Na cidade costeira de Fleetwood, localizada no condado de Lancashire, moradores enfrentam uma grave crise ambiental e de saúde pública devido à reabertura do aterro sanitário de Jameson Road. Operado pela empresa de reciclagem Transwaste, o local tem liberado um gás tóxico e de odor fétido, causando doenças na população local e afastando turistas. De acordo com informações do Guardian Environment, a situação já gerou mais de 20 mil reclamações formais para a Agência de Meio Ambiente do Reino Unido (Environment Agency) desde que o espaço voltou a funcionar há mais de dois anos.
O forte odor, comparado por moradores a ovos podres e excrementos de animais, é resultado da liberação de sulfeto de hidrogênio. O gás tóxico começou a ser emitido de forma intensa quando a empresa reabriu o aterro, que estava desativado há cinco anos. Apenas nas últimas seis semanas, as autoridades ambientais britânicas registraram quase seis mil denúncias detalhando o problema que assola o antigo porto de pesca inglês.
Quais são os impactos na saúde da população de Fleetwood?
Os relatos médicos e comunitários apontam para uma piora significativa na qualidade de vida dos habitantes. Pessoas que vivem nos arredores do aterro sanitário queixam-se de náuseas, vômitos, sangramentos nasais, dores de cabeça, irritação nos olhos e agravamento de condições respiratórias. O diretor da escola primária Flakefleet, Dave McPartlin, relatou que as crianças estão se recusando a brincar ao ar livre devido ao cheiro intrusivo que paira sobre a região, especialmente em dias de clima favorável.
Durante o período noturno, o problema ambiental se intensifica. A queda natural de temperatura faz com que o gás tóxico permaneça mais próximo ao solo, invadindo as residências de forma ininterrupta. A professora aposentada Donna Davidson, moradora de uma vila a quase cinco quilômetros de distância do local, resumiu a sensação da comunidade afetada:
As pessoas estão sendo gaseificadas em suas camas – é assim que elas estão descrevendo.
A situação é particularmente preocupante porque a cidade já abriga bairros com altos índices de privação social. As estatísticas de saúde locais mostram que a taxa de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é quase o dobro da média nacional do Reino Unido, além de existirem elevados níveis de asma. Moradora da região, Allison Rowe foi diagnosticada com ambas as condições recentemente e credita a piora de sua saúde à poluição atmosférica contínua.
Como as autoridades e a empresa responsável estão reagindo?
A Agência de Meio Ambiente britânica registrou 74 violações de conformidade nas instalações da Transwaste em um período de quase dois anos, sendo um terço delas classificadas tecnicamente como significativas. Em resposta à pressão popular, a empresa iniciou a instalação de uma barreira permanente no aterro neste mês para tentar conter o vazamento constante de gás.
A companhia de reciclagem argumenta que solicitou a permissão governamental para realizar as obras corretivas em dezembro, mas obteve a liberação oficial apenas na última semana. A Transwaste também afirmou cumprir todas as leis vigentes e rejeitou publicamente as acusações de negligência. O conselho municipal de Wyre, proprietário do terreno, declarou que só poderá tomar medidas legais extremas se os residentes mantiverem diários detalhados e permitirem que fiscais testemunhem o odor dentro de suas próprias casas.
Insatisfeitos com a lentidão do poder público para solucionar o vazamento, os moradores organizaram protestos de rua e estão coletando evidências independentes. O movimento, que conta com o apoio de profissionais da saúde como a médica Barbara Kneale, exige o fechamento definitivo do local e monitora ativamente os seguintes pontos cruciais:
- Leituras detalhadas dos níveis de sulfeto de hidrogênio dentro das residências afetadas pelo aterro.
- Rastreamento constante dos caminhões que transportam lixo de cidades distantes para a região de Lancashire.
- Pressão política direta através da parlamentar Lorraine Beavers, que utilizou o privilégio parlamentar para buscar a responsabilização criminal dos operadores.
Um porta-voz da autoridade ambiental declarou de forma oficial que a comunidade não deveria tolerar odores que afetam seu ambiente doméstico. Fiscais do governo estão atuando no terreno para monitorar a situação e exigiram que a operadora cubra imediatamente as áreas onde os novos resíduos foram depositados. A agência governamental garantiu que não hesitará em tomar medidas de fiscalização severas caso as melhorias na contenção do gás não sejam observadas em curto prazo.