O Banco Mundial reduziu de 2% para 1,6% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil em 2026, segundo relatório lançado na quarta-feira, 8 de abril de 2026, em Washington. A revisão trata da economia brasileira, foi divulgada no Panorama Econômico da América Latina e o Caribe e, de acordo com informações do Poder360, reflete fatores externos, como o choque no preço do petróleo, e elementos internos, como o impacto dos juros elevados sobre consumidores endividados.
A previsão anterior havia sido divulgada em janeiro. O Banco Mundial, instituição financeira internacional formada por 189 países e integrante do sistema das Nações Unidas, também informou que sua estimativa para o Brasil ficou alinhada à do Banco Central, mas abaixo da mediana do boletim Focus, de 1,85%, e da projeção do Ministério da Fazenda, de 2,3%.
Por que o Banco Mundial reduziu a projeção para o Brasil?
Ao comentar a revisão, o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, William Maloney, apontou a combinação de pressões externas e internas. Entre os fatores citados estão os efeitos da alta do petróleo e a preocupação com o custo do crédito para as famílias.
“Tem muita preocupação por parte do consumidor com as taxas de juros altíssimas que afetam consumidores endividados”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
O texto também menciona que o nível de endividamento das famílias tem sido uma preocupação do governo, que estuda medidas como o uso do FGTS para ajudar trabalhadores a quitarem dívidas. No diagnóstico apresentado, os juros altos funcionam como freio para a atividade econômica, ao encarecer o crédito e pressionar a gestão fiscal.
Como ficou a previsão para a América Latina e o Caribe?
O Banco Mundial também revisou a estimativa de crescimento da América Latina e do Caribe, que passou de 2,3% para 2,1%. Segundo William Maloney, um dos motivos para a desaceleração foi a crise provocada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, com impacto sobre a cadeia produtiva do petróleo.
“Os impactos imediatos da crise são através dos preços de petróleo e do gás”
O relatório associa esse cenário à redução da produção em países do Golfo Pérsico e aos obstáculos logísticos no Estreito de Ormuz, o que elevou o preço internacional do barril. De acordo com Maloney, o choque tende a alcançar não só a América Latina, mas a economia global, levando países a serem mais cautelosos na redução de juros.
“São impactos significativos nas economias como um todo e na questão fiscal, por isso que fizemos um downgrade [rebaixamento] da nossa previsão.”
Como o Brasil se posiciona no ranking regional?
Entre 29 países latino-americanos e caribenhos, a previsão de crescimento do Brasil em 2026 ocupa a 22ª posição, segundo o texto. A liderança é da Guiana, com expansão projetada de 16,3%, impulsionada pela exploração de petróleo na Margem Equatorial. O país havia crescido 15,4% em 2025 e, para 2027, a projeção citada é de 23,5%.
Os números da Guiana foram descritos como tão elevados que o Banco Mundial os deixou de fora do cálculo dos números globais da América Latina. O panorama regional, portanto, mostra um crescimento heterogêneo, com desempenhos bastante distintos entre as economias.
Quais setores brasileiros foram citados como destaque?
Apesar da posição mais baixa no ranking, o Brasil foi mencionado de forma positiva por seus resultados em segmentos industriais e no agronegócio. William Maloney destacou a indústria aeronáutica brasileira ao citar a Embraer como exemplo de capacidade industrial.
“A Embraer é um exemplo, o Brasil tem uma indústria muito boa”
Na agricultura, o economista afirmou que Brasil e Argentina se destacam por tecnologia e produtividade. O relatório do Banco Mundial também fez referência à Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, como exemplo de incorporação de ciência, experimentação e desenvolvimento de capital humano na agropecuária.
“A Embrapa se destaca justamente porque incorporou o aprendizado científico, a experimentação descentralizada e o desenvolvimento de capital humano no centro de sua estratégia, possibilitando ganhos de produtividade que persistiram mesmo além do apoio direto do Estado”
Entre os principais pontos do relatório citados no texto, estão:
- redução da previsão de crescimento do Brasil de 2% para 1,6% em 2026;
- revisão da projeção da América Latina e do Caribe de 2,3% para 2,1%;
- impacto do petróleo e do gás sobre inflação, juros e atividade econômica;
- destaque para Embraer e Embrapa em áreas de inovação e produtividade.