uma reconfiguração sociológica na maneira como a próxima geração de adultos vai encarar a moralidade, o convívio comunitário e a expressão da própria espiritualidade fora dos espaços físicos e dos templos já estabelecidos na cultura do país.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here