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Energia eólica offshore: quem perde com o acordo de US$ 1 bilhão nos EUA

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O Departamento do Interior dos Estados Unidos anunciou um acordo para pagar quase US$ 1 bilhão à TotalEnergies para que a empresa abandone concessões de energia eólica offshore e direcione investimentos para produção de combustíveis fósseis no país. A medida foi informada em 11 de abril de 2026, em meio à ofensiva do governo Donald Trump contra o setor, e afeta áreas previstas para projetos na costa de Nova York e da Carolina do Norte. Segundo a avaliação apresentada por Katharine Kollins, presidente da Southeastern Wind Coalition, o custo recai sobre consumidores e pagadores de tarifas, ao reduzir a diversidade da matriz elétrica e manter pressões de longo prazo sobre preços de energia.

De acordo com informações da Inside Climate News, o governo federal afirmou que reembolsará a TotalEnergies por gastos com produção de petróleo, gás natural e gás natural liquefeito nos Estados Unidos, até o limite do valor das concessões. A reportagem reproduz entrevista de Jenni Doering, do programa Living on Earth, com Kollins, dirigente de uma organização de defesa da energia eólica no sul do país.

O que prevê o acordo anunciado pelo governo dos Estados Unidos?

Segundo o texto original, o entendimento prevê que a TotalEnergies deixe de lado suas concessões de eólica offshore e receba compensação financeira vinculada a investimentos em combustíveis fósseis no mercado americano. Os projetos eólicos estavam planejados para áreas marítimas próximas a Nova York e à Carolina do Norte.

A medida é descrita como mais um passo da campanha do governo Trump para frear a indústria de eólica offshore, meses depois de um juiz federal ter revertido a tentativa de encerrar projetos na Costa Leste. Apesar disso, grandes empreendimentos do setor seguem avançando, como o Revolution Wind, na Nova Inglaterra, e o Coastal Virginia Offshore Wind.

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Quem perde com o abandono das concessões de eólica offshore?

Na entrevista, Katharine Kollins disse ter recebido a notícia com surpresa e decepção e afirmou que o impacto seria duplo para os contribuintes. Para ela, consumidores pagariam tanto pelo reembolso à companhia quanto pelos custos mais altos no futuro, em razão de uma matriz energética menos diversificada e menos eficiente.

“Because you’ve got consumers both paying TotalEnergies back for nearly a billion dollars of a lease payment, and then higher long-term costs of a less-diverse and less-efficient energy mix.”

Kollins também contestou o argumento de apoiadores do acordo de que o pagamento seria apenas uma devolução de valores já recolhidos pela empresa ao governo. Segundo ela, esses recursos já haviam sido pagos e contabilizados, e o fato de terem entrado antes nos cofres públicos não eliminaria o impacto de uma devolução posterior.

Qual é o efeito econômico apontado pela entrevista?

Ao comentar o cancelamento de parques eólicos offshore, Kollins afirmou que “todos perdem”. Ela citou mais de US$ 30 bilhões em atividade econômica já autorizada em cinco projetos atualmente em construção, além de mais de US$ 11 bilhões em ativos de cadeia de suprimentos criados para apoiar essas obras.

A dirigente afirmou que parte dos componentes ainda vem da Europa porque as peças são grandes e transportadas por via marítima, enquanto a estrutura industrial dos Estados Unidos para essa fabricação ainda está em desenvolvimento. Segundo ela, a consolidação de uma cadeia produtiva doméstica poderia representar ao menos US$ 100 bilhões em atividade econômica potencial.

  • Mais de US$ 30 bilhões em atividade econômica em cinco projetos em construção
  • Mais de US$ 11 bilhões em ativos de cadeia de suprimentos
  • Ao menos US$ 100 bilhões em atividade econômica potencial com cadeia produtiva nos EUA

Por que a estabilidade regulatória aparece como ponto central?

Na avaliação de Kollins, empresas só voltariam a investir bilhões de dólares em fábricas e equipamentos costeiros especializados se houver segurança regulatória, licenciamento estável e uma carteira concreta de projetos. Ela afirmou que o ambiente atual aponta para erosão dessa previsibilidade, o que tende a manter a dependência de componentes importados, especialmente da Europa.

A entrevistada também relacionou a eólica offshore à crescente demanda por eletricidade nos Estados Unidos, inclusive por causa da inteligência artificial. Segundo ela, essa fonte pode ajudar o sistema elétrico sobretudo no inverno, quando a demanda por aquecimento aumenta, o fornecimento de gás natural fica mais pressionado e os preços sobem.

Como a energia eólica offshore é apresentada como apoio à rede elétrica?

De acordo com Kollins, uma das vantagens da eólica offshore é gerar eletricidade em momentos de maior necessidade, como manhãs frias de inverno e períodos de tempestades de inverno. Nesses cenários, ela argumenta que a oferta adicional funcionaria como proteção contra custos elevados de combustível.

A entrevista sustenta, assim, que o abandono dessas concessões não atinge apenas empresas do setor, mas também consumidores, investimentos industriais e o planejamento energético de longo prazo nos Estados Unidos. O texto original apresenta essa visão como crítica ao acordo, atribuída à presidente da Southeastern Wind Coalition, sem indicar posição favorável de fontes técnicas adicionais além dos argumentos de apoiadores do governo mencionados na pergunta da entrevistadora.

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