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SpaceX em bolsa pode limitar acesso de Elon Musk ao caixa da empresa

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A possível abertura de capital da SpaceX pode reduzir a flexibilidade financeira de Elon Musk, segundo análise publicada pela imprensa americana sobre operações feitas enquanto a empresa permanecia fechada ao mercado. O tema ganhou destaque após um levantamento do The New York Times citar empréstimos da companhia ao empresário e outras movimentações financeiras envolvendo negócios sob sua influência, em um contexto de expectativas de que a SpaceX possa se tornar uma empresa negociada em bolsa em breve. De acordo com informações da Gizmodo US, esse cenário pode impor mais limites regulatórios e de governança ao bilionário.

O argumento central é que companhias privadas oferecem mais margem para decisões financeiras internas que, embora possam ser legais, tendem a ser mais restritas em empresas de capital aberto. A reportagem menciona que Musk historicamente demonstrou preferência por manter sob controle companhias fechadas, evitando a pressão de acionistas e a volatilidade típica do mercado.

Por que a abertura de capital da SpaceX pode mudar esse cenário?

Segundo o texto, uma empresa listada em bolsa passa a enfrentar maior escrutínio de investidores, regras de governança mais rígidas e limites mais claros para transações envolvendo executivos e controladores. Nesse ambiente, operações como empréstimos relevantes ao principal executivo tendem a ser menos viáveis ou mais fortemente supervisionadas.

A análise também recupera declarações antigas de Musk sobre sua resistência a comandar empresas públicas. Em email enviado a funcionários da SpaceX em 2013, citado pelo artigo, ele escreveu que não queria transformar a companhia em empresa de capital aberto antes de cumprir sua missão de levar humanos a Marte. Na mensagem, afirmou que companhias abertas enfrentam volatilidade extrema, tanto por execução interna quanto por fatores externos da economia.

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“Public company stocks, particularly if big step changes in technology are involved, go through extreme volatility, both for reasons of internal execution and for reasons that have nothing to do with anything except the economy.”

Em uma transmissão ao vivo em 2023, ainda segundo o texto, Musk voltou ao tema ao dizer que existe uma espécie de obrigação moral de não apresentar um trimestre ruim e decepcionar investidores.

“We feel like we have a sort of moral obligation not to have a bad quarter and disappoint people.”

Quais operações financeiras envolvendo Musk foram citadas?

A reportagem menciona uma investigação recente do The New York Times sobre movimentações financeiras classificadas como duras na aparência, mas aparentemente legais. O principal exemplo citado é o de US$ 500 milhões em empréstimos da SpaceX a Musk.

Entre os casos reunidos no texto, estão episódios descritos da seguinte forma:

  • em 2008, Musk disse ao The Wall Street Journal que tomou US$ 20 milhões emprestados da SpaceX para ajudar a Tesla durante a crise financeira;

  • em 2015, a SpaceX teria começado a comprar dívida da SolarCity, quando Musk era presidente do conselho da empresa; segundo o The New York Times, a SpaceX gastou US$ 255 milhões nessa operação, e depois a Tesla comprou a SolarCity por valor equivalente a US$ 2,6 bilhões;

  • em 2018, Musk teria tomado um empréstimo de quase US$ 100 milhões da SpaceX, com juros entre um e três por cento, ampliando depois o endividamento pessoal junto à empresa até atingir US$ 500 milhões; o valor, segundo a reportagem, foi quitado em 2021, com mais US$ 14 milhões em juros.

O texto observa que esse tipo de movimentação é mais difícil em empresas abertas, justamente por causa do monitoramento adicional de acionistas, reguladores e conselhos.

O que a experiência da Tesla indica sobre os limites de empresas abertas?

Para sustentar a tese, o artigo compara a situação da SpaceX com a da Tesla, que já é listada em bolsa. Segundo a publicação, a montadora adotou em 2023 uma política para limitar valores de empréstimos a grandes acionistas que usem ações da própria Tesla como garantia. A medida é apresentada como forma de proteção da companhia contra riscos ligados a operações pessoais de seus principais investidores.

Outro exemplo mencionado envolve uma ação judicial movida em 2024 por um fundo de pensão acionista da Tesla. De acordo com o texto, a acusação sustenta que Musk estaria prejudicando a Tesla ao redirecionar recursos que deveriam ir para a montadora em direção à xAI. A reportagem cita ainda uma pergunta presente em documento judicial revisado pelo jornal americano sobre se o diretor-executivo de uma empresa poderia iniciar, paralelamente, um negócio concorrente e desviar insumos escassos para a nova companhia.

Por fim, o artigo lembra que o antigo Twitter deixou de ser uma empresa pública após a compra por Musk. Já como X, a plataforma foi incorporada à xAI, que, segundo o texto, passou a integrar a SpaceX neste ano. Se a abertura de capital da SpaceX avançar, esse conjunto de ativos pode voltar, ao menos indiretamente, ao ambiente de fiscalização típico do mercado acionário.

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