A tensão diplomática na América do Sul ganhou um novo e contundente capítulo. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, representante do partido Colômbia Humana e figura da esquerda latino-americana, anunciou neste domingo (19) que entrará com uma ação judicial contra o chefe de Estado do Equador, Daniel Noboa, líder da coalizão Ação Democrática Nacional, de direita. De acordo com informações do Poder360, a motivação do processo envolve graves acusações de difamação feitas pelo líder equatoriano.
A crise institucional teve início após uma entrevista polêmica concedida por Noboa à revista colombiana Semana. Segundo as declarações do presidente do Equador, o líder colombiano teria mantido contato com indivíduos associados ao crime organizado durante a sua visita oficial ao país vizinho. O encontro teria ocorrido na cerimônia de posse presidencial de Noboa, realizada em maio de 2025, no território equatoriano.
Qual é a acusação de Daniel Noboa contra Gustavo Petro?
Durante a entrevista à publicação jornalística, Daniel Noboa associou a comitiva do líder colombiano a membros de uma facção criminosa de alta periculosidade. O presidente equatoriano afirmou expressamente que Petro se encontrou com integrantes do movimento político de esquerda conhecido como Revolução Cidadã (Revolución Ciudadana), uma organização que possui forte ligação com o ex-presidente do Equador Rafael Correa.
Conforme detalhado em reportagem da Jovem Pan, Noboa argumentou que esse grupo político esquerdista possuiria vínculos diretos com a facção criminosa Los Choneros. O líder desta organização armada é o narcotraficante José Adolfo Macías Villamar, que é amplamente conhecido na região pelo apelido de Fito.
A declaração exata de Noboa à revista detalhou a suspeita sobre as articulações na viagem diplomática:
se reuniu com integrantes da Revolução Cidadã e alguns deles têm ligação com o grupo de Fito
Como o presidente da Colômbia se defendeu?
Utilizando o seu perfil oficial na rede social X, Gustavo Petro negou veementemente as acusações e apresentou sua própria versão sobre a viagem diplomática à cidade de Manta, localizada no Equador. O líder colombiano afirmou que sua estadia no país foi integralmente e estritamente monitorada pelas forças de segurança de ambas as nações.
Para desmentir as falas do mandatário equatoriano, o presidente da Colômbia elencou os seguintes pontos em sua defesa pública:
- Foi acompanhado “dia e noite” pelo Exército equatoriano, atuando sob o comando direto do próprio Daniel Noboa.
- Esteve sob a proteção constante de sua escolta pessoal da força pública colombiana durante todo o período da estadia.
- Possui diversas testemunhas do local onde ficou hospedado com o objetivo de terminar a escrita de seu livro.
Sobre a insinuação de que teria mantido contatos ilícitos com grupos ligados ao narcotráfico, Petro rebateu questionando a lógica das acusações e reforçando o caráter transparente de sua agenda. O mandatário proferiu a seguinte declaração em sua rede social:
Além deles, há outras testemunhas do lugar onde fiquei terminando meu livro. Não sei se ir a algum lugar do Equador implica a suspeita de contatos obscuros
Ainda em resposta às fortes declarações do líder equatoriano, Petro anunciou uma medida retaliatória. O presidente informou que fará a publicação de uma lista detalhando os cidadãos equatorianos que foram extraditados por seu governo para diferentes nações, buscando demonstrar seu compromisso inabalável no combate ao crime transnacional.
Qual o papel de Jorge Glas nesta crise diplomática?
Além das graves acusações envolvendo o narcotráfico e o grupo Los Choneros, a troca de farpas expôs uma discordância profunda sobre a situação legal do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas. Petro alegou que o atrito pessoal com Noboa tem raízes profundas na defesa internacional que o colombiano faz do ex-político.
O presidente da Colômbia declarou abertamente que foi tratado com “desprezo” e “desdém” por Daniel Noboa justamente por ter exigido, em caráter oficial, a libertação de Jorge Glas, a quem classificou publicamente como um verdadeiro “preso político”. Esta postura do líder colombiano vai de encontro direto às decisões estabelecidas pelo sistema judiciário do Equador.
Jorge Glas possui um longo e extenso histórico de problemas com a Justiça de seu país. Ele foi detido no dia cinco de abril de 2024 sob acusações de corrupção, possuindo condenação prévia por envolvimento nos gigantescos escândalos da construtora Odebrecht, o que o consolida como uma figura central nas recentes e intensas divisões políticas e diplomáticas ocorridas na América do Sul.