Uma megaoperação de desintrusão deflagrada na Terra Indígena Sararé, localizada no estado do Mato Grosso, resultou na prisão de 67 pessoas suspeitas de envolvimento com o garimpo ilegal. As ações, conduzidas pela Polícia Federal nos últimos dias do mês de março, causaram um prejuízo estimado em R$ 26 milhões aos financiadores da atividade criminosa por meio da destruição de maquinários, equipamentos e instalações estruturadas para a exploração clandestina de ouro.
De acordo com informações da Radioagência Nacional, as abordagens policiais transcorreram sem o registro de confrontos armados. Do total de detidos durante as mais de 120 ações realizadas pelas forças de segurança pública, 14 indivíduos permanecem à disposição da Justiça. A ofensiva busca retomar o controle da região, historicamente marcada pela violência e pela degradação ambiental profunda causada pela busca desenfreada por minérios.
Quais foram os materiais apreendidos nos acampamentos ilegais?
Durante a varredura territorial, as equipes de fiscalização identificaram e desmobilizaram 31 acampamentos clandestinos que serviam de base para os invasores. O volume de itens confiscados ou destruídos demonstra a alta capacidade de investimento dos grupos criminosos que operam na região amazônica e no cerrado brasileiro.
O inventário da operação detalha a apreensão dos seguintes materiais essenciais para a manutenção da atividade garimpeira irregular:
- Quatro mil litros de óleo diesel;
- 76 motores utilizados nas dragas e escavações;
- 40 geradores de energia elétrica;
- 24 quilos de explosivos industriais;
- 24 aparelhos celulares usados na comunicação criminosa;
- Escavadeiras hidráulicas, porções de ouro e uma arma de fogo.
Como o garimpo afeta a vida do povo Nambikwara?
O território em questão é o lar tradicional de aproximadamente 200 indígenas pertencentes ao povo Nambikwara, que estão distribuídos em sete aldeias ao longo da reserva. A área demarcada abrange partes dos municípios de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Segundo o levantamento oficial, cerca de 4,2 mil hectares do solo sagrado já encontram-se severamente impactados pela contaminação e pelas escavações inerentes à extração do ouro.
Dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) apontam que a exploração mineral na localidade não é um fenômeno recente, tendo registros consolidados desde a década de 1990. A persistência dessa invasão expõe as comunidades originárias a riscos constantes, que vão desde a contaminação dos recursos hídricos até a ameaça imposta pela presença de contingentes armados no entorno das aldeias.
Por que a região possui um alto índice de criminalidade?
A escalada da violência no entorno da reserva é motivo de alerta contínuo para as autoridades federais. No ano de 2022, a situação chegou a um nível crítico que exigiu a convocação da Força Nacional de Segurança Pública para intervir no território, que à época concentrava aproximadamente cinco mil invasores dedicados ao garimpo. Desde o ano seguinte, as polícias federais e outros órgãos de controle ambiental assumiram a frente das operações na área.
O derramamento de sangue tem sido uma marca do conflito territorial. Apenas no ano de 2024, cinco pessoas morreram após trocarem tiros com agentes da Polícia Rodoviária Federal durante uma barreira de fiscalização organizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Poucos dias antes desse episódio, uma chacina brutal deixou quatro mortos na mesma localidade.
O cenário de insegurança é agravado pela ação de facções criminosas. Informações divulgadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que o município de Vila Bela da Santíssima Trindade configurou entre os mais violentos em 2024. O alto índice de criminalidade é atribuído à presença ostensiva de integrantes do Comando Vermelho, que se aproveitam da localização geográfica estratégica para coordenar rotas do tráfico internacional de drogas.
O Ministério dos Povos Indígenas assegura que a atual operação de desintrusão não tem prazo determinado para ser encerrada. As frentes de trabalho das forças de segurança continuarão ativas e presentes no território enquanto houver focos de invasão detectados, visando garantir que a integridade física das comunidades Nambikwara e a ordem pública sejam plenamente restabelecidas.