A capital federal recebe, até o próximo sábado (11), a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), considerada a maior mobilização indígena do Brasil. Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o evento reúne mais de seis mil representantes de diversas etnias no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), área central de Brasília estrategicamente próxima à Esplanada dos Ministérios. O objetivo central do encontro é pressionar o governo federal e o Congresso Nacional pela celeridade na demarcação de terras e pela garantia de direitos fundamentais previstos na Constituição Federal.
De acordo com informações da Radioagência Nacional, a articulação deste ano foca intensamente na resistência contra as recentes investidas legislativas que ameaçam os territórios originários. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade que unifica o movimento em âmbito nacional, convocou lideranças de destaque para dialogar com a sociedade e a imprensa, reforçando que a proteção das florestas é indissociável da sobrevivência física e cultural dessas populações.
Foco das reivindicações em 2026
As lideranças presentes, entre elas Kleber Karipuna (coordenador executivo da Apib), Paulo Tupinambá e Luana Kaigang, destacam que a defesa dos territórios indígenas é a principal barreira contra a crise climática global. Durante as coletivas de imprensa, os porta-vozes reafirmaram o papel dos povos originários como guardiões da biodiversidade e pilares da democracia brasileira. A pauta não se limita à posse da terra, mas abrange o acesso à saúde, educação diferenciada e a proteção contra invasões de garimpeiros e madeireiros ilegais.
O Acampamento Terra Livre também serve como um espaço de denúncia contra o que os manifestantes chamam de “ofensiva legislativa” — um conjunto de pautas no Congresso que inclui debates jurídicos como a tese do Marco Temporal. Nesta terça-feira (7), o cronograma iniciou com a primeira marcha oficial do evento, percorrendo as vias centrais de Brasília para manifestar contrariedade a projetos de lei que buscam flexibilizar as normas de demarcação. Os manifestantes alegam que o atraso nos processos administrativos fragiliza as comunidades e aumenta o risco de conflitos agrários.
Principais pontos da agenda
A programação do ATL 2026 é extensa e envolve debates estratégicos sobre políticas públicas voltadas aos povos originários. Entre os destaques da agenda estão:
- A primeira marcha contra a ofensiva legislativa sobre demarcação de terras indígenas;
- Debates sobre o fortalecimento de instituições e políticas públicas indigenistas;
- Discussões técnicas sobre o impacto da crise climática nos territórios ancestrais;
- Lançamento de tecnologias de monitoramento ambiental, como sensores de ar de baixo custo;
- Encontros com representantes do Poder Executivo para cobrar celeridade nos processos de homologação.
Cenário atual e metas climáticas
A especialista em políticas ambientais e coordenadora do Instituto Socioambiental (ISA), Adriana Ramos, pontuou que o cenário atual exige vigilância constante por parte da sociedade civil. Em entrevista concedida ao programa Viva Maria, conduzido pela apresentadora Mara Régia, a ambientalista ressaltou que a agenda do ATL 2026 reflete a necessidade urgente de integrar a política indigenista com as metas climáticas do país. Segundo Ramos, a resposta para os desafios contemporâneos de sustentabilidade passa, necessariamente, pelo reconhecimento da soberania indígena.
Para o movimento, o tema escolhido para esta edição carrega uma mensagem de autonomia e resistência frente às pressões econômicas sobre as florestas. Conforme descrito no documento base da mobilização:
“Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós.”
Essa frase sintetiza a postura adotada pelos milhares de participantes que ocupam o centro de Brasília. A expectativa é que o encerramento do evento culmine na entrega de um documento oficial às autoridades brasileiras, listando as prioridades urgentes para a preservação de cada bioma representado na mobilização nacional.



