Péter Magyar declarou vitória nas eleições de domingo (12) na Hungria e deve assumir o governo com maioria no Parlamento, encerrando 16 anos de comando de Viktor Orbán. Segundo projeções oficiais citadas após a apuração inicial dos votos, o partido Tisza, liderado por Magyar, caminha para conquistar cerca de 135 das 199 cadeiras, número suficiente para alterar a Constituição. De acordo com informações do iG, Orbán reconheceu a derrota, a primeira desde que voltou ao poder, em 2010.
O resultado abre espaço para uma mudança de direção política no país. Magyar afirmou que a Hungria foi “recuperada” e disse que a transição será pacífica. A vitória também projeta o Tisza como nova força dominante no cenário político húngaro, após o partido crescer rapidamente desde 2024.
Quem é Péter Magyar e como ele chegou ao centro da política húngara?
Péter Magyar, de 43 anos, construiu parte de sua trajetória dentro do mesmo campo político que agora derrotou. Ele integrou o círculo do Fidesz, partido de Orbán, e foi casado com Judit Varga, ex-ministra da Justiça da Hungria.
A ruptura ocorreu em 2024, depois de um escândalo envolvendo o perdão a um caso de abuso sexual, episódio que levou à saída de Varga do governo. Pouco depois, Magyar passou a acusar o Fidesz de corrupção e manipulação de informações, assumindo o papel de principal opositor do governo.
A mudança de posição ganhou alcance nacional após uma entrevista em um canal no YouTube, vista por cerca de um milhão de pessoas em um país com menos de 10 milhões de habitantes, segundo o texto original. A partir desse momento, ele deixou o anonimato político e passou a organizar uma base própria.
Como o partido Tisza cresceu até derrotar Viktor Orbán?
Quatro meses depois da projeção nacional de Magyar, o Tisza alcançou cerca de 30% dos votos nas eleições europeias de 2024, ficando atrás apenas do Fidesz. O desempenho indicou que o novo agrupamento havia se consolidado como a principal alternativa ao governo de Orbán.
Durante a campanha eleitoral, Magyar percorreu todos os distritos eleitorais do país e realizou mais de 100 eventos. Em alguns dias, participou de até seis comícios. A estratégia foi concentrar esforços também em regiões tradicionalmente dominadas pelo Fidesz, como pequenas cidades e áreas rurais.
Em um dos atos mencionados no texto de origem, ele caminhou cerca de 300 quilômetros entre Budapeste e a fronteira com a Romênia. A campanha também fez uso frequente de símbolos nacionais e de um discurso voltado ao patriotismo.
- Passagem por todos os distritos eleitorais do país
- Realização de mais de 100 eventos de campanha
- Atuação em cidades pequenas e áreas rurais
- Uso de símbolos nacionais e discurso patriótico
Quais são as propostas e a trajetória profissional de Magyar?
Na política externa e econômica, Magyar defende maior aproximação com a União Europeia e promete tentar liberar recursos financeiros bloqueados por disputas institucionais. Também propôs reduzir a dependência da energia russa até 2035, mantendo relações diplomáticas com Moscou.
Na economia, o líder do Tisza afirma que pretende destravar investimentos europeus e reverter o cenário de baixo crescimento. Essas propostas aparecem como parte da agenda apresentada por ele para a nova fase política do país.
Nascido em 1981, Magyar é advogado e vem de uma família ligada ao Direito. Atuou no corpo diplomático da Hungria em Bruxelas, na Bélgica, e ocupou cargos em empresas estatais e no setor financeiro.
Ele tem três filhos, se apresenta como religioso e, em entrevistas, afirma manter hábitos cotidianos fora da política, como cozinhar e jogar futebol com amigos e familiares. Ainda jovem, acompanhou o início da democracia no país após o fim do regime ditatorial e, segundo o texto original, já demonstrava interesse pela política desde então.