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Abelhas nativas sem ferrão sofrem maior impacto de agrotóxicos no Brasil

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A farmer with a straw hat tends to crops in a lush, green field in Ibiúna, Brazil, under a natural light setting.
A farmer with a straw hat tends to crops in a lush, green field in Ibiúna, Brazil, under a natural light setting. Foto: j.r.cortez fotografia — Pexels License (livre para uso)

As abelhas sem ferrão, também conhecidas como meliponíneos — grupo que inclui espécies nativas muito conhecidas no Brasil, como a Jataí, a Mandaçaia e a Uruçu —, representam o grupo mais vulnerável e afetado negativamente pela aplicação de agrotóxicos nas lavouras agrícolas. Um levantamento científico divulgado no início de 2026 evidenciou que a legislação brasileira de proteção aos polinizadores baseia-se quase exclusivamente nos testes de toxicidade voltados para a Apis mellifera (abelha-comum), uma espécie exótica introduzida, deixando as espécies locais desprotegidas contra os impactos dos compostos químicos. De acordo com informações do EcoDebate publicadas em 6 de abril de 2026, pesquisadores alertam que a falta de diretrizes específicas para os insetos nativos ameaça a biodiversidade e a eficiência da polinização natural em diversos biomas terrestres.

Por que as abelhas nativas estão mais vulneráveis aos pesticidas?

A vulnerabilidade das abelhas sem ferrão decorre de uma lacuna significativa nas políticas públicas e nas normas ambientais vigentes no país. A regulação atual sobre o uso de defensivos agrícolas estabelece regras de aplicação e parâmetros de segurança projetados para minimizar os danos à Apis mellifera, que é um inseto resultante de cruzamentos entre espécies de origem europeia e africana. Consequentemente, as formulações químicas e as doses permitidas não levam em consideração o metabolismo ou o comportamento das abelhas nativas do território nacional.

Consideradas um dos seres vivos mais importantes do planeta Terra pelo Earthwatch Institute, uma organização ambientalista com mais de cinco décadas de trajetória, as abelhas prestam serviços ecossistêmicos vitais. O trabalho contínuo de transferência de grãos de pólen entre as flores é a base da reprodução vegetal e do aumento da produtividade nas plantações. Contudo, durante essa atividade de polinização, as espécies nativas entram em contato direto com os pesticidas utilizados pelos produtores rurais para o controle de pragas.

Como os compostos químicos atingem as colmeias sem ferrão?

O processo de contaminação ocorre de maneira silenciosa e letal para as colônias de meliponíneos. Ao visitarem flores que receberam pulverização de agrotóxicos, as abelhas absorvem as substâncias nocivas. Durante o trajeto de retorno aos ninhos, esses pequenos insetos transportam involuntariamente os resíduos químicos para dentro dos favos, misturando os pesticidas aos alimentos armazenados. Esse acúmulo tóxico no interior das estruturas da colmeia resulta, em muitos casos, na mortalidade em massa e na destruição de colônias inteiras de polinizadores nativos.

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A dimensão exata dessa sensibilidade foi mensurada em um estudo publicado no início de 2026 na revista científica Pesticide Biochemistry and Physiology. A pesquisa consistiu em uma ampla revisão sistemática da literatura acadêmica sobre o tema, conduzida por especialistas de duas grandes instituições de ensino superior. O grupo de trabalho responsável pela análise detalhada dos dados reuniu as seguintes instituições:

  • Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), localizada no câmpus do município de Botucatu (SP).
  • Universidade Southern Cross, uma instituição de ensino superior sediada na Austrália.

Quais foram os principais resultados apontados pelo estudo acadêmico?

Ao revisarem meticulosamente 115 experimentos distintos de toxicidade focados exclusivamente nas abelhas sem ferrão, os cientistas chegaram a uma estatística contundente. Em exatos 72% dos ensaios analisados em laboratório e em campo, os meliponíneos demonstraram possuir uma sensibilidade aos pesticidas significativamente maior do que a observada nas abelhas com ferrão utilizadas para a produção comercial de mel. A conclusão do levantamento acadêmico funciona como um alerta urgente para as autoridades regulatórias.

A equipe de pesquisadores reforça que as decisões e medidas legislativas de proteção ambiental não podem mais ser desenhadas e implementadas tomando unicamente a biologia da Apis mellifera como padrão universal. A pesquisadora Isabella Lippi, que assina como autora principal do artigo divulgado internacionalmente, destacou que o objetivo central da ciência, neste contexto específico, não é proibir ou inviabilizar o uso de insumos químicos essenciais para a agricultura de larga escala. Pelo contrário, os acadêmicos reconhecem plenamente a necessidade desses produtos para a garantia da produtividade das lavouras comerciais.

Qual é a proposta dos cientistas para equilibrar agricultura e preservação?

A finalidade das investigações científicas lideradas por Isabella Lippi é promover a aplicação racional e estratégica dos defensivos agrícolas. O planejamento adequado das pulverizações busca reduzir até o limite possível os danos colaterais sofridos pelas populações de polinizadores naturais. A avaliação criteriosa dos efeitos adversos provocados por esses insumos agroquímicos constituiu o objeto de estudo durante o programa de doutorado da pesquisadora, integralmente desenvolvido nas instalações da Unesp.

A excelência e a relevância da pesquisa para o cenário ambiental nacional foram oficialmente reconhecidas pelas instituições acadêmicas brasileiras no ano de 2025, quando o trabalho foi agraciado com uma menção honrosa durante a cerimônia do prestigiado Prêmio Capes de Tese, concedido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (órgão vinculado ao Ministério da Educação). Atualmente, visando aprofundar os conhecimentos na área e buscar novas soluções para o declínio dos polinizadores, Isabella Lippi conduz um estágio de pesquisa de pós-doutorado junto à equipe de cientistas da Universidade Southern Cross, no território australiano.

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