Durante o mês de abril de 2026, diversos centros culturais do estado de São Paulo promovem uma programação especial em homenagem ao Abril Indígena, período que tem como marco o Dia dos Povos Indígenas, celebrado nacionalmente em 19 de abril. O circuito de eventos tem como objetivo celebrar a resistência e as expressões tradicionais dos povos originários brasileiros, com atividades que se estendem por instituições renomadas e oferecem ao público contato direto com a ancestralidade ameríndia.
De acordo com informações da Agência Brasil, a iniciativa busca destacar a obstinação histórica das populações indígenas desde a chegada dos europeus. O Museu das Culturas Indígenas (instituição do Governo do Estado de São Paulo localizada na Água Branca, zona oeste da capital) e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) figuram entre os principais polos de atrações paulistanos durante o período.
Quais são as principais exposições e atividades nos museus paulistanos?
No Museu das Culturas Indígenas, a preservação da cultura é o foco central. A agenda inclui uma oficina voltada para a confecção e o toque do maracá, instrumento musical tradicional. Essa atividade é conduzida pelo grupo Yamititkwa Sato, pertencente ao povo fulni-ô, originário do município de Águas Belas, no estado de Pernambuco. Além disso, o local recebe uma apresentação musical da artista Siba Puri, também de origem pernambucana, que define o próprio trabalho como um “reggae originário”.
Já no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, o destaque recai sobre a mostra Resistência já!. O acervo em exibição lança luz sobre a trajetória de luta de três povos específicos: kaingang, guarani nhandewa e terena. A curadoria da exposição apresenta peças de vestuário, artefatos variados e registros fotográficos datados entre o final do século 19 e o ano de 1947, todos selecionados com a participação direta de lideranças indígenas.
O que a Caixa Cultural oferece na programação teatral e literária?
Na Caixa Cultural (espaço gerido pela Caixa Econômica Federal), o grande marco da temporada é a montagem teatral inspirada na literatura do escritor e líder político-espiritual Ailton Krenak, o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). A peça adapta reflexões sobre as crises globais contemporâneas abordadas pelo autor. Com entrada gratuita, a obra é estrelada por Yumo Apurinã e conta com a direção de João Bernardo Caldeira. A temporada ocorre de quinta-feira (9) até domingo (12), sendo que a sessão de sexta-feira (10) oferece acessibilidade por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Além do espetáculo teatral, o espaço proporciona imersões práticas. O público interessado nos bastidores da atuação pode participar de um encontro sobre processos criativos e exercícios cênicos conduzido por Yumo Apurinã no fim de semana. Para esta vivência, estão disponíveis 25 vagas para pessoas acima de 16 anos, com registro prévio pela internet. A instituição também promove sessões focadas na oralidade ancestral.
A programação formativa e lúdica da unidade inclui as seguintes ações de destaque:
- De 14 a 19 de abril: jornadas corporais para adultos e crianças com brincadeiras tradicionais como peteca, Jogo da Onça e corrida de tora, exigindo inscrição prévia.
- Dia 25 de abril: atividades de contação de histórias com narrativas dos povos guarani, yanomami e tukano, explicando a visão originária sobre o princípio do mundo.
Como as unidades do Sesc SP participam do Abril Indígena?
A rede Sesc SP (Serviço Social do Comércio) espalhou sua grade de atrações por diversas unidades na capital e no interior paulista. Em Jundiaí (a 58 km de São Paulo), aos sábados, educadores ministram vivências sobre arte indígena para participantes a partir de três anos de idade, permitindo a criação de obras inspiradas nos grafismos tradicionais. Na unidade Pompeia, na capital, o público pode se inscrever para o curso Cosmologia e Pintura Astronômica Indígena, que ocorre entre os dias 14 e 17 de abril.
No interior, o Sesc Piracicaba organiza, no dia 12 de abril, oficinas conduzidas pela artista Duhigó, do povo tukano. O foco do encontro, voltado para crianças de até 12 anos, está nos significados geométricos empregados em ornamentos e marcações corporais. Na mesma data, a unidade exibe a produção cinematográfica peruana Wiñaypacha, do diretor Óscar Catacora, que narra a história de um casal de idosos vivendo isolado na cordilheira dos Andes.
O circuito de exibições audiovisuais e manifestações espirituais se completa em outras regiões. No domingo (12), a unidade de São José dos Campos projeta o documentário Amazônia, a Nova Minamata. Na terça-feira (14), Presidente Prudente, no oeste paulista, recebe a exibição paga do filme Terras. Por fim, na quinta-feira (16), a unidade Santo Amaro, na zona sul paulistana, promove um contato direto com as práticas transcendentais ao permitir que o público acompanhe uma demonstração do toré, um importante ritual do povo pankararu.



