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Lahaina tenta se reconstruir para moradores após incêndios, enchentes e pressão turística

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Moradores de Lahaina, em Maui, no Havaí, estão conduzindo a reconstrução da cidade com foco na população local, e não no turismo, quase três anos após os incêndios de 2023, em meio a novas tempestades, enchentes e dificuldades habitacionais. De acordo com informações do Guardian Environment, grupos comunitários afirmam que a recuperação tem sido impulsionada por organização de base, defesa de moradia para sobreviventes e iniciativas para manter terras e imóveis sob controle de residentes.

O cenário recente agravou uma crise já profunda. Em março, o Havaí foi atingido por duas tempestades consecutivas, com enchentes descritas pela reportagem como as piores em 20 anos. Em Lahaina, a lama transformou ruas em rios, abriu crateras, danificou vias e inundou casas. Esse novo episódio ocorreu depois dos incêndios que devastaram a cidade em 2023, destruíram mais de 2.000 estruturas e mataram mais de 100 pessoas, enquanto centenas de famílias seguem em moradias temporárias.

Como os moradores estão tentando reconstruir Lahaina?

Segundo a reportagem, moradores e organizadores comunitários dizem estar decididos a proteger Lahaina de novas crises climáticas e a reconstruir a cidade com prioridade para quem vive ali. Entre as iniciativas citadas estão o plantio de espécies nativas para restaurar áreas degradadas por décadas de desvio de água e a participação de grupos locais na discussão sobre a requalificação da Front Street, área comercial historicamente voltada ao turismo.

Paele Kiakona, organizador do grupo Lahaina Strong, resumiu o espírito dessa mobilização em uma fala reproduzida pela reportagem:

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“We’re just community members organizing grassroots from the bottom up, bringing our people in.”

A atuação comunitária também ganhou relevância nos momentos de resposta emergencial. Após o incêndio de 2023 e, mais recentemente, durante as tempestades, moradores ajudaram a remover árvores caídas, retirar carros de leitos de rios e abrir valas para desviar a água das ruas, segundo o relato publicado pelo jornal.

Qual foi o avanço na área de moradia?

Uma das principais vitórias mencionadas na reportagem foi a aprovação, em dezembro, de uma lei municipal para retirar gradualmente 7.000 aluguéis de temporada na ilha, o equivalente a 15% do estoque habitacional local, com a finalidade de ampliar a oferta de moradia para sobreviventes dos incêndios e outros residentes. Em West Maui, região que inclui Lahaina, a retirada desses imóveis do mercado de curto prazo deve ocorrer até 1º de janeiro de 2029; no restante da ilha, até 2031.

O texto informa que, após os incêndios, cerca de 3.400 moradores deixaram a ilha por causa de lacunas em indenizações de seguros, acesso desigual à ajuda federal e alta dos aluguéis. Nesse contexto, organizações locais passaram a defender uma reconstrução que priorize residentes e crie condições para o retorno de quem foi embora.

  • Incêndios em 2023 destruíram mais de 2.000 estruturas
  • Mais de 100 pessoas morreram, segundo a reportagem
  • Lei aprovada prevê retirada gradual de 7.000 aluguéis de temporada
  • Prazo em West Maui: até 1º de janeiro de 2029
  • Prazo no restante da ilha: até 2031

Quais grupos locais aparecem na reconstrução?

A reportagem destaca a atuação de diferentes organizações. O Lahaina Community Land Trust compra casas colocadas à venda em Lahaina e as revende a moradores locais por valores acessíveis, com a proposta de evitar que propriedades sejam transferidas a investidores ou compradores de fora. Segundo o texto, o grupo já adquiriu pelo menos 20 terrenos para moradia e pretende ampliar sua atuação para espaços comerciais.

Autumn Ness, diretora-executiva da organização, afirmou ao Guardian que o objetivo vai além de habitação acessível e envolve a relação histórica da comunidade com a terra. Já o grupo Tagnawa tem atuado junto a imigrantes filipinos, parcela expressiva da população local, oferecendo apoio com recursos em seu idioma, avaliações de risco à saúde, relatórios para formuladores de políticas públicas e oficinas de saúde mental.

Quem pode ficar para trás nesse processo?

De acordo com a reportagem, moradores mais vulneráveis continuam enfrentando dificuldades para acessar ajuda formal, especialmente imigrantes e mães com menos disponibilidade para participar de reuniões e pressionar por suas demandas. Nadine Ortega, diretora-executiva da Tagnawa, disse que muitos trabalhadores filipinos no Havaí ocupam funções de serviço e acumulam vários empregos, o que reduz sua capacidade de presença nos espaços de decisão.

O texto também menciona que, segundo o Dr. Ruben Juarez, diretor do Maui Wildfire Exposure Study, alguns sobreviventes dos incêndios teriam sido deportados durante o aumento das operações do serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE, na região. A reportagem afirma que a fiscalização tem sido menos visível em Maui do que em ilhas vizinhas, mas prisões continuam ocorrendo.

No conjunto, a reconstrução de Lahaina é retratada como uma disputa sobre o futuro da cidade: se ela será reorganizada para atender novamente ao turismo ou se servirá, antes de tudo, aos moradores que tentam permanecer e reconstruir a vida após incêndios, enchentes e deslocamento.

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