
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por intermédio do seu Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE), promoveu, nesta quarta-feira (8 de abril de 2026), uma capacitação voltada ao Projeto Sinais para um contingente de 500 policiais militares. O evento, sediado em Porto Alegre, reuniu agentes de diversas regiões do estado com a finalidade de aprimorar a segurança no ambiente escolar e prevenir atos de violência grave entre o público infantojuvenil. A iniciativa gaúcha dialoga com uma preocupação nacional crescente, já que a segurança nas escolas se tornou tema prioritário de debate no Brasil após episódios recentes de ataques a instituições de ensino.
De acordo com informações do MP-RS, o treinamento foi direcionado especificamente aos profissionais que mantêm contato direto e cotidiano com crianças e adolescentes. A iniciativa busca qualificar a atuação de policiais que integram o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), a Patrulha Escolar e as equipes que atuam nos sete colégios militares distribuídos pelo território gaúcho.
Qual o objetivo central do Projeto Sinais no Rio Grande do Sul?
O Projeto Sinais constitui uma ferramenta estratégica do Ministério Público para a identificação precoce de comportamentos, sinais de alerta e fatores de risco que precedem episódios de violência extrema. A metodologia foca na capacitação de agentes da linha de frente para que possam reconhecer indicadores de radicalização e intervir de forma antecipada, evitando que situações de vulnerabilidade evoluam para tragédias no âmbito educacional.
Durante a abertura dos trabalhos, o secretário-geral do MPRS, João Ricardo Santos Tavares, enfatizou que a iniciativa é fundamental para consolidar uma atuação integrada entre o Ministério Público e as forças de segurança pública do estado. Segundo Tavares, o fortalecimento desse vínculo institucional permite uma resposta mais célere e eficiente na proteção de jovens e na manutenção da paz social dentro das instituições de ensino.
Quais profissionais da Brigada Militar participaram da capacitação?
A capacitação mobilizou cerca de 500 integrantes da Brigada Militar (como é denominada a Polícia Militar no estado do Rio Grande do Sul) vindos de diversas comarcas. A prioridade foi dada aos policiais que atuam no PROERD e na Patrulha Escolar, uma vez que estes servidores possuem trânsito livre e contínuo nas escolas gaúchas, sendo os primeiros a notar mudanças comportamentais no corpo discente. Além destes, equipes diretivas e de segurança dos sete colégios militares estaduais foram treinadas para aplicar os protocolos de monitoramento e encaminhamento previstos pelo NUPVE.
O procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, que coordena o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema e o Projeto Sinais, pontuou que o conhecimento técnico é a maior arma contra o radicalismo: “A iniciativa busca fornecer ferramentas técnicas e conhecimento qualificado aos profissionais que atuam junto ao público infantojuvenil, ampliando a capacidade de resposta preventiva do Estado frente a situações de risco”, afirmou o coordenador.
Quais temas técnicos foram abordados durante o treinamento?
O programa pedagógico da capacitação foi abrangente, cobrindo tópicos sensíveis que influenciam a segurança pública contemporânea. Os especialistas do MPRS detalharam os seguintes pontos para os policiais militares:
- Conceitos fundamentais sobre o que define a violência extrema no século XXI;
- Mapeamento de processos de radicalização e mobilização para o uso da força;
- Identificação de indicadores de risco específicos no comportamento de crianças e adolescentes;
- Análise do impacto dos jogos eletrônicos e comunidades virtuais na cooptação de jovens;
- Estudo de casos práticos de violência escolar para aplicação de protocolos de contenção.
Além do coordenador Fábio Costa Pereira, o corpo de palestrantes contou com a expertise dos promotores de Justiça Leonardo Rossi, Manuela Paradeda Montanari, Michele Dumke Kufner e Doraní Borges Medeiros. A analista do MPRS, Ana Paula Nosari Solari, também participou das instruções, fornecendo subsídios técnicos para a análise de dados e monitoramento de riscos. A atividade encerrou-se reforçando o compromisso das instituições gaúchas em agir preventivamente na proteção do ambiente acadêmico.


