Os Estados Unidos e a Europa enfrentam um problema significativo com o níquel, um mineral essencial utilizado em baterias, mísseis, eletrônicos e aço. Dificuldades em mineração e refinamento, devido a questões de licenciamento e preocupações ambientais, resultaram na dominância da Indonésia e da China nesse setor. Até março de 2026, cerca de 75% da capacidade de refinamento de níquel na Indonésia estava sob controle de empresas chinesas, dando a esse país domínio sobre mais da metade da oferta mundial. De acordo com informações publicadas em 19 de março de 2026 pelo TechCrunch, com o agravamento das relações com a China, diferentes empresas estão buscando alternativas para realizar o refinamento nos Estados Unidos. Esse cenário internacional impacta diretamente o Brasil, que possui expressivas reservas de níquel em estados como Goiás e Pará. A busca de americanos e europeus por fornecedores fora do eixo chinês pode abrir novas janelas de exportação e parcerias tecnológicas para o setor de mineração nacional.
A Nth Cycle, uma startup liderada por Megan O’Connor, está desenvolvendo um sistema eletroquímico para refinar níquel e outros minerais críticos. A empresa já opera uma instalação no estado americano de Ohio capaz de processar 3.100 toneladas métricas de sucata e recém-concretizou um acordo de US$ 1,1 bilhão com a comerciante de commodities Trafigura para quadruplicar esta capacidade. Este acordo aponta para uma mudança em como as empresas avaliam suas cadeias de suprimento de metais, além de fomentar inovações tecnológicas na área.
Quem são os principais atores nesse novo cenário de refinamento?
O’Connor não está sozinha na corrida pelo refinamento. Outra empresa, a Westwin Elements, também está expandindo suas operações com uma pequena refinaria em Oklahoma e um novo projeto na Geórgia, apesar de enfrentar oposição local. Ambas buscam capitalizar sobre a crescente demanda por processamento interno ao invés de enviar matérias-primas para a China.
Como a tecnologia da Nth Cycle está mudando o jogo?
A Nth Cycle acredita que a solução está em seu sistema modular e elétrico. Megan O’Connor afirma que modelos centralizados tradicionais, usados na Ásia, não são viáveis nos EUA, pois demandam alto capital. Ao trabalhar com recicladores, a startup obtém “black mass” (massa negra) — resíduos metálicos de baterias trituradas — e fontes de níquel como catalisadores das indústrias de petróleo e gás. O sistema é menor em escala, reduzindo gastos de capital e permitindo retorno financeiro mais rápido.
O que a expansão significa para o futuro da reciclagem de baterias?
Nesta fase de expansão, a Nth Cycle possui a confiança de que há recursos suficientes nos EUA e na Europa para abastecer novas instalações na Carolina do Sul e nos Países Baixos, capazes de processar 18.000 toneladas métricas de sucata. Enquanto o volume de descarte de baterias não cresce, a empresa planeja expandir gradualmente sua capacidade, adicionando módulos conforme necessário e desafiando a dependência dos meios tradicionais de escalas econômicas.
A visão da Nth Cycle para o refinamento de metais nos EUA representa uma tentativa estratégica de se adequar à demanda variável e crescente por materiais recicláveis, criando um cenário mais sustentável e independente para o processamento de minerais críticos.



