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Acordo da Boeing garante 40 mil toneladas de remoção de carbono no solo

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Campo agrícola vasto com solo preparado e trator ao fundo, simbolizando práticas sustentáveis de captura de carbono.
Foto: Jetstar Airways / flickr (by-sa)

A gigante do setor aeroespacial Boeing firmou um acordo plurianual com a fornecedora de soluções ambientais Grassroots Carbon para a compra de, no mínimo, 40 mil toneladas de créditos de remoção durável de dióxido de carbono baseados no solo. O contrato, anunciado na primeira semana de abril de 2026, foca no sequestro de poluentes por meio de pasto regenerativo em fazendas nos Estados Unidos, visando neutralizar as emissões de viagens corporativas da fabricante de aeronaves. No Brasil, práticas semelhantes de agricultura de baixa emissão de carbono ganham tração no agronegócio por meio de iniciativas como o Plano ABC+ e diretrizes da Embrapa voltadas à recuperação de pastagens.

De acordo com informações do ESG Today, a iniciativa faz parte de uma estratégia corporativa estruturada para mitigar as emissões de difícil abatimento em toda a cadeia de valor da empresa. A parceria conecta projetos rurais com compradores corporativos, fornecendo suporte de gestão de terras, medição de solo e verificação de certificações.

Como funciona o programa de remoção de carbono no solo?

A Grassroots Carbon, empresa sediada no estado do Texas que iniciou suas operações no ano de 2021 após a fusão da empresa de software de gestão de pastagens PastureMap com a agregadora Soil Value Exchange, desenvolveu um método estruturado para o sequestro ambiental. A organização atua em parceria direta com pecuaristas estadunidenses para armazenar as emissões no solo através de práticas de pastoreio regenerativo e do manejo aprimorado de grandes extensões de pastagens.

O programa estabelecido no acordo baseia-se em critérios técnicos rigorosos para garantir a validade dos créditos comercializados. As etapas de validação do sequestro de carbono incluem:

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  • Medições diretas do solo no nível do campo, alcançando um metro de profundidade.
  • Análises laboratoriais detalhadas das amostras coletadas nas fazendas parceiras.
  • Verificação e certificação por auditorias independentes de terceiros.
  • Utilização de padrões reconhecidos no mercado financeiro verde para confirmar o volume atmosférico armazenado em solos saudáveis.

O diretor executivo da Grassroots Carbon, Brad Tipper, destacou a importância da participação dos produtores rurais neste cenário de transição ecológica estruturada pelas grandes corporações globais: “Este acordo com a Boeing demonstra o papel crítico que os pecuaristas e as pastagens dos Estados Unidos estão desempenhando na entrega de remoção de carbono de alta integridade em grande escala. Ao conquistar a confiança de parceiros como a Boeing, estamos demonstrando que o carbono do solo rigorosamente medido pode fornecer soluções duradouras em escala, ao mesmo tempo em que fortalece os recursos hídricos, a biodiversidade e as economias rurais”.

Quais são as metas climáticas corporativas da fabricante de aviões?

A fabricante aeroespacial destinará os créditos de remoção adquiridos para resolver as emissões residuais classificadas como Escopo 3 – categoria 6, que estão diretamente associadas às viagens de negócios da corporação. Desde o ano de 2020, a companhia tem compensado voluntariamente suas emissões de dióxido de carbono dos Escopos 1 e 2, oriundas de suas instalações operacionais e polos de manufatura, utilizando prioritariamente compensações tradicionais disponíveis no mercado de carbono.

No ano de 2024, a instituição adotou oficialmente uma estratégia de gestão climática baseada no princípio de evitar o dano primeiro e remover o excedente depois. Esta diretriz corporativa prioriza a redução das emissões poluentes diretamente na fonte de origem, reservando o uso de compensações financeiras e remoções tecnológicas apenas para os setores da indústria onde o abatimento operacional ainda se mostra demasiadamente complexo de ser alcançado.

Como a indústria da aviação projeta o futuro sustentável?

O compromisso recém-firmado com a empresa do Texas complementa um movimento de mercado anterior realizado pela fabricante de aviões comerciais e militares. O anúncio atual segue um acordo executado separadamente no mês de março de 2026, sob o qual a companhia do setor aéreo também se comprometeu a adquirir pelo menos outras 40 mil toneladas de certificados de remoção durável de dióxido de carbono da provedora de soluções Carbonfuture.

A liderança de sustentabilidade da fabricante aeroespacial ressaltou o impacto sistêmico destas aquisições financeiras para todo o ecossistema global de voos de passageiros e de carga. “Temos orgulho de trabalhar com a Grassroots para acelerar a tecnologia de remoção de carbono que beneficiará toda a indústria global de aviação. Possibilitar o crescimento de longo prazo das viagens aéreas e apoiar as metas de redução de emissões de nossos clientes de companhias aéreas são prioridades essenciais para a Boeing”, declarou Allison Melia, vice-presidente de Sustentabilidade Corporativa Global da instituição.

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