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Agrishow 2026 tem resultado incerto com crédito caro, guerra e juros altos

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A Agrishow de 2026, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, começa nesta segunda-feira, 27 de abril, sob um cenário considerado desafiador por empresas do setor de máquinas e tecnologia agrícola. A combinação de juros altos, câmbio desfavorável, aumento de insumos e incertezas ligadas à guerra no Oriente Médio tem levado produtores a segurar investimentos, o que torna incerto o resultado comercial da 31ª edição da feira. De acordo com informações do Valor Econômico, a expectativa no setor é de queda nas vendas de máquinas agrícolas pelo quinto ano consecutivo.

Fernando Capra, CEO da Baldan, classificou esta edição como a mais desafiadora dos últimos anos. A empresa, uma das fundadoras da feira ao lado de Marchesan, Jacto e Jumil, pretende repetir o desempenho de vendas registrado no ano passado. Entre os produtos levados ao evento estão o pulverizador Avola de 3.000 litros, voltado ao setor canavieiro, e opções financeiras para o produtor.

“Aspirar crescimento em um mercado como esse é um pouco audacioso demais. Nossa meta é repetir a performance de vendas do ano passado”

Por que a Agrishow chega cercada de incertezas?

O ambiente de negócios é pressionado por fatores que afetam diretamente a decisão de compra no campo. Segundo o texto original, pesam sobre o produtor o custo do crédito, a alta de fertilizantes, energia e combustíveis, além do impacto externo gerado pela guerra no Oriente Médio.

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  • Juros altos
  • Câmbio desfavorável
  • Aumento dos insumos
  • Incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio
  • Maior cautela dos produtores para investir

Maurílio Biagi, presidente de honra da Agrishow, não fez previsão para o desempenho da feira. Em 2025, o evento somou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios, alta de 7%. Já a Tecnoshow Comigo, realizada entre 6 e 10 de abril em Rio Verde, Goiás, terminou com queda de 30% nas vendas, sinalizando um mercado mais fraco neste ano.

O que dizem indústria e organizadores sobre os negócios?

João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow e diretor da Tatu Marchesan, afirmou que a principal preocupação é a taxa Selic, apesar de um cenário de supersafra, boa produtividade e clima favorável. Segundo ele, a inadimplência e as recuperações judiciais cresceram, mas o custo do dinheiro continua sendo o principal obstáculo para novos investimentos.

“Temos uma supersafra com produtividade alta, o clima ajudou, mas a taxa de juros é totalmente desfavorável a investimentos”

Mesmo assim, Marchesan disse manter otimismo e destacou que a feira seguirá como vitrine de tecnologias, embora sem estimativa de aumento nos negócios. Kellen Bormann, diretora de vendas da Massey Ferguson, afirmou que o cenário macroeconômico é desafiador, mas apontou expectativa positiva com base na busca do produtor por mais produtividade e redução de custos.

A CNH, controladora das marcas Case IH e New Holland, também vê a Agrishow como espaço estratégico para apresentar soluções. A companhia informou queda de 9% nas vendas globais em 2025 e projeta redução de cerca de 5% em 2026. Paulo Arabian, vice-presidente de vendas para a América Latina, destacou iniciativas ligadas a combustíveis alternativos, como máquinas movidas a biometano, etanol e eletricidade, além de um motor a etanol em testes com a FPT Industrial.

Quais lançamentos e setores podem se destacar na feira?

A Jacto iniciará na Agrishow a venda do JAV 4000, pulverizador autônomo com preço inicial de R$ 1,7 milhão, desenvolvido em parceria com a Citrosuco. A empresa também apresentará sua primeira colhedora de cana de duas linhas.

No segmento de irrigação, a expectativa é mais favorável. Michele Silva, da Netafim, avaliou que, mesmo com crédito mais restrito, o produtor está mais estratégico e mais consciente do papel da irrigação na proteção da produtividade.

Entre as instituições financeiras, o Santander espera aumento da demanda por crédito após ter gerado R$ 1,4 bilhão em negócios na edição anterior. O Banco do Brasil, por sua vez, prevê receber R$ 3 bilhões em propostas de financiamento, segundo Gilson Bittencourt, vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar.

“O produtor está mais cauteloso, e isso é saudável. O BB não chega à Agrishow para estimular investimento a qualquer custo, mas sim para financiar projetos que tragam mais renda, eficiência e redução de riscos”

Apesar das incertezas, os organizadores informaram que não houve desistência de expositores nem redução de estandes. A feira, que ocupa 520 mil m², passou por reestruturação do espaço físico e abriu uma nova área de exposição, onde cerca de cem empresas estreiam nesta edição.

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