Preguiças sobreviventes de Sloth World são transferidas para zoológico na Flórida - Brasileira.News
Início Meio Ambiente Preguiças sobreviventes de Sloth World são transferidas para zoológico na Flórida

Preguiças sobreviventes de Sloth World são transferidas para zoológico na Flórida

0
5

Treze preguiças que sobreviveram ao empreendimento planejado Sloth World foram transferidas para o Central Florida Zoo & Botanical Gardens, na Flórida, dias depois de uma investigação relatar que mais de 31 animais morreram sob os cuidados da empresa. A transferência ocorreu após aumento da pressão pública sobre o projeto sediado na região de Orlando, que importou dezenas de preguiças silvestres da Guiana e do Peru. De acordo com informações do Inside Climate News, os 13 animais recebidos pelo zoológico são os únicos sobreviventes informados pela instituição.

O caso ganhou repercussão após registros estaduais apontarem que o Sloth World importou 69 preguiças silvestres desde dezembro de 2024. Segundo esses documentos, 21 morreram pouco depois de chegar naquele mês a um prédio industrial que ainda não estava preparado para recebê-las. Outras dez, de uma remessa seguinte em fevereiro de 2025, também morreram, de acordo com um relatório de incidente obtido pelo veículo por meio de pedido com base em lei de acesso a registros.

O que aconteceu com as preguiças transferidas?

O zoológico informou que os animais estão atualmente em uma área especial, fora de exibição ao público, onde passarão por um período de quarentena de pelo menos 30 dias. Ainda não está claro qual é o estado de saúde das preguiças transferidas. Relatórios de necropsia citados pela reportagem mostram que alguns dos animais do Sloth World foram infectados por vírus, incluindo um “novo gammaherpesvírus de preguiça de dois dedos”.

Em comunicado citado pela reportagem, Richard E. Glover, diretor-presidente do Central Florida Zoo & Botanical Gardens, afirmou que a equipe aceitou receber os animais e destacou a experiência da instituição com esse tipo de cuidado.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

“When we were approached about taking in these sloths, the team all agreed it was something we should and wanted to do.”

“Our Zoo team has decades of experience caring for sloths, and we can ensure they will receive the best care and nutrition to give them the best opportunity for a positive outcome.”

O zoológico, uma instituição sem fins lucrativos de 116 acres em Sanford, na Flórida, informou ainda que assumirá a posse das preguiças ao menos temporariamente enquanto define uma destinação de longo prazo. Parte dos animais deve permanecer no local, enquanto outros poderão ser encaminhados a instituições parceiras credenciadas.

Por que o Sloth World passou a ser alvo de críticas?

Cientistas e organizações de conservação criticaram duramente o Sloth World por importar preguiças silvestres para um negócio comercial. Segundo especialistas citados na reportagem, esses animais são pouco adaptados ao cativeiro, podem internalizar estresse e sofrer supressão do sistema imunológico, o que favoreceria o desenvolvimento de infecções virais.

Ana María Villada Rosales, integrante do Council of Scientific Authority, na Costa Rica, e veterinária-chefe e gerente de pesquisa em medicina da conservação do The Sloth Institute, disse que os relatórios de necropsia de alguns animais indicam que o “estresse sistêmico” atuou como um “catalisador definitivo” para as mortes.

A pressão aumentou nos últimos dias com a reação pública ao caso. Segundo a reportagem, o proprietário Ben Agresta, que antes havia classificado os registros estaduais sobre as mortes como “completamente fictícios”, não respondeu a perguntas do veículo sobre a situação da empresa ou das preguiças remanescentes. Outros veículos relataram na sexta-feira que ele disse que o Sloth World não abrirá ao público. O site e as contas da empresa em redes sociais teriam sido retirados do ar.

O que disseram autoridades e críticos do caso?

A Florida Fish and Wildlife Conservation Commission, que havia dado à empresa uma advertência verbal em agosto por causa do tamanho reduzido de algumas gaiolas, disse ao Inside Climate News na semana anterior que o Sloth World não violou regulações estaduais. Ainda assim, críticos questionaram por que as mortes puderam ocorrer sem reação mais dura das autoridades.

“Where were the laws to protect these animals? Why did Sloth World not have to declare the deaths of the sloths in their care? Why was all of this legally able to happen?”

A declaração acima foi atribuída pela reportagem a Rebecca Cliffe, fundadora da Sloth Conservation Foundation. Já a deputada estadual Anna Eskamani afirmou em publicação em rede social, segundo o texto, que é “inaceitável” que esse comportamento não leve a acusações criminais e disse que estava entrando em contato com a agência estadual de pesca e vida selvagem.

Também de acordo com a reportagem, o deputado federal norte-americano Maxwell Alejandro Frost enviou uma carta ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos pedindo providências para evitar mais sofrimento dos animais que ainda estivessem sob custódia da atração e questionando se haveria investigação federal.

  • 69 preguiças silvestres foram importadas pelo Sloth World desde dezembro de 2024.
  • 21 morreram após a chegada da primeira remessa, segundo registros estaduais.
  • Outras dez morreram após a remessa seguinte, em fevereiro de 2025.
  • 13 animais foram transferidos ao Central Florida Zoo & Botanical Gardens.

A reportagem também afirma que a demanda por preguiças, obtidas majoritariamente na natureza, aumentou nos últimos anos, segundo autoridades da Guiana e do Peru. Esse interesse estaria ligado ao comércio de animais de estimação e ao setor de atrações com animais, em que turistas pagam para posar com eles. Para entidades de conservação, o caso do Sloth World virou exemplo dos impactos do comércio de preguiças sobre o bem-estar e a conservação da espécie.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here