O **Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER)**, localizado em João Pessoa, alcançou um marco histórico na medicina pública paraibana ao realizar a primeira colectomia parcial por videolaparoscopia de sua trajetória. O procedimento, ocorrido nesta sexta-feira, dez de abril, marca a expansão de técnicas de alta complexidade dentro da rede estadual de saúde. A operação foi viabilizada por meio do programa Paraíba Contra o Câncer, uma iniciativa estratégica que visa modernizar o tratamento oncológico oferecido aos cidadãos dependentes da rede pública.
De acordo com informações do Gov Paraíba, a ação é fruto de uma gestão integrada entre o **Governo da Paraíba** e a **Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde)**. O objetivo central é descentralizar e qualificar o atendimento oncológico, garantindo que tecnologias de ponta, antes restritas a poucos centros, cheguem aos pacientes do **Sistema Único de Saúde (SUS)**. A unidade hospitalar, gerenciada pela PB Saúde, agora se consolida como protagonista na incorporação de métodos cirúrgicos minimamente invasivos.
Como funciona a colectomia parcial por videolaparoscopia?
A técnica cirúrgica inovadora aplicada no Hospital Edson Ramalho difere substancialmente dos métodos tradicionais. Em vez de uma grande abertura abdominal, os cirurgiões utilizam pequenas incisões para a inserção de uma câmera laparoscópica e instrumentos especializados. Este sistema de vídeo permite uma visualização detalhada e precisa da cavidade abdominal, facilitando a remoção parcial do cólon, o intestino grosso, com danos mínimos aos tecidos adjacentes.
O diretor hospitalar da unidade e médico oncologista responsável pela cirurgia, Ramonn Chaves, detalhou a importância do avanço tecnológico para o sistema público. Segundo o especialista, o acesso a este tipo de abordagem representa um salto de qualidade na assistência hospitalar.
“Nós realizamos hoje uma colectomia parcial laparoscópica. Isso significa um procedimento feito com pequenos orifícios, utilizando um sistema de vídeo que permite visualizar a cavidade abdominal com precisão. Esse tipo de abordagem representa um avanço significativo para o SUS no nosso estado, porque passa a ser ofertado a partir desta semana.”
Quais os benefícios para os pacientes atendidos pelo SUS?
A transição da cirurgia aberta para a videolaparoscopia traz uma série de vantagens clínicas e pós-operatórias. Entre os principais fatores que beneficiam o paciente, destacam-se a redução da dor após o procedimento e a diminuição drástica no risco de infecções hospitalares. Além disso, a recuperação é acelerada, permitindo que o indivíduo retorne às suas atividades cotidianas em um período muito menor do que o exigido em intervenções convencionais.
O primeiro paciente a passar pelo procedimento na unidade foi Fabrício Martins, de 51 anos. O caso era considerado complexo pela equipe médica devido a comorbidades pré-existentes. O anestesista Edvan Benevides explicou que, além do diagnóstico de câncer, o paciente convive com a doença de Parkinson e utiliza um marcapasso, o qual também foi implantado anteriormente através do SUS.
Abaixo, listamos os principais diferenciais deste modelo cirúrgico:
- Menor tempo de internação hospitalar e alta precoce;
- Redução significativa de sangramentos durante a operação;
- Cicatrizes menores e menor desconforto pós-operatório;
- Retorno ágil das funções intestinais e da dieta sólida.
Qual o papel do programa Paraíba Contra o Câncer?
O programa Paraíba Contra o Câncer é o pilar estruturante que sustenta essas inovações. Ele funciona como uma rede de conexão entre diferentes unidades de saúde da Paraíba, otimizando o fluxo de atendimento desde o diagnóstico inicial até o tratamento de alta complexidade. A meta é oferecer dignidade e agilidade no cuidado oncológico, removendo barreiras burocráticas e tecnológicas que historicamente dificultavam o acesso a tratamentos modernos.
Para a gestão estadual, a realização de cirurgias por vídeo no Hospital Edson Ramalho prova que é possível aplicar padrões de excelência na saúde pública. O médico Edvan Benevides ressaltou que cerca de 90 por cento dos casos similares ainda são realizados de forma aberta em diversas regiões do país, o que torna o avanço paraibano ainda mais relevante.
“Possibilitar isso no SUS, através do Governo do Estado e da PB Saúde, é algo que até pouco tempo era inimaginável. O método é menos invasivo, causa menos dor e proporciona uma recuperação muito mais rápida.”
Com a consolidação deste serviço, o Hospital do Servidor General Edson Ramalho expande sua capacidade de atendimento e reafirma o compromisso com a saúde oncológica na Paraíba. O sucesso desta primeira intervenção por vídeo abre caminho para que outros pacientes com diagnósticos semelhantes possam usufruir de tratamentos menos traumáticos e mais eficientes no futuro próximo.