A Abin voltou ao centro do debate político após aliados históricos do presidente Lula afirmarem que a agência enfrenta fragilidade estrutural, escassez de recursos e falta de diretrizes claras do governo. As críticas foram feitas em Brasília, na quinta-feira, 9, durante um debate sobre inteligência de Estado na democracia, em meio a um cenário internacional descrito no texto original como marcado por disputas estratégicas por hegemonia econômica, petróleo e minerais críticos. De acordo com informações da CartaCapital, participantes do campo lulista defenderam que o tema seja tratado como estratégico no programa de governo de Lula na campanha à reeleição.
Entre os críticos estão os ex-presidentes do PT José Genoino e Ricardo Berzoini, além da participação de José Dirceu no seminário promovido pela Intelis, entidade dos oficiais de inteligência da Abin, e pela Universidade Popular, a Unipop. Segundo a reportagem original, a avaliação desse grupo é negativa tanto para o governo quanto para a estrutura atual da agência.
O que disseram os aliados históricos de Lula sobre a inteligência brasileira?
José Genoino afirmou que o Brasil não dispõe de uma inteligência de Estado capaz de responder aos desafios atuais. A reportagem registra a seguinte declaração:
“O Brasil não tem inteligência de Estado”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Genoino também disse que a Abin está “no limbo” e defendeu que a atividade de inteligência seja tratada como tema estratégico. Já Ricardo Berzoini afirmou que o assunto não deveria ser ocultado no debate eleitoral e relacionou a discussão ao avanço da inteligência artificial e à relevância geopolítica de recursos como petróleo e terras raras.
O debate ocorreu em um hotel de Brasília e, segundo o texto original, alguns parlamentares foram convidados, mas nenhum compareceu. Para Acilino Ribeiro, reitor da Unipop e um dos autores de uma proposta de reformulação da Abin entregue ao governo de transição antes da posse de Lula, a ausência é sintomática de um obstáculo político ao fortalecimento do serviço nacional de inteligência.
Quais são os principais problemas apontados para a Abin?
O texto original destaca que a falta de orçamento é um dos entraves, mas não o único. Entre 2019 e 2026, o Congresso destinou apenas R$ 14 milhões em emendas parlamentares para a Abin, conforme dados do Siga Brasil citados na reportagem. No mesmo período, a verba geral das emendas teria saltado de R$ 13 bilhões por ano para R$ 50 bilhões.
A agência tem orçamento de R$ 933 milhões em 2026, mas, segundo a reportagem, cerca de um terço desse total é destinado ao pagamento de servidores aposentados. A quantia reservada para “informação e inteligência” seria de R$ 81 milhões, menos de 10% do orçamento. O texto também menciona, com base em declaração de Berzoini, que a CIA teria orçamento anual de 14 bilhões de dólares.
- Escassez de recursos para a atividade-fim
- Baixo volume de emendas parlamentares destinado à agência
- Falta de diretrizes claras do governo
- Desarticulação do sistema brasileiro de inteligência
A reportagem também ouviu, sem identificar, um colaborador presidencial e dois integrantes ligados à área de inteligência. Um deles afirmou que a Abin está desorientada por falta de instruções do governo. Outro declarou que, com a agência alocada na Casa Civil, o órgão teria ficado “sem pai”.
Como a mudança de estrutura da Abin entrou no debate?
Após os atos de 8 de Janeiro de 2023 em Brasília, Lula retirou a Abin da estrutura do GSI e transferiu a agência para a Casa Civil da Presidência. No debate relatado pela reportagem, José Dirceu avaliou que a extinção do GSI por Dilma Rousseff foi uma das decisões mais acertadas da então presidenta e argumentou que os militares representam um problema para a atividade de inteligência.
Segundo o texto, os participantes do encontro concordaram que parte da cultura militar ainda opera com a noção de “inimigo interno”, visão associada ao período da ditadura de 1964 a 1985. Para Genoino, essa lógica também contamina setores da Abin. A discussão apresentada pela reportagem associa essa herança a dificuldades históricas para consolidar uma inteligência de Estado voltada aos interesses institucionais do País.
Ao reunir críticas sobre orçamento, comando político e orientação estratégica, o debate descrito pela CartaCapital expõe a cobrança de setores próximos a Lula para que o governo apresente um projeto mais claro para a inteligência brasileira. O tema, segundo os participantes ouvidos pela reportagem, deve ganhar espaço nas discussões políticas ligadas à reeleição presidencial.