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Acampamento Terra Livre: Indígenas marcham em Brasília contra mineração e por demarcação

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De acordo com informações da Agência Brasil, cerca de oito mil indígenas de diversas etnias do país realizaram uma ampla marcha na Esplanada dos Ministérios, localizada em Brasília. A mobilização faz parte da 22ª edição do Acampamento Terra Livre, que se estende até o sábado (11). O principal objetivo dos manifestantes é exigir a aceleração na demarcação de terras, a garantia de proteção ambiental e a implementação efetiva de políticas públicas voltadas para as comunidades originárias.

A caminhada até o Congresso Nacional reuniu representações de todas as regiões do país. Os participantes percorreram aproximadamente quatro quilômetros desde a base do acampamento até a área central do poder político brasileiro. Durante o trajeto, jovens e lideranças históricas carregaram bandeiras e faixas para evidenciar o orgulho de suas raízes e a urgência de suas pautas frente aos crescentes desafios climáticos e territoriais.

Quais são as principais reivindicações contra a mineração?

Um dos focos centrais do protesto é a dura oposição ao avanço de grandes projetos de infraestrutura e extração mineral. A trabalhadora rural Claudia Kaxinawá, de 21 anos, pertencente ao povo Huni Kuim e moradora da aldeia Mabayá, viajou dez dias de ônibus desde Tarauacá, no Acre, até a capital federal. Ao chegar ao parlamento, ela fez questão de erguer uma bandeira que exigia a proibição total da atividade de empresas mineradoras dentro das terras indígenas.

Tenho muito orgulho de levar essa bandeira e lutar pelo meu povo. Nós jovens precisamos estar engajados

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A preocupação com a mineração também foi destacada pela liderança Sara Lima, de 42 anos, do povo pataxó, que representava a Aliança dos Povos pelo Clima. Com as mãos cobertas por corante vermelho, ela protestou veementemente contra os impactos do projeto da mineradora Belo Sun sobre a Volta Grande do Xingu, em Mato Grosso. O grupo já sofre historicamente com os severos efeitos causados pela Usina de Belo Monte.

A gente não quer o projeto Belo Sun, pois já temos outro, chamado Belo Monte, que destruiu quase 80% do nosso território. A gente não tem mais o que comer porque não há reprodução de peixe

Como a falta de políticas públicas afeta as comunidades?

A marcha também serviu como palco para expor a carência crítica de infraestrutura básica nas aldeias de todo o país. Naron da Silva, um agente de saneamento de 22 anos do povo tupi, levou faixas para reivindicar assistência imediata do Estado. Morador da aldeia Tapirema, que abriga 25 famílias no território indígena Piaçaguera, situado em uma área de Mata Atlântica entre os municípios paulistas de Peruíbe e Itanhaém, ele alertou para a falta de fornecimento regular de água e a constante presença de criminosos na região.

Viemos para Brasília para protestar e pedir políticas públicas. Nossa terra ainda tem a ameaça de muitos grileiros

Além de ressaltar que a água é um recurso vital para a sobrevivência do grupo, Naron revelou que planeja cursar psicologia para auxiliar diretamente na saúde mental de sua comunidade.

Qual o papel da educação na luta dos povos originários?

As condições estruturais de ensino nas aldeias formam outro pilar importante das demandas apresentadas aos parlamentares. À frente dos indígenas do litoral de São Paulo, integrantes da comunidade Gueguês, localizada a seis quilômetros de Uruçuí, no Piauí, solicitaram a construção de mais unidades educacionais, englobando a exigência por instituições de ensino superior acessíveis.

A estudante Marilene de Jesus, de 37 anos, é a primeira pessoa de sua família a ingressar em uma faculdade. Matriculada no curso de licenciatura intercultural do Instituto Federal do Piauí (IFPI), ela deseja atuar ativamente como educadora para fortalecer a identidade cultural das novas gerações de seu povo.

Não imaginava que iria me tornar professora, mas é preciso

Quais documentos oficiais foram entregues ao governo?

A intensa mobilização culminou na entrega formal de documentos às autoridades federais. Entre as ações conclusivas do ato, destacam-se os seguintes encaminhamentos:

  • Entrega de uma carta oficial a representantes do Poder Executivo, documento que reconhece os avanços recentes, mas cobra maior celeridade nos processos de demarcação de terras.
  • Apresentação de uma proposta técnica ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).
  • O pedido protocolado para a criação e garantia de zonas de exclusão, consolidando áreas totalmente livres da exploração de petróleo e gás natural.

O evento reafirma a capacidade de articulação das lideranças originárias, evidenciando ao cenário político nacional que a proteção do meio ambiente e a garantia inegociável de direitos territoriais são os pilares para a sobrevivência dessas populações.

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