Tainá de Paula, ex-secretária de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, ex-vereadora e pré-candidata a deputada federal pelo PT, afirmou em entrevista ao programa TV Fórum, na sexta-feira, 17, que a esquerda deve destacar a “negligência crônica” do governo Jair Bolsonaro nas eleições e reforçar a disputa política também nas redes sociais. A avaliação foi feita ao comentar estratégias para enfrentar o bolsonarismo nas urnas e retomar temas como a condução da pandemia, o auxílio emergencial e a vacinação. De acordo com informações da Revista Fórum, a entrevista foi exibida no Fórum Onze e Meia.
Na conversa, Tainá disse que a esquerda precisa associar o senador Flávio Bolsonaro à continuidade da política bolsonarista e criticou a falta de um enfrentamento mais direto ao legado do governo anterior no início do terceiro mandato do presidente Lula. Segundo ela, a opção por uma estratégia de diálogo e pacificação impediu que parte da população compreendesse a dimensão dos problemas deixados pela administração anterior.
O que Tainá de Paula disse sobre a estratégia da esquerda?
A ex-vereadora afirmou que houve falha na forma de apresentar à população os efeitos do governo Bolsonaro. Para ela, a crítica a esse período precisa ser retomada de maneira mais clara, especialmente junto à classe trabalhadora.
“Talvez foi um erro de condução do governo federal, do nosso presidente Lula, no seu terceiro governo, nós não estabelecermos uma briga direta e uma desconstrução do governo Bolsonaro no mês um de governo. Nós tentamos entrar num caminho do diálogo, de pacificação do país, sem dizer, com todas as letras, que nós pegamos um governo destroçado no Brasil, de terra arrasada.”
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Tainá acrescentou que esse movimento, na visão dela, dificultou a compreensão pública sobre a gravidade do período anterior. Em seguida, defendeu a retomada dessa linha de argumentação durante o processo eleitoral.
“Nós perdemos a mão de deixar claro isso para o trabalhador, para a classe trabalhadora. E agora, eu acho que é o momento de nós retomarmos essa estratégia, que não foi construída lá atrás.”
Quais exemplos de negligência foram citados na entrevista?
Ao defender que a esquerda “dê nome aos bois”, Tainá mencionou pontos que, segundo ela, precisam voltar ao debate público. Entre eles, a condução da pandemia de Covid-19, as dificuldades de acesso ao auxílio emergencial e os atrasos na vacinação.
Ela também citou a situação da saúde pública no Rio de Janeiro durante a gestão do ex-governador Wilson Witzel, ao argumentar que os efeitos do bolsonarismo nos estados receberam menos atenção do que deveriam. Na entrevista, Tainá afirmou:
“É importante dizer quantas pessoas morreram na Covid, que as pessoas tiveram muita dificuldade de acessar o auxílio emergencial, a história da gripezinha, a negligência com a entrega da vacina, o que os estados e os governadores bolsonaristas fizeram – inclusive a gente sofre isso no estado do Rio de Janeiro, sobre como a Saúde foi tratada na época do governador Wilson Witzel. A gente fala pouco sobre isso.”
Na avaliação da pré-candidata, esse debate também deve considerar episódios que, segundo ela, ajudaram a produzir temor em parte do eleitorado em 2022.
- As mortes por Covid-19 e a condução da pandemia
- As dificuldades para acessar o auxílio emergencial
- Os atrasos na vacinação
- Casos de violência política mencionados por ela durante a campanha de 2022
Qual foi a avaliação sobre as redes sociais?
Tainá também defendeu que o campo progressista amplie sua capacidade de circulação de conteúdo nas plataformas digitais. Ela classificou esse cenário como um processo de digitalização da política e disse que a esquerda precisa aprender a operar melhor nesse ambiente.
Segundo a ex-vereadora, a atuação digital deve levar em conta formatos mais acessíveis, inclusive para públicos com menor acesso à internet móvel. Ao mesmo tempo, ela afirmou que o debate sobre financiamento e estrutura de disseminação de conteúdo precisa amadurecer dentro da esquerda.
“A gente fica muito angustiado com esse debate de que a direita fura a bolha e a esquerda não fura. A direita fura porque ela tem muito dinheiro e tecnologia para pensar como captar recurso e montar essa engenharia estratégica, construindo isso artificialmente. A gente precisa entrar nesse processo eleitoral de 2026 sabendo como replicar.”
Ao comentar esse ponto, Tainá citou investigações mencionadas por ela sobre redes de disseminação de conteúdo e defendeu reflexão sobre mecanismos de financiamento e organização para a disputa eleitoral. A entrevista tratou, assim, de dois eixos centrais: a retomada da crítica ao bolsonarismo e a necessidade de ampliar a presença política nas redes.